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terça-feira, 27 de abril de 2010

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 02.

Introdução : As causas da Segunda Guerra Mundial

Um conflito desta magnitude não começa sem importantes causas ou motivos. Podemos dizer que vários fatores influenciaram o início deste conflito que se iniciou na Europa e, rapidamente, espalhou-se pela África e Ásia.

Um dos mais importantes motivos foi o surgimento, na década de 1930, na Europa, de governos totalitários com fortes objetivos militaristas e expansionistas. Na Alemanha surgiu o nazismo, liderado por Hitler e que pretendia expandir o território Alemão, desrespeitando o Tratado de Versalhes, inclusive reconquistando territórios perdidos na Primeira Guerra. Na Itália estava crescendo o Partido Fascista, liderado por Benito Mussolini, que se tornou o Duce da Itália, com poderes sem limites.

Tanto a Itália quanto a Alemanha passavam por uma grave crise econômica no início da década de 1930, com milhões de cidadãos sem emprego. Uma das soluções tomadas pelos governos fascistas destes países foi a industrialização, principalmente na criação de indústrias de armamentos e equipamentos bélicos (aviões de guerra, navios, tanques etc).

Na Ásia, o Japão também possuía fortes desejos de expandir seus domínios para territórios vizinhos e ilhas da região. Estes três países, com objetivos expansionistas, uniram-se e formaram o Eixo. Um acordo com fortes características militares e com planos de conquistas elaborados em comum acordo.

O Início

O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos : Aliados (liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos) e Eixo (Alemanha, Itália e Japão ).

Desenvolvimento e Fatos Históricos Importantes:

  • O período de 1939 a 1941 foi marcado por vitórias do Eixo, lideradas pelas forças armadas da Alemanha, que conquistou o Norte da França, Iugoslávia, Polônia, Ucrânia, Noruega e territórios no norte da África. O Japão anexou a Manchúria, enquanto a Itália conquistava a Albânia e territórios da Líbia.

  • Em 1941 o Japão ataca a base militar norte-americana de Pearl Harbor no Oceano Pacífico (Havaí). Após este fato, considerado uma traição pelos norte-americanos, os estados Unidos entraram no conflito ao lado das forças aliadas.

  • De 1941 a 1945 ocorreram as derrotas do Eixo, iniciadas com as perdas sofridas pelos alemães no rigoroso inverno russo. Neste período, ocorre uma regressão das forças do Eixo que sofrem derrotas seguidas. Com a entrada dos EUA, os aliados ganharam força nas frentes de batalhas.

  • O Brasil participa diretamente, enviando para a Itália (região de Monte Cassino) os pracinhas da FEB, Força Expedicionária Brasileira. Os cerca de 25 mil soldados brasileiros conquistam a região, somando uma importante vitória ao lado dos Aliados.

Final e Consequências

Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945 com a rendição da Alemanha e Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes, deixando um rastro de destruição nestas cidades.

bomba atômica Bomba Atômica explode na cidade japonesa de Hiroshima

Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus.

Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados.



"O DIA D"


O que foi o Dia D, desembarque dos aliados na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial

segunda guerra mundial, Dia D
Dia D: Soldados aliados desembarcam na Normandia



História do Dia D

O Dia D, 6 de junho de 1944, foi a data em que ocorreu o desembarque das tropas aliadas na Normandia (noroeste da França). Este dia é considerado por muitos historiadores como o mais importante da Segunda Guerra Mundial. Foi decisivo na vitória dos aliados contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O nome oficial deste plano militar era Operação Overlord.

A região era dominada pelos alemães na chamada Muralha do Atlântico. Os aliados, desembarcaram com mais de 300 mil homens e milhares de armamentos. Os aliados usaram senhas e informações falsas sobre o desembarque, estratégia importante para confundir as tropas alemãs.

Após duras batalhas, a operação Overlord funcionou e os aliados venceram. Esta vitória foi crucial para o avanço dos aliados rumo a vitória sobre a Alemanha em 1945.

Os soldados das tropas aliadas, que participaram da invasão da Normândia durante no Dia D eram dos seguintes países: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França (parte livre), Polônia, Austrália, Bélgica, Nova Zelândia, Holanda e Noruega.



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SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - 01.

Considerada uma verdadeira guerra mundial, a Segunda Guerra foi conseqüência de um conjunto de continuidades e questões mal resolvidas pelos tratados de paz estabelecidos após a Primeira Guerra Mundial. Os confrontos foram divididos entre duas grandes coalizões militares: os Aliados, liderados por Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética; e o Eixo, composto pela Itália, Alemanha e Japão. Em conseqüência de suas maiores dimensões, os conflitos foram desenvolvidos na Europa, Norte da África e países do Oceano Pacífico.

No período entre 1918 e 1939, a economia mundial sofreu um grande abalo gerado pela crise de 1929. Na época, a economia dos EUA financiava e fornecia produtos às principias nações européias atingidas pelos conflitos da Primeira Guerra Mundial. Além disso, a miséria de algumas nações, como no caso da Itália e da Alemanha, propiciou a ascensão de grupos políticos nacionalistas de extrema direita. Ao mesmo tempo, as disputas imperialistas ainda dominavam a concorrência da economia mundial.

A Liga das Nações, órgão instituído para manter a paz entre as nações, não conseguiu cumprir o seu papel, e esfacelou mediante a corrida militarista preparada pelas nações inconformadas pela hegemonia política e militar exercida pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial. Sem possuir uma única razão, essa guerra foi conseqüência do exacerbado desenvolvimento industrial das nações européias. De certa forma, levando em consideração suas especificidades, a Segunda Guerra parecia uma continuidade dos problemas da Primeira Guerra.


Os preparativos da Segunda Guerra Mundial

O encontro das autoridades inglesas, francesas, alemãs e italianas na Conferência de Munique.


Os tratados de paz assinados depois da Primeira Guerra são importantes documentos para a compreensão dos motivos que levaram as grandes potências mundiais a um novo conflito. De forma muito severa, os pontos de cada um desses acordos ordenou a imposição de duras punições que promoveram uma grave crise econômica entre as nações vencidas. Entre os Estados mais afetados, podemos destacar os impactos sofridos na Alemanha e na Itália.

Mesmo fazendo parte do grupo vitorioso da Primeira Guerra, a Itália não obteve as devidas compensações nos acordos firmados. Os prejuízos econômico e financeiro trazidos com o conflito foram seguidos por altos índices de desemprego, a paralisação de setores produtivos e diversas convulsões sociais de movimentos de extrema direita e esquerda. Nesse momento surgiu a figura de Benito Mussolini que instituiu um governo totalitário apoiado em promessas de supremacia e recuperação da situação italiana.

Vivendo impactos ainda mais severos, a Alemanha tinha sua crise enquanto conseqüência das punições impostas pelo Tratado de Versalhes. O processo inflacionário alemão fez com que a população acumulasse sacos de dinheiro para realizar a compra de uma simples fatia de pão. Em meio a tais condições adversas, um ex-combatente austríaco chamado Adolf Hitler comandou a formação do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Seguindo doutrinas antidemocráticas, raciais e imperialistas, Hitler tornou-se líder máximo do Estado alemão.

A ineficácia política da Liga das Nações, órgão criado após a Primeira Guerra, também teve grande importância. Sem o apoio efetivo das principais potências da época, esse órgão internacional não refreou a retomada dos conflitos e hostilidades diplomáticas que retomavam o cenário político internacional. Em 1931, o Japão promoveu a invasão do território chinês da Manchúria. Quatro anos depois, os italianos conquistaram a Abissínia (atual Etiópia). Sob o comando de Hitler o governo alemão descumpriu o Tratado de Versalhes tomando as regiões de Sarre e da Renânia.

O temor de uma nova guerra fez com que as demais nações fossem tolerantes com tais ações imperialistas. Após fazerem uma parceria militar na Guerra Civil Espanhola (1936 – 1939), alemães e italianos se mostravam preparados para uma nova guerra. Contando com o posterior apoio do governo japonês, Alemanha e Itália formaram o Eixo Roma-Berlim-Tóquio. Logo em seguida, alegando a existência de uma maioria alemã na região, Hitler anexou a região dos Sudetos que faziam divisão com a república Theca.

Afrontados com a invasão alemã ao Estado criado pelas potências vencedoras, Inglaterra e França convocaram Hitler e Mussolini para uma rodada de negociações. Na chamada Conferência de Munique, representantes franceses e britânicos optaram pelo reconhecimento da conquista alemã, depois de Hitler comprometer-se a não realizar mais nenhuma conquista territorial sem o consentimento da Inglaterra e da França.

Por outro lado, Inglaterra e França tinham se comprometido a proteger a Polônia, região cobiçada pelos alemães, de qualquer ataque aos seus territórios. A cobiça de Hitler sobre essa região advinha do controle do chamado “corredor polonês”, que desembocava em uma saída para o mar, no Porto de Dantzing. Dando seu último passo para a guerra, Hitler assegurou um acordo de não-agressão com os russos através do Pacto germano-soviético, em 1939. Evitando um confronto com a potência soviética, as tropas nazistas invadiram a Polônia naquele mesmo ano. Dessa forma, iniciava-se a Segunda Guerra Mundial.



Ofensiva Alemã


Hitler (centro) posando junto à Torre Eiffel (fundo): a conquista alemã na França.



Após os ensaios bélicos da Guerra Civil Espanhola e a consolidação do Pacto Germano-Soviético, Hitler parecia pronto para empreender as suas primeiras ações militares. No primeiro dia do mês de setembro de 1939, as tropas hitleristas invadiram a Polônia e ali instituíram um governo geral. A fácil conquista do território logo mobilizou as forças britânicas e francesas contra a Alemanha. Tentando inviabilizar o exército alemão, interceptaram o fornecimento sueco de aço destinado à máquina de guerra alemã.


Aproveitando dessa interceptação estratégica, os alemães avançaram sobre a Dinamarca e a Noruega. Reavivando o Plano Schlieffen, traçado na Primeira Guerra Mundial, as tropas alemãs invadiram a Bélgica e os Países Baixos com o intuito de facilitar sua entrada no território francês. Em Dunquerque, os alemães conseguiram uma significativa vitória contra as tropas franco-belgas e britânicas. Essa conquista garantiu o poderio alemão sobre o material bélico de seus aliados e a rendição de 40 mil combatentes franceses.

Contando com ampla vantagem, os exércitos de Hitler invadiram a França e, em 14 de junho de 1940, as tropas nazistas tomaram a cidade de Paris. Acuado, as autoridades francesas iniciaram um intenso debate sobre como proceder mediante o avanço alemão. Influenciados pelo marechal Petáin, o governo francês decidiu permanecer em seus territórios com o objetivo de defender a população civil. Enquanto o general Charles De Gaulle instigava a população a resistir à ocupação, o marechal Petáin assumiu o governo francês sobre a influência germânica.

Entusiasmado pelas vitórias do ditador alemão, Benito Mussolini decidiu prestar apoio aos nazistas. No mesmo ano, o apoio do Japão foi reafirmado no momento em que as autoridades nipônicas queriam controlar regiões asiáticas de interesse dos Estados Unidos. Controlando seu principal inimigo continental (França), os exércitos de Adolf Hitler organizaram uma ofensiva contra os ingleses. Os britânicos, contando com o apoio dos Estados Unidos, esperavam enfraquecer as forças alemãs.

Entre 1940 e 1941, os alemães conseguiram vencer os ingleses impondo-lhes o ataque aos comboios navais que forneciam armas e suprimentos para a Inglaterra. Buscando tomar Londres, capital do país, os alemães decidiram realizar uma série de bombardeios aéreos contra a cidade. Graças ao uso de radares e à habilidade dos pilotos da Royal Air Force, a Inglaterra conseguiu evitar mais uma conquista militar alemã.

Aproveitando do pacto de não-agressão firmado com os alemães, a Rússia resolveu conquistar algumas nações balcânicas. Mostrando-se como uma possível rival no domínio sobre a Europa, o governo soviético propôs a partilha do mundo em zonas de influência política e econômica. A Alemanha, fortalecida pelas vitórias contra grandes potências bélicas (França e Inglaterra), não teve interesse em firmar o acordo. Logo em seguida, no dia 22 de junho de 1941, iniciou a invasão da União Soviética. A invasão dos alemães abriu uma nova etapa que mudou o quadro da Segunda Guerra Mundial.




A resistência soviética

Soldados alemães e soviéticos em confronto direto na Batalha de Stalingrado.



Depois dos primeiros anos da guerra sendo dominadas pelas vitórias de Adolf Hilter, as tropas alemãs voltaram suas atenções contra a Rússia. Cerca de dois milhões de tropas terrestres foram mobilizadas rumo à cidade de Moscou. Antes disso, os militares alemães cercaram a cidade de Leningrado que foi vítima de um cerco que aniquilou a cidade que, mesmo assim, retardou o avanço das forças nazistas. A superioridade bélica da Alemanha não conseguiu fazer frente às tropas russas.


Os alemães conseguiram dominar diversos centros urbanos da União Soviética e empreender a vitória sobre diversas tropas russas. Durante os primeiros meses de combate, cerca de quatro milhões de reféns russos foram encarcerados e aproximadamente um milhão de soviéticos haviam sido mortos. A vitória alemã não foi possível, pois a tecnologia dos aviões de guerra da União Soviética conseguia desintegrar vários dos pontos de dominação das tropas de Hitler.


Além disso, as condições do inverno russo aniquilaram vários dos combatentes nazistas. A Batalha de Stalingrado, ocorrida em janeiro de 1943, foi de fundamental importância na virada dos soviéticos sobre os alemães. Essa região tinha importância estratégica, pois com a dominação de Stalingrado os alemães teriam acesso às ricas reservas petrolíferas da região do Cáucaso. Dessa forma, alemães e soviéticos se colocaram em confronto nessa decisiva batalha.


Sob o comando do general alemão Friedrich von Paulus, uma tropa de 285 mil homens foi cercada pelas forças do marechal soviético Konstantin Rokossovsky. Temendo o agravo das condições penosas em que se encontravam as forças alemãs, o general nazista solicitou, sem efeito algum, uma rendição autorizada por Hitler. O ataque dos soviéticos contou com uma guarnição de cinco mil canhões disparados contra os focos de resistência alemã.

As tropas do general Von Paulus ainda ofereciam alguma resistência no combate terrestre. No entanto, no final do mês de janeiro, vinte e três generais e noventa e um mil soldados alemães foram rendidos. Logo em seguida, uma terrível epidemia de febre tifóide aniquilou violentamente os nazistas derrotados. Combalido com as lutas e as doenças, apenas cinco mil soldados conseguiram retornar para a Alemanha. Inconformado com as ações de Hitler, o general Von Paulus decidiu lutar ao lado das forças do Eixo.

Sendo essa a primeira grande derrota dos nazistas, as tropas dos Aliados se empenharam em obter novas vitórias. A participação dos russos e a entrada dos Estados Unidos na guerra foram de fundamental importância para a vitória contra os países do Eixo.





A vitória dos Aliados

O dia “D”, momento crucial na vitória militar das forças aliadas.



Depois de observarmos a importância da vitória russa sobre o avanço das tropas nazistas, vamos agora ver outros locais onde se deu continuidade ao confronto. No ano de 1942, podemos observar a derrota dos países do Eixo em outras frentes de batalha. O Japão forçou os Estados Unidos a entrar no conflito com a deflagração do ataque surpresa à base americana de Pearl Harbor, em 1941. No ano seguinte, tropas estadunidenses e nipônicas entraram em confronto na Batalha de Midway.

Nesse confronto a vitória dos EUA deu um importante passo para frear o avanço do imperialismo japonês sobre diversas regiões do Oceano Pacífico. No ano de 1943, o general MacArthur liderou novas ofensivas contra as forças japonesas. Na região do Pacífico Central as tropas do general Chester Nimitz formaram outra frente de confronto que, em outubro de 1944, se encontrou com as tropas do general MacArthur. Até o início de 1945, as tropas norte-americanas conseguiram quebrar todas as áreas de influência japonesa na Ásia.



No oceano Atlântico, as tropas aliadas conseguiram empreender seus primeiros avanços mediante a vitória contra os sofisticados submarinos alemães. Na região norte da África, um poderoso destacamento alemão chamado Afrika Korps conseguiu pressionar as tropas britânicas rumo à região nordeste da África. Foi quando, no final de 1942, a ação britânica liderada pelo General Montgomery impôs uma forte derrota aos alemães na batalha de tanques de Al Alamein.

Em 1943, a colisão militar aliada se mobilizou em direção à Península Itálica. Naquele ano, um conjunto de forças militares norte-americanas desembarcou na Itália. Empreendendo uma forte ofensiva na região sul da Itália, os comandantes da cúpula fascista preferiram tirar Mussolini do poder e entregá-lo ao general Badoglio, responsável pela rendição italiana.

Tentando preservar sua liderança, Mussolini fugiu para o norte da Itália, onde proclamou a chamada República de Saló. No mês de junho de 1944, as forças aliadas dominaram a cidade de Roma. No ano subseqüente, as forças antifascistas italianas capturaram Benito Mussolini, que foi condenado ao fuzilamento. Mediante a possibilidade real de vencer o combate, já em 1943, os aliados realizaram a Conferência de Teerã.

Nesse encontro, o presidente russo Joseph Stálin, o presidente norte-americano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill traçaram um plano para dar fim ao poderio alemão. De acordo com os pontos estabelecidos, os Aliados planejaram o processo de ocupação da Europa Ocidental. No dia 6 de junho de 1944, conhecido como Dia “D”, o comandante Dwight D. Eisenhower capitaneou o desembarque de 36 divisões, 6.400 navios e milhares de aviões na região francesa da Normandia.

Empreendendo uma ofensiva quase inabalável, as tropas deixaram os exércitos alemães completamente combalidos. Enquanto essas tropas realizavam o domínio da Europa Ocidental, as tropas russas recuperavam os territórios do Leste europeu. No ano de 1945, as duas frentes de batalha se convergiram em direção ao território alemão. A cidade de Berlim foi tomada pelos soviéticos no dia 1º de maio. Na semana seguinte, as tropas nazistas se renderam.




O mundo depois da Segunda Guerra Mundial

Clement Attlee, Harry Truman e Joseph Stalin durante a Conferência de Potsdam, em julho de 1945.


O fim da Segunda Guerra trouxe um grande prejuízo ao continente Europeu. Sendo o maior palco dos conflitos, o Velho Mundo fez parte de números inimagináveis. O conflito contabilizou um gasto total de 413, 25 bilhões de libras, fabricou mais de 296 mil aviões e 53 milhões de toneladas de equipamentos navais. Por todo o mundo, cerca de 45 milhões de vidas foram ceifadas, sendo a grande maioria de inocentes.

Por outro lado, existiram aquelas nações que viram no sangrento conflito uma grande oportunidade de ganho econômico. Os canadenses fabricaram mais de 16 mil aviões e 3 milhões de navios. Em curto espaço de tempo, ampliou sua indústria de metais pesados, principalmente nas áreas de alumínio, níquel, cromo e aço. Os Estados Unidos, considerado o maior beneficiário, dobrou o seu parque industrial nos anos de guerra.

Depois de estabilizada a situação, os países aliados começaram a promover os diálogos sobre a situação política e econômica mundial. Inglaterra e Estados Unidos assinaram a Carta do Atlântico, documento onde abriam mão de qualquer ganho territorial e defendiam a soberania das nações envolvidas. Entre os anos de 1943 e 1945, diversas reuniões internacionais foram realizadas com o propósito de selar diferentes acordos diplomáticos.

Na Conferência de Teerã, de novembro de 1943, União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra definiram a incorporação das nações bálticas e elaboraram uma possível divisão do Estado alemão. Em fevereiro de 1945, a Conferência de Ialta reafirmou o princípio de autodeterminação dos povos e a instalação de regimes democráticos. Alemanha e Áustria perderam sua autonomia política, sendo divididas em diferentes zonas de ocupação.

A última e mais importante reunião de líderes mundiais aconteceu na Conferência de Potsdam, ocorrida entre julho e agosto de 1945. Os líderes soviéticos defendiam total autonomia no processo de reorganização política dos territórios ocupados na Europa Central. Em resposta, os líderes ocidentais eram contrários à intervenção soviética na região mediterrânea e na África. Os territórios alemães foram fragmentados em zonas de ocupação francesa, britânica, estadunidense e soviética.

Com relação às punições deferidas contra os alemães, ficou acordada uma multa indenizatória de 20 bilhões de dólares, sendo metade destinada à União Soviética. A indústria bélica alemã foi anulada, a indústria pesada sofreu limitações e instalou-se um tribunal internacional destinado ao julgamento das principais lideranças do regime nazista. Entre 1945 e 1946, o chamado Tribunal de Nuremberg sentenciou vinte e um líderes nazistas.

Depois de tais acordos, o continente europeu passou por um processo de divisão por zonas de influência política. Os soviéticos dominaram a região oriental da Europa dando força política aos partidos políticos comunistas na Albânia, Bulgária, Romênia, Hungria Tchecoslováquia e Polônia. Na região da Iugoslávia as frentes anti-nazistas, independentes do poderio soviético, instalaram um governo comunista liderado pelo general Josip Broz Tito.

A parcela ocidental da Europa foi influenciada pelos Estados Unidos. Com exceção de Portugal e Espanha, a região foi dominada por diversos governos democrático-liberais. Ao Japão foi imposto o Tratado de São Francisco, que declarou aos japoneses a perda de todos os territórios conquistados durante a guerra. Com o avanço comunista no Extremo Oriente, os EUA resolveram financiar a reestruturação da economia nipônica. Dessa maneira, foram dados os primeiros passos da chamada Guerra Fria.




Erwin Rommel

O general Rommel sofreu o impacto direto dos equívocos da ação militar de Adolf
Hitler.



Erwin Rommel foi um dos principias responsáveis pela condução das forças alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Sua projeção na carreira militar lhe concedeu também o cuidado com a guarda pessoal de Hitler, que admirava-o profundamente por sua trajetória de vida semelhante ao do próprio Füher. No entanto, Rommel foi bem mais do que um servo fiel à maquina nazista que – na primeira metade do século XX – tomou conta da Alemanha.


Contrariando o senso comum das carreiras militares daquela época, Rommel não tinha uma origem ligada aos setores tradicionais da aristocracia alemã. Sua entrada no exército se deu graças ao programa reformador de Guilherme II, que abriu portas para que emergentes integrassem as forças germânicas. Combinando astuta inteligência militar e um forte senso de obediência, Rommel teve grande destaque nos conflitos da Primeira Guerra Mundial.

Talvez por ter vivido de perto a derrota militar alemã e integrar os reduzidos 4 mil postos militares impostos pelo Tratado de Versalhes, esse militar simpatizou-se com o ideário nazista. Entretanto, ao contrário do que possamos imaginar, a relação entre Rommel e Hitler se estreitou graças ao líder do partido nazista. No período do Entre - guerras (1918 – 1939), Rommel lançou um livro de grande repercussão chamado “Ataques de infantaria”, que chegou às mãos de Adolf Hitler.

Durante o governo de Hitler, Rommel inicialmente foi incumbido da missão de preparar militarmente as fileiras da “Juventude Hitlerista”. Com o início da guerra, Hitler o convocou para comandar o destacamento que escoltava o trem que conduzia Hitler para ver de perto as conquistas empreendidas na Polônia e na Tchecoslováquia. Nesse período, Hitler questionou Rommel sobre qual tarefa gostaria de assumir na guerra. Tendo seu pedido atendido, Rommel assumiu a 7ª Divisão Panzer de Blindados.

Ligado a esse destacamento das forças militares alemãs, Rommel teve a oportunidade de participar da campanha de invasão à França. A velocidade de penetração da divisão comandada por Rommel rendeu-lhe o nome de “Divisão Fantasma”, pois, às vezes, nem os oficias alemães conseguiam controlar a posição do exército comandado pelo astuto militar alemão. Depois de galgar importantes vitórias na invasão francesa, Rommel foi incumbido de apoiar as forças italianas, liderando os Afrika Korps.

Nesse período, a ousadia de Rommel não conseguiu resistir aos equívocos do avanço militar exigido por Hitler. Mesmo sendo uma figura próxima ao Füher, Rommel não conseguiu convencer o chefe alemão da urgência no envio de mais reforços para a África e, mais tarde, do recuo do Eixo frente à vantagem militar dos Aliados. Em 1943, adoentado pelo desgaste nos conflitos, Rommel saiu dos campos de batalha da Segunda Guerra.

No ano seguinte, foi incumbido por Hitler de comandar uma missão que deveria impedir a investida dos Aliados na França. Nessa época Rommel já não via com bons olhos o fato de Hitler comandar os exércitos na clausura de seu bünker. Com as derrotas freqüentes na Normandia, o comandante alemão resolveu aderir à tentativa de golpe contra Hitler liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A tramóia dos conspiradores incluía um plano de assassinato de Hitler. Rommel não apoiava esse tipo de ação, pois acreditava que a morte do líder alemão poderia prejudicar a imagem pública dos novos líderes nazistas. O atentado contra Hitler acabou não funcionando, o que gerou uma grande devassa que perseguiu um a um dos envolvidas no golpe. Em pouco tempo o nome de Rommel surgiria, já que o seu nome era o mais indicado para reorientar o Terceiro Reich.

A denúncia de Rommel causou um verdadeiro dilema para os comandantes nazistas. Como seria possível preservar a aparência coesa das forças alemãs caso soubessem que um dos líderes da alta cúpula tramou contra o füher? Para contornar o incômodo dessa situação, Hitler enviou os generais Ernst Maisel e Wihelm Burgdorf para proporem uma “saída diplomática” para sua traição.

Na primeira hipótese, Rommel seria acompanhado pelas tropas que cercavam sua casa para que o mesmo cometesse suicídio e fosse dado como morto devido seus ferimentos de guerra. Caso resistisse ao convite dos generais alemães, seria julgado de maneira sumária sendo que sua família também poderia sofrer as mais terríveis retaliações. Sem opções, Rommel se justificou aos seus familiares dizendo ser essa solução menos traumática.

O general Rommel saiu de sua casa vestindo seu uniforme de general. Pouco tempo depois, sua família recebeu uma ligação de um hospital avisando da morte do oficial. Para encerrar o plano traçado, o decadente chefe do Estado germânico mandou um cartão de condolências pela morte do marechal-de-campo que seria “para sempre ligado às heróicas batalhas no norte da África”.



O bunker de Hitler

Reprodução do bunker de Hitler do Museu Madame Tussaud, em Berlim.



O projeto militar empreendido pelo Estado Nazista é notadamente compreendido por meio das medidas que antecederam os conflitos da Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler, chefe máximo do novo governo alemão, planejou calculadamente os riscos e as implicações que um conflito mundial poderia trazer à Alemanha e a si próprio. Talvez por isso, já em 1933, o füher teve o cuidado de construir um abrigo contra ataques aéreos na parte subterrânea da sede do governo alemão.

Essa construção, que ficou afamada como o “bunker de Hitler”, na verdade não chegou a ser completamente finalizada. Quando a invasão soviética começou a ganhar as ruas da capital Berlim, o secreto centro decisório da Alemanha Nazista ainda ganhava guaritas e torres de vigia responsáveis pela proteção do local. Quando descoberto, o bunker possuía dezesseis cômodos em que se espalhavam salas de jogos, dormitórios, cozinha, refeitório, quartos de empregado e salas de reunião.

Nos últimos meses que antecederam o fim da Segunda Guerra, Hitler transformou aquele abrigo em um quartel general de onde conduzia as ações militares de suas tropas. Ao contrário do que parecia, o abrigo subterrâneo era muito bem ventilado e contava com uma infra-estrutura mantenedora de um razoável conforto para Hilter e seus comandados.

O acirramento dos conflitos militares da época acabou atraindo os principais dirigentes do regime hitlerista, junto de seus familiares, para os porões do bunker. Além de se transformar em centro de decisão político-militar, o último foco de resistência da cúpula nazista também contava com um hospital militar e uma ala para realizar a proteção de desabrigados e mulheres gestantes.

A resistência alemã simbolizada pelas atividades no bunker só se articularam regularmente até o dia 30 de abril de 1945. Naquela fatídica ocasião, Hitler realizou uma despedida de seus comandados mais próximos e realizou um almoço com os mesmos. Depois disso, recolheu-se em seus aposentos com sua esposa Eva Braun. De repente, o barulho de um tiro irrompeu no quarto do líder nazista.

Os militares nazistas chegaram ao local encontrando o seu líder com a cabeça estraçalhada por um projétil de pistola. Eva Braun, sem nenhum sinal de ferimento, tinha sucumbido depois de ingerir uma pequena cápsula de cianureto. De imediato, os corpos de Hitler e Eva foram retirados do local e incinerados com uma farta quantidade de combustível.

Depois disso, outros grandes líderes militares nazistas também decidiram dar fim às suas próprias vidas. Os que não optaram por tal medida, tentaram fugir pelos túneis que interligavam o bunker ao metrô de Berlim. Em pouco tempo, os boatos sobre a morte do führer impeliram diversos soldados e comandantes acederem ao avanço soviético. Dessa maneira, no dia 2 de maio de 1945, as tropas russas tomaram a última morada de Hitler.




O resgate de Mussolini

Momento exato em que Mussolini é resgatado pelas tropas alemãs.


Em julho de 1943 um importante fato ganhou as manchetes que atentamente acompanhavam o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Naquele mês, Benito Mussolini, líder máximo do Estado Fascista Italiano, havia sido deposto pelo monarca Vittorio Emanuele III e aprisionado na região de Gran Sasso. A notícia soou como uma grande vitória para os países aliados e, conseqüentemente, colocou os planos de Adolf Hitler e dos Países do Eixo à mercê de um fracasso iminente.

A situação que já parecia nenhum pouco favorável somente piorou quando o novo primeiro-ministro italiano, Pietro Badoglio, resolveu assinar um armistício que preparava a rendição italiana. Mediante tal contexto desfavorável, Hitler organizou um grupo de operações que teria a difícil missão de localizar e libertar Benito Mussolini. Tal ação visava recolocar as tropas italianas no combate através da volta do carismático líder fascista.

Kurt Student e Otto Skorzeny, dois agentes secretos alemães, foram enviados para a Itália para que a localização de Mussolini fosse obtida. Nesse meio tempo, descobriram que os oponentes políticos do duce tentavam anular uma volta do líder fascista mantendo-o preso em diferentes lugares por uma curta temporada. Mesmo sendo plausível, essa tática não impediu que os dois agentes descobrissem as diferentes prisões por onde Mussolini havia passado.

Depois de retirado da cidade de Roma, o precioso cárcere havia sido transferido para a ilha de Ponza, para a base naval de La Spezia em uma pequena vila da Sardenha. Nesse último paradeiro, Student e Skorzeny souberam que Benito Mussolini seria mais uma vez transferido, agora para o hotel Campo Imperatore, localizado na região de Grans Sasso. Foi daí então que os dois agentes decidiram articular o pretensioso resgate com o uso de aviões planadores e um grupo de pára-quedistas.

Esse tipo de meio de transporte aéreo era bastante utilizado pelos alemães, que dominaram seu uso desde a época em que o Tratado de Versalhes proibia o país de ter uma Força Área de grande porte. Apesar de serem ágeis e precisos, esses aviões não tinham grande agilidade e, por isso, acabavam vulneráveis a qualquer tipo de bateria antiaérea. Tal fato aumentou os riscos da operação, que possuía uma previsão de baixas de até setenta por cento.

No dia 12 de setembro de 1943, doze planadores DFS 230 partiram dos arredores de Roma com destino a Grans Sasso. Ao mesmo tempo, um destacamento de 300 soldados foi utilizado para controlar o teleférico que dava acesso ao hotel e isolar o acesso à área. Quando invadiram o local, os alemães teriam que enfrentar os solados coordenados pelo general-inspetor Giuseppe Gueli. No entanto, o líder militar não ofereceu resistência e descumpriu a ordem de execução imediata, caso Mussolini fosse resgatado.

Depois de ser liberto pelos alemães, Mussolini encontrou Adolf Hitler em Munique para agradecer a ação bem sucedida. Dias depois, Mussolini foi para o norte da Itália e se instalou na região da vila Gargano sob a proteção dos militares da SS. No dia 23 de setembro daquele mesmo ano, o duce anunciou um estado paralelo na Península Itálica com a proclamação da República Social Italiana.

A tentativa de retomada do poder não se consolidou durante muito tempo. Em 1945, ano final da guerra, as tropas aliadas conseguiram controlar todo o território italiano. Um grupo de comunistas italianos prendeu Mussolini e sua amante, Carla Petacci. No dia 28 de abril de 1945, ambos foram executados e tiveram seus corpos publicamente expostos em uma praça da cidade de Milão.




Enola, o avião polêmico



Passadas seis décadas, o avião da bomba atômica ainda gera um acalorado debate.


Na manhã de 6 agosto de 1945, o rápido sobrevoo de um avião sobre a cidade japonesa de Hiroshima foi seguido por um silencioso clarão que encerrava a Segunda Guerra Mundial. Naquele momento, as forças militares americanas realizaram aquele que seria o mais devastador ataque nuclear de toda a História. Como se o primeiro ato não fosse suficiente, a mesma terrível manobra também atingiu a cidade de Nagasaki.

Através do lançamento de bombas de urânio, as forças militares estadunidenses promoveram o assassinato em massa de mais de 200.000 mil vidas inocentes. Mesmo tendo abatido boa parte das tropas do Eixo, o governo dos EUA alegava que essa manobra evitou a morte de um milhão de soldados que participariam da invasão das ilhas do arquipélago japonês. Apesar da justificativa, a realização de tal feito ainda desperta muita polêmica entre grupos políticos e historiadores.

A mais recente delas gira em torno de “Enola Gay”, o avião bombardeiro B-29 que participou diretamente nos dois ataques nucleares. Após executar a macabra tarefa de 1945, Enola serviu em diversas bases militares norte-americanas. Na década de 1980, foi aposentado e adquirido pelo Museu Aeroespacial de Washington, que promoveu um longo e minucioso processo de reconstrução da aeronave. Com fim do dispendioso trabalho, que durou uma década, ele ficou pronto para ser exposto ao público.

A primeira exposição da aeronave aconteceu em 1995, quando as explosões de Hiroshima e Nagasaki completavam exatos cinquenta anos. Nesse instante, a notícia da aparição fomentou uma acalorada discussão sobre qual o significado que Enola Gay teria ao assumir o posto de patrimônio histórico da Segunda Guerra Mundial. Para os grupos pacifistas, o avião que levava o nome da mãe do piloto Paul Tibbets deveria servir como um alerta sobre os terríveis erros cometidos no passado.

Não por acaso, estes mesmos pacifistas pediram que a exposição de Enola Gay fosse acompanhada por uma série de fotos que mostrassem os efeitos devastadores da bomba atômica.
Os curadores da mostra, contudo, descartaram essa vinculação crítica à exposição da aeronave e preferiram evitar qualquer posicionamento mais claro sobre o assunto.
Sem dúvida, esse silêncio ignora o lamentável fato de que a destruição da vida humana não pode ser permitida sob nenhuma hipótese.




O diário de Anne Frank



Os escritos de Anne Frank se transformaram em uma referência sobre o Holocausto.


Atualmente, vários historiadores se debruçam na revisão dos documentos que informam a dimensão dos estragos, mortes e torturas realizados pelo holocausto nazista. Para alguns, os números divulgados não seriam condizentes à própria condição material que os campos de concentração do nazismo teriam para executar os judeus e os demais perseguidos do regime nazista.

Paralela a essa discussão, vemos que os números do terror nazista pouco importam quando nos deparamos com o depoimento de uma jovem judia chamada Anneliese Marie Frank. Em dezembro de 1933, ela e sua família se viram obrigados a abandonar a Alemanha mediante a ascensão de Adolf Hitler e suas políticas de natureza antissemita. Buscando a ajuda de amigos, a família de Anne Frank se mudou para a cidade holandesa de Amsterdã.

Com o estouro da Segunda Guerra Mundial, a perseguição aos judeus se tornou ainda mais severa e obrigou Anne e seus familiares a viverem enclausurados em um anexo secreto da casa dos amigos holandeses que lhes acolheram. Vivendo atrás de uma prateleira, Anne se debruçou na escrita de um diário que contava as privações, as notícias e encontros que marcaram o confinamento ocorrido entre 1942 e 1944.

Nesse meio tempo, Otto Frank, pai de Anne, buscava formas de sair da Holanda e conseguir um visto para algum país do continente americano. Inicialmente, contatou Nathan Strauss Jr., amigo de faculdade que tentava viabilizar um passaporte para os Estados Unidos. Infelizmente, por conta das exigências burocráticas e o problema da espionagem nazista, o governo americano refutou o acolhimento da família Frank.

Houve ainda uma última tentativa de buscar asilo em Cuba, mas que também não se concretizou com sucesso. No dia 1º de agosto de 1944, Anne Frank produziu o último texto de seu diário. Três dias depois, a sua família foi presa pela Gestapo (polícia secreta nazista) e enviada para os campos de concentração. Em março de 1945, a jovem acabou morrendo em decorrência da contração de febre tifoide.

Com o fim da guerra, Otto Frank retornou para Holanda na esperança de encontrar os seus familiares. Contundo, percebeu que todos foram mortos pela ação dos nazistas. Por fim, entrou em contato com os escritos de sua filha e teve a grata surpresa de perceber a riqueza encontrada na perspectiva que Anne construira naqueles textos cercados pelas dificuldades da época. Em junho de 1947, o Diário de Anne Frank se transformou em livro e, até hoje, teve mais de 300 milhões de exemplares vendidos.





Werwolf



Símbolo da guerrilha nazista que resistiu à eminente vitória das nações aliadas no fim da Segunda Guerra.


Ao observamos o desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial, vemos que os alemães estiveram bem próximos de vencer a guerra por meio de suas poderosas ofensivas. De fato, após tomar o território francês e quase abater a resistência britânica, os nazistas se mostraram fortemente preparados para o confronto. Tal situação só mudou quando Estados Unidos e União Soviética entraram no conflito em busca do esfacelamento das tropas nazi-fascistas.

No ano de 1943, durante a Conferência de Teerã, os chefes de Estado da Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética se reuniram para determinar uma estratégia de ação. No dia 6 de junho de 1944, o famoso “Dia D” impôs o desembarque de 3,5 milhões de soldados imbuídos da missão de acabar com as forças totalitárias. Para tanto, contaram com a imprescindível ajuda de embarcações e navios de guerra. Com o passar do tempo, Berlim se transformou no grande objetivo a ser alcançado.

De fato, as vitórias obtidas ao longo de 1944 impediram que os alemães tivessem chances significativas de retomar o controle da situação. A Segunda Guerra Mundial se estendeu por mais um ano mediante a insistência das lideranças germânicas e italianas que ainda acreditavam na reviravolta. No entanto, as derrotas se acumularam e o fim do conflito se tornou apenas uma questão de tempo. Conforme já dito, ainda havia aqueles que acreditavam na vitória do Terceiro Reich.

Foi nesse justo contexto de mobilização que o Werwolf, um grupo de resistência nazista, se formou contra as tropas aliadas. Organizados em pequenos grupos de insurgência, se aproveitavam do sistema radiofônico do país para desenvolver algumas de suas ações e fazer oposição contra aqueles que seriam os grandes culpados pela derrocada do regime hitlerista. Entre outras figuras, difamavam publicamente o major britânico John Poston e o prefeito da cidade de Aachen, Franz Oppenhoff.

No campo de batalha, os membros da Werwolf causaram pequenos estragos organizando emboscadas, sabotando linhas de trem e realizando alguns planos de assassinato. Entre os maiores atos de terrorismo atribuídos a essa força de resistência, destacamos a explosão de uma bomba na cidade alemã de Bremen, que acabou fazendo quarenta e quatro vítimas. De acordo com a obra “The last nazis” (Os últimos nazistas), esses grupos foram responsáveis por aproximadamente 700 mortes.

Por algum tempo, a existência clandestina da Werwolf alimentava uma débil esperança de que o nazismo pudesse ser reorganizado no interior da Alemanha. Entretanto, na medida em que soviéticos e capitalistas negociavam suas zonas de influência pelo mundo afora, os planos de reavivamento da Werwolf iam por água abaixo. Nos dias de hoje, a trajetória desse grupo inspira todo um imaginário vinculado à existência de outras organizações secretas inspiradas pela doutrina totalitária.




Führermuseum



Ao fundo, as tropas aliadas encontram mais umas das obras que comporiam o “Führermuseum”.



Antes de se tornar um dos mais famosos e polêmicos chefes de Estado do século XX, Adolf Hitler tinha pretensões muito distantes dos encontros políticos e discursos acalorados. Em 1907, com apenas 18 anos de idade, Hitler saiu do povoado de Branau para tentar sua vida como artista plástico na cidade de Viena. Portando uma série de desenhos, ele fez a sua primeira inscrição no concurso de admissão da Escola de Belas-Artes da Schillerplatz.

Contrariando as suas expectativas, o jovem aspirante a artista teve o seu ingresso recusado ao ser taxado como um desenhista de pouca criatividade e muita inexperiência. Para aqueles que gostam de uma conspiração, essa seria mais umas das frustrações que levaram Adolf Hitler a se ingressar na carreira militar e, anos mais tarde, se transformar no mais expressivo líder do nazismo. Apesar de esse ser o real desencadeamento de sua vida, isso não quis dizer que o führer abandonou seu gosto pela arte.

No ano de 1939, Hitler organizou uma comissão especialmente desenvolvida para a criação daquele que seria o maior museu de todo o mundo. O “Führermuseum” (Museu do Führer) seria construído em Linz, cidade austríaca que se encontrava bem próxima do lugar onde Hitler havia nascido. Mais do que uma simples declaração de amor às artes, o desenvolvimento deste projeto revelava bem alguns dos ideais e ações que tomaram a Alemanha Nazista.

Em um primeiro plano, uma construção de tamanhas dimensões tinha o claro interesse em reforçar o ideal de superioridade que guiava o discurso totalitário nazista. Já que os alemães eram ancestrais de um dos povos que deram suporte à civilização europeia, seria natural que a Alemanha fosse detentora de grandes símbolos e manifestações da cultura do Novo Mundo. Sob tal aspecto, chegamos ao ponto onde questionamos de que forma os nazistas conseguiriam as obras que comporiam o museu.

O levantamento de fundos para a manutenção do projeto era viabilizado pela arrecadação feita com as vendas do livro “Mein Kampf” – obra em que Hitler lança as bases do pensamento nazista – e de selos com a imagem do ditador alemão. Tendo dinheiro disponível, a equipe tinha então a difícil tarefa de realizar as aquisições e a seleção das obras que constituiriam o espaço histórico-cultural.

De acordo com alguns pesquisadores, o projeto do Führermuseum foi alimentado por uma série de saques e compras forçadas. No primeiro caso, a situação de guerra e o próprio antissemitismo abria portas para que diversos oficiais roubassem quadros e outras raridades artísticas dispostas em coleções pessoais. Já no outro caso, a intimidação empreendida pelo próprio regime nazista, coagia muitos particulares a venderem suas preciosidades por valores irrisórios.

Ao final da Segunda Guerra, o avanço das tropas aliadas foi descobrindo os vários depósitos em que as obras escolhidas foram guardadas. Por sorte, uma quantidade significativa destas foi devidamente recuperada. Além de fazer justiça pela recuperação, o encontro e manutenção de cada uma das obras se transformaram em uma espécie de troféu das forças militares que lutaram contra o nazismo. E, dessa forma, a arte irrompeu seus limites estéticos para assumir uma curiosa dimensão política.




As feridas da Segunda Guerra na Alemanha



Uma pilha de corpos alemães feita após um ataque realizado contra a cidade de Dresden, em 1945.




Durante muito tempo, os historiadores e livros didáticos minimizaram a observação dos efeitos que a Segunda Guerra Mundial teve sobre a população alemã. Muito desse silêncio tem relação direta com a tendência geral em se culpar a Alemanha pelas grandes mazelas do conflito e, assim, minimizar os problemas que o próprio país vivenciou. No entanto, novos estudos nos permitem ter uma visão mais apurada do que a Segunda Guerra trouxe aos alemães.

Estimativas recentes dizem que mais de dois milhões de alemães foram assassinados ao longo desse conflito. Além disso, discussões atualizadas procuram revisar esses valores tentando pesquisar mais profundamente o impacto do avanço das tropas russas contra aquele país. Ainda negando esse mesmo processo de minimização dos impactos, alguns especialistas no assunto apontam claramente que a grande quantidade de bombardeios deferidos contra o território alemão foram um completo absurdo.

Uma parcela significativa dos relatos que contam as dimensões do horror sofrido pelos alemães se concentra entre os anos de 1943 e 1945. Milhares de prédios foram completamente destruídos, civis agonizantes eram executados mediante a inevitabilidade de suas mortes e campos improvisados eram organizados para o enterro de milhares de cadáveres. Em termos gerais, podemos destacar Berlim, Dresden e Hamburgo como as cidades que foram atingidas com maior violência pelos aliados.

Fontes históricas dessa época – principalmente produzidas por pessoas não comprometidas com o nazismo – insistem em descrever alguns desses ataques como “terroristas” ou que aconteciam para apenas “dizimar a população”. Paralelamente, vários historiadores revisionistas buscam reconsiderar o número de vítimas que atingiram certas cidades alemãs. Indubitavelmente, o silêncio reservado à Alemanha fustigada pela guerra se transformou em um grande e acalorado debate.

Por um lado, vemos que o horror dessa situação serve para que não limitemos a compreensão da guerra como uma simples dicotomia, onde os aliados eram tidos como grandes heróis e toda a Alemanha representasse a maldade daquele tempo. Por outro lado, também devemos avaliar que as dimensões trágicas do ataque contra a Alemanha atestaram a loucura de Adolf Hitler em prolongar desnecessariamente a manutenção de seu combalido governo na guerra.

Ainda hoje, a recuperação de vários relatos pessoais e diários da época visa dimensionar um lado desse conflito que foi injustamente encoberto ao longo do tempo. Se a história deve ser construída por meio de uma busca pela imparcialidade, não devemos minimizar os estudos que problematizaram o sofrimento alemão na guerra. Como há muito tempo já se sabe, nenhum conflito militar pode ser bem observado considerando a existência única de “mocinhos” e “bandidos”.




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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

REVOLUÇÃO RUSSA ...



























No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estavam concentradas no campo (produção de gêneros agrícolas).

Rússia Czarista

Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II.

O czar governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com os governo do czar. No ano de 1905, Nicolau II mostra a cara violenta e repressiva de seu governo.

No conhecido Domingo Sangrento, manda seu exército fuzilar milhares de manifestantes. Marinheiros do encouraçado Potenkim também foram reprimidos pelo czar. Começava então a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin. Os bolcheviques começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia.

Bolcheviques – majoritários
Menchevique - minoritários

A Rússia na Primeira Guerra Mundial

Faltava alimentos na Rússia czarista, empregos para os trabalhadores, salários dignos e democracia. Mesmo assim, Nicolau II jogou a Rússia numa guerra mundial. Os gastos com a guerra e os prejuízos fizeram aumentar ainda mais a insatisfação popular com o czar.

Greves, manifestações e a queda da monarquia

As greves de trabalhadores urbanos e rurais espalham-se pelo território russo. Ocorriam muitas vezes motins dentro do próprio exército russo. As manifestações populares pediam democracia, mais empregos, melhores salários e o fim da monarquia czarista. Em 1917, o governo de Nicolau II foi retirado do poder e assumiria Kerenski (menchevique) como governo provisório.

A Revolução Russa de outubro de 1917

Com Kerenski no poder pouca coisa havia mudado na Rússia. Os bolcheviques, liderados por Lênin, organizaram uma nova revolução que ocorreu em outubro de 1917. Prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho, Lênin assumiu o governo da Rússia e implantou o socialismo. As terras foram redistribuídas para os trabalhadores do campo, os bancos foram nacionalizados e as fábricas passaram para as mãos dos trabalhadores. Lênin também retirou seu país da Primeira Guerra.

Mundial no ano de 1918. Foi instalado o partido único: o PC (Partido Comunista).

A formação da URSS

Após a revolução, foi implantada a URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Seguiu-se um período de grande crescimento econômico, principalmente após a NEP ( Nova Política Econômica ).

A URSS tornou-se uma grande potência econômica e militar. Mais tarde rivalizaria com os Estados Unidos na chamada Guerra Fria. Porém, após a revolução a situação da população geral e dos trabalhadores pouco mudou no que diz respeito à democracia.

O Partido Comunista reprimia qualquer manifestação considerada contrária aos princípios socialistas. A falta de democracia imperava na URSS.

No final de 1922, foi formada a URSS (15 paises) que dourou aproximadamente uma decada (1917 a 1928).

Fundamentos do Socialismo

Fase transição entre a sociedade capitalista e a comunista Comunismo fase final e ideal, verdadeiro potencial individual e social Propriedade privada seria abolida e o estado controlado pelos trabalhadores, estado é para acabar com os vestígios do capitalismo Falhas o estado se tornou extremamente forte e proletariado não assumiu o poder; controle ideológico; mentiras de poder, culto a personalidades, censura à produção cultural e intelectual; perseguição política e execução aos opositores.

Final de 1928 – sistema socialista – planificação da economia – Gosplan (comissão do Plano Geral do Estado):

Estatizou meios de produção- cooperativas agrícolas (kolkozes) e fazendas estatais (sovkhozes), controlados pelo estado – metas a serem alcançadas e o tipo de produção, distribuição comercialização, investimentos.

Melhorou industria de base – extração e transformação de minérios, produção de maquinas e equipamentos industriais e a exploração de recursos energéticos.

Maior investimento em ciência e armamento – 2ª Guerra Mundial (EUA) (ampliar influencia política-econômica ).

O colapso do Socialismo

Não acompanhou o ritmo de desenvolvimento tecnológico com relação ao de economia capitalista
Paradoxo primeira a lançar satélites espacias (Spuyinik)(cachora Laika, e Yuri Gagari) , satélites espiões e mísseis de alta tecnologia, mas não conseguiu fabricar carros, boa televisão, porque o estado definia tudo qual a produção, comercialização e preço, único fornecedor, tratores já com problemas de fabrica.

A partir de 1985 Milhail Gorbatchev, promoveu alteração na política implantou a perestroika (abertura), cujo objetivo era aprimorar o sistema de produção e a reforma da propriedade particular, para isso implantou também a glasnost (transparência) liberdade de expressão.

Somente em 1991, marcou o fim da URSS, as 15 republicas transformaram em 15 paises independentes, 12 associaram a CEI (comunidade dos Estados Independentes), Letônia, Estonia e Lituânia, não aderiram a CEI.

Iugoslávia dividiu em 05 paises Croacia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Iugoslávia.

Guerra fria

Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA, precisavam ampliar o comercio mundial de suas mercadorias e fortalecer o capitalismo criou-se então em 1944 o FMI – Fundo monetário de Investimentos – estimular o comercio internacional e promover ajuda econômica e fornecer ajuda técnicas aos paises membros Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneira e Comercio) substituídas pelo OMC (organização Mundial do Comercio) , regulamentar o comercio mundial FMI – Fundo Monetario Internacional – cada pais contribui, qdo precisa pega emprestado, evitar desiquilibrio criando crise glogal ONU – Organização das Nações Unidas- 1945, assegurar paz mundial e promover cooperação entra as nações.

Plano Marshall

1947, visava consolidar o capitalismo na Europa Ocidental, e reconquistar o espaço perdido para os soviéticos na Europa Oriental Ajuda econômica de grandes proporções a todos os paises europeus atingidos diretamente pela guerra, inclusive os socialistas (exceto Iugoslávia, ninguém aceitou).

Idéia de consumo americano american way of flife ( modo americano de viver) Grandes quantidade de produtos televisores, radio , maquinas de lavar, automóveis .

1947 – Presidente Harry Truman –EUA, lança a Doutrina Truman, barrar a expansão socialista que durou 4 decadas

1955 – Pacto de Varsóvia, extinto em 1991

1949 – OTAN – 19 paises, atualmente 20 paises Rússia – somente participante.

Aproveitando de guerra regionais as 2 superpotencias procuram demarcar e amplia suas áreas de influencias.

Guerra da Coréia – 1950 Guerra do Vietina, Revolução Cubana-1950 , descolonização na África e Ásia.

Termo primeiro mundo- paises desenvolvidos

Segundo mundo – paises socialistas

Terceiro mundo – paises os subdesenvolvidos e os neutros ásia e africa

Nas décadas de 70 os E U A e todo o mundo entram em crise, devido a redução do dólar, e a crise do petróleo, os EU, lançam novos produtos para sair da crise mais de 300 e URSS passa a apoiar aqueles que prometiam um caminho mais rápido para a transição , em 1990 Boris Yeltsin declara autonomia frente a URSS, volta a Rússia e assim seguido pelas demais republicas soviéticas.






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As idéias: o socialismo

O conflito entre as duas grandes super-potências atuais, normalmente é descrito pela imprensa como um conflito entre Ocidente-Oriente, entre duas "Civilizações" antagônicas que se excluem mutuamente. No entanto, esta apresentação do confronto não resiste aos fatos. O que realmente está em conflito e/ ou coexistência são dois Sistemas Econômicos, políticos e Ideológicos distintos que não dependem de serem ou não Ocidentais ou de serem ou não Orientais. Por exemplo: se houvesse uma vitória do Partido Comunista francês ou italiano - a França e a itália deixariam de ser "ocidentais"? A Revolução Cubana, feita a duzentos quilômetros do território americano pode ser definida como "oriental"? E o Japão, um dos países asiáticos que mais conserva suas tradições, pode ser definido como "ocidental"? A China de Mao-Tse-Tung pode ser definida como "oriental" e a ilha de Formosa, a poucos quilômetros do conflitante chinês, como "ocidental"?

A mistificação de um conflito entre Ocidente-Oriente não se sustenta pela própria evidência. Então como poderíamos definir o real conflito? Como um confronto entre o Capitalismo e o Socialismo nas mais variadas formas com que ambos Sistemas se apresentam. E a característica comum entre ambos é exatamente serem internacionais - isto é, defendem valores ecumênicos, que podem ser aplicados em qualquer circunstância independentemente da cultura, raça, religião ou tradição. Naturalmente que estes fatores importam, mas apenas para dar distinções de grau em que o Capitalismo ou o Socialismo tomam forma. O Socialismo por exemplo, tanto pode vingar na Alemanha luterana, como na China budista. Tanto pode vingar entre os eslavos da Europa Oriental, como entre asiáticos da Indochina. O mesmo pode ser aplicado às forma capitalistas de produção que podem conviver com a democracia anglo-americana, como com as atuais ditaduras da América Latina. O Capitalismo pode se desenvolver na Itália católica, como na Turquia Islâmica ou no Haiti do fetichismo vodu. Há pois denominadores comum, basicamente porque traduzem um conflito em escala internacional: conflito de classes e de visão de mundo.

Como nosso tema é a Revolução Russa e suas conseqüências, vamos nos ater ao movimento de idéias que a inspirou para posteriormente desenvolvermos os principais eventos.

Para alguns historiadores o Socialismo surgiu durante a Revolução Francesa, como uma de suas correntes subterrâneas, tais como o movimento de Graccus Babeuf. No entanto, ele tornou-se sólido e substancialmente, muito tempo depois com Karl Marx e de Frederico Engels, quando da publicação do Manifesto Comunista em 1848.

Estes dois pensadores alemães, terminaram por produzir uma extensíssima obra econômica e política que permitiram extraordinário embasamento teórico e prático para o Socialismo. Engels, percebendo a diferença de Marx em relação às demais correntes socialistas e anarquistas, denominou seu pensamento, como "Socialismo Científico", classificando os demais como "Socialismo Utópico", visto que não apresentavam soluções práticas para a transformação da sociedade capitalista em sociedade socialista, limitando-se a elaborar fórmulas de sociedades perfeitas (tais como os projetos de Owen e Fourier). O pensamento de Marx, ao contrário destinava-se a mudar radicalmente o destino das sociedades humanas e sua filosofia era o instrumento desta formação. Segundo ele "as filosofias até agora trataram de compreender o mundo, trata-se de modificá-lo".

Sinteticamente suas idéias podem ser assim esquematizadas:

Toda a História da Humanidade nada mais é do que um conflito permanente entre classes sociais antagônicas. Senhores e Escravos, Patrícios e Plebeus, Nobres e Burgueses e, na época contemporânea: Burgueses e Proletários. Quer dizer, as classes sociais e sua existência são condicionadas pela História e a Sociedade do futuro implica na sua abolição e na implantação da igualdade.

Esta abolição da sociedade de classe faria devido a própria crise do Sistema Capitalista. Por gerar a constante concentração da Propriedade e das Rendas nas mãos de poucos, levaria por oposição, a aumentar a miséria geral dos não-proprietários, que se rebelariam e destruiriam esta sociedade. Como o processo histórico é dialético, tudo aquilo que existe (O Capitalismo) será superado por uma forma social superior (O Socialismo) nascida no próprio ventre da sociedade anterior. O Feudalismo teria sido mais ameno que o Escravagismo; o Capitalismo uma forma superior ao Feudalismo e, por conseqüência, o Socialismo seria superior ao Capitalismo. Estas grandes transformações são feitas pelos homens organizados em classes sociais. A Burguesia depôs a Nobreza, o Proletariado deporá a Burguesia.

O Socialismo é por sua vez uma etapa intermediária, onde conviveriam formas da sociedade anterior (Capitalista) com formas da sociedade futura tingindo posteriormente a etapa final da pré-história da Humanidade - o Comunismo. Esta etapa de transição seria gerida pela "Ditadura do Proletariado"; a nova classe instalada no poder não poderia se desfazer do aparato Estatal, pois teria que enfrentar as ameaças da contra-revolução burguesa. Para Marx, o estado continua existindo (ao contrário dos anarquistas que propunham sua imediata abolição) como uma arma de defesa da Revolução.

A Revolução proletária é pois inevitável, havendo dois caminhos para concretizá-la. Um conquistando posições estratégicas dentro da sociedade capitalista através da dinamização dos sindicatos e dos partidos operários; outra, por um golpe dado por revolucionários audazes que empalmariam o poder em favor dos proletários. Estas duas tendências estiveram sempre latentes dentro dos escritos políticos de Marx e Engels, gerando a atual diferenciação entre social-democracia e comunismo.

Como conseqüência lógica do que foi exposto, Marx acreditava que a Revolução Proletária ocorreria num país onde o Capitalismo fosse suficientemente desenvolvido para gerar as condições necessárias a sua transformação. Para uma sociedade chegar ao Socialismo teria que necessariamente percorrer um longo desenvolvimento capitalista. Isto excluía a possibilidade de se chegar ao Socialismo numa sociedade atrasada onde a maioria da população é composta de camponeses e não de proletários urbanos (os exclusivos agentes de transformação da História). A implantação do Socialismo nas sociedades capitalistas não seria socialmente onerosa porque o desenvolvimento tecnológico permitiria atender a todos "segundo suas necessidades". A Humanidade livrar-se-ia pois da alienação do trabalho e das exigências de atender aos ditames do Lucro e do Capital para suprir-se a sí própria.

Somente durante os últimos anos de sua vida, passou a grangear fama e respeito, cabendo parte do mérito a Engels, responsável pela divulgação de seus escritos (0 2º e 3º volume do Capital foram publicados após a morte de Marx) e pela preservação da pureza do pensamento do amigo.

Durante séculos a Rússia permaneceu isolada das grandes transformações sociais, econômicas e culturais porque passava a Europa Ocidental. A Reforma ou o Renascimento pouco efeito tiveram em sua paisagem política e cultural. O mesmo acontecendo com o Iluminismo e as Revoluções burguesas. Segundo Kireievski "o alargamento material do império absorveu durante séculos toda a energia do povo russo: o crescimento material tornou impossível o crescimento espiritual ". De fato o antigo principado de Moscóvia no século XIV, não ultrapassava em extensão a atual Finlândia. Trezentos anos depois, estendia seu domínio por mais de vinte e dois milhões de quilômetros quadrados, englobando as mais variadas culturas, religiões e grupamentos raciais - Seus grandes impulsionadores foram os czares Ivan III, Ivan IV (o Terrível), Pedro - o Grande e Catarina II. Submetendo a ferro e a fogo os tártaros, os turcos, os cossacos, os tcherquizes, os mongóis, os poloneses, e as tribos nômades da Sibéria; sua extensão, ia do Vístula na Polônia até o Oceano Pacífico, no extremo Oriente.

O governo dos czares - a autocracia absoluta - foi uma decorrência da necessidade de integração deste vasto território heterogêneo em tudo. Quando Bizâncio caiu em poder dos Turcos Otomanos, o Príncipe de Moscóvia atraiu para sua capital os restos da administração e do clero grego ortodoxo, assimilando suas práticas funcionais e hierárquicas. A igreja, tal como em Constantinopla, estava subordinada ao Estado e seu chefe era nomeado diretamente pelo Imperador. A Rússia desconheceu pois, o latente conflito existente na Europa Ocidental, entre o clero e o aparato estatal.

Esta fusão completa entre Estados e Igreja naturalmente contribuiu para o sufocamento do livre-pensar. A intelectualidade russa vivia permanentemente sob vigilância quer de parte do Estado quer de parte do Santo Sínodo. No entanto, a maior aproximação da Rússia com o Ocidente no século XIX (principalmente depois das guerras napoleônicas) tornou inevitável a penetração dos ideais libertários vindos da Europa. Primeiro sob a forma do liberalismo e em seguida do socialismo. Não deixa de ser um paradoxo que a Rússia do século XIX, pobre e brutalizada, terminasse por gerar grandes talento da literatura mundial tais como Gogol, Dostoevski, Tchecov, Turguenieff, Tolstoi e Gorki. E, na política, homens do porte de Alexandre Herzen, Bakunin, o Príncipe Kropotnik e o introdutor do marxismos na Rússia - George Plekhanov.

Os populistas: As reformas executadas pelo czar Alexandre II (entre 1861-5), tais como a abolição da servidão da gleba, criação das câmaras municipais (zemstvos), atenuação da censura na imprensa e nas universidades) foram provocadas pelo fracasso russo durante a Guerra da Criméia (1853-8) onde foram batidos pelos corpos expedicionários franco-britânicos, que impediram a Rússia atingir Constantinopla e ter acesso ao Mediterrâneo. Esta era de reformas, devido sua timidez, terminou por gerar um descontentamento ainda mais amplo. Desgostou a nobreza porque tornaram os camponeses "insolentes" estes, porque tiveram que se individar para obter sua autonomia; a intelligentsia porque haviam sido suficientemente profundas. É das camadas esclarecidas da população, que parte a primeira tentativa de derrubar o regime por um movimento não-palaciano. Inicialmente denominou-se "Terra e Liberdade" e seu objetivo era convencer a massa rural a sublevar-se contra o czar. O fracasso desta tentativa e a repressão que se seguiu, levou os populistas (narodniks) a embrenharem-se na sina do terrorismo político. Acreditavam que, abatendo as figuras exponenciais do regime czarista, provocariam a rebelião por exemplo. Em 1881 o próprio czar Alexandre foi vitimado por uma jovem militante, Sofia Perovskaia. Os populistas inspiravam-se nos anarquistas ocidentais, pensando poder levar a Rússia ao socialismo devido a existência de comunidades rurais organizadas em torno do mir (uma espécie de unidade de produção comunal) que facilitariam sua implantação. O terrorismo apenas reforçou ainda mais o aparto estatal e justificou a intensificação da opressão e da censura. É neste contexto que o marxismo vai surgir como alternativa à prática política e teórica dos narodniks.

Os social-democratas: Em março de 1898, na cidade de Minsk, nove delegados representando as principais cidades do país, reuniram-se para a formação do Iº Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Denominação inspirada no Partido Social-Democrata alemão fundado por Lassale em 1863 e o mais poderoso partido político operário do Ocidente. Entre os delegados encontrava-se Vladmir Ilich Uliánov, cujo codinome era Lenin, o futuro fundador do Estado Soviético. Como resultado concreto do congresso foi difundido o Manifesto do POSDR, redigido por Peter Struve que, dentro da ortodoxia marxista, aceitava as duas etapas da futura Revolução Russa (a primeira de cunho democrático-burguesa e a segunda socialista-proletária sem fazer menção à ditadura do proletariado nem quais os meios para realizar sua missão). Os marxistas diferiam profundamente dos populistas e, tanto na Rússia como no exílio, intensificaram a polêmica sobre o destino do país e quais as táticas corretas a serem empregadas para a derrubada da autocracia . Em síntese, defendiam as seguinte posições:

Era um profundo equívoco querer transformar a Rússia em um país socialista, pois o capitalismo ainda era incipiente não gerando as condições necessárias para a transição.

A prática do terrorismo era absolutamente inócua pois não abalava a estrutura do regime: "de que adianta abater o czar se o czravitch está logo alí para substituir seu pai? ". Era necessário desenvolver um longo e amplo trabalho de "preparação" das massas, através da propaganda e da agitação. Leva-las à consciência da certeza da derrubada do czarismo como um todo e não em ações isoladas.

Favorecer a implantação do capitalismo na Rússia. Quanto mais empresas e indústrias lá se instalassem mais cresceria o proletariado urbano e favoreceria o surgimento da única classe verdadeiramente revolucionária. Ironicamente, esta posição dos marxistas, serviu para que fossem vistos como menos perigosos pela Okrana, a polícia secreta do Czar, que passou dedicar maior atenção àqueles que, no momento, lhes pareciam mais ameaçadores, os terroristas populistas.

Os próprios marxistas, organizados em torno do POSDR, não estiveram por muito tempo unidos. Cinco anos depois - no exterior - organizaram um IIº Congresso (primeiro na Bélgica e depois em Londres) que terminou por levá-los à cisão. Formando-se duas facções: a da maioria (bolcheviques) e a da minoria (melcheviques). Aparentemente as causas da divisão foram motivos de pequena monta, mas terminaram por alargar-se com o tempo transformando-os em dois partidos distintos, e todas as tentativas de reunificação lograram em fracasso. (Como durante o Congresso de Estocolmo, em 1906).

Mesmo dentro do seu partido, Lenin teve que lutar várias vezes para que seus companheiros aceitassem seus pontos de vista. Como a Rússia, pouco desenvolvida e possuindo uma massa de mais de cem milhões de camponeses, poderia lançar-se na construção do Socialismo? Em primeiro lugar propôs que os operários se aliassem à massa rural, sem esta aliança um partido revolucionário teria escassas possibilidades de sobrevivência.

Em segundo lugar, acreditava que a Guerra Mundial (1914-18) terminaria por desencadear uma série de Revoluções proletárias e a Rússia não ficaria isolada. Deste modo, o evidente atraso econômico, cultural e tecnológico do país, receberia auxílio esterno. Apesar de suas divergências com a social-democracia alemã, Lenin tinha esperança que no momento aprazado o proletariado alemão faria a sua Revolução e socorresse seus camaradas. O fracasso desta expectativa conduziu União Soviética à teoria do "socialismo num só país" e a ascensão de Stalin ao poder supremo.

Mencheviques e Bolcheviques: Não nos cabe aqui expor toda a polêmica surgida em torno da questão do quadro editorial do jornal do Partido - O Iskra - a "centelha que deveria provocar a Revolução", e sim fixar as linhas gerais que levaram a formação das duas correntes.

O mencheviques, influenciados pelo pensamento convencional do marxismo europeu, influenciados pelo pensamento convencional do marxismo europeu, pregavam:

a formação de um partido o mais amplo possível, considerando todo colaborador - direto ou indireto como um membro do partido;
não acreditavam na possibilidade da Rússia transitar rumo ao Socialismo sem antes percorrer o desenvolvimento do Capitalismo;
como conseqüência, deveriam aliar-se à burguesia para depor o czarismo.

Os bolcheviques - liderados por Lenin, apresentavam outra proposta:

o partido deveria ser formado por revolucionários profissionais, só sendo membro quem militasse ativamente nas suas fileiras;

isso se devia à permanente infiltração de "agentes provocadores da polícia secreta do czar e pelas condições gerais da repressão na Rússia, que não permitiam a existência de um partido "aberto";

devido ao atraso das massas operárias e camponesas o partido se tornaria a "vanguarda do proletariado" composto por elementos mais conscientizados e endurecidos na luta política, disciplinados e obedientes ao Comitê Central. De certa forma, bolcheviques e mencheviques terminaram por concretizar as "duas vias" para o Socialismo que estavam latentes no pensamento de Marx e Engels. Quando ocorreu a revolução de fevereiro de 1917, derrubando o czarismo, os mencheviques exerciam uma enorme influência no meio dos operários de Petrogrado. No transcorrer do ano foram lentamente se desgastando na sua vã tentativa de amparar a esquálida burguesia russa, terminado por sucumbir junto com ela.

O leninismo: Podemos dizer que o Leninismo, como pensamento autônomo dentro do Marxismo, fundia-se inteiramente com o Bolchevismo. Pecaríamos pela verdade no entanto se não estabelecêssemos algumas distinções entre o Leninismo e o Bolchevismo, não esquecendo que, após a morte de Lenin, em 1924, o Bolchevismo continuou existindo, se fraccionando em várias tendências. As principais contribuições de Lenin para o plano teórico-prático do Socialismo e da Revolução seriam os seguintes: a) a tentativa de redefinir as perspectivas do desenvolvimento capitalista e/ou revolucionário na era do Imperialismo. Ao seu ver o Capitalismo encontrava-se extremamente consolidado nos países desenvolvidos fazendo com que parte da classe operária passasse a usufruir de uma melhoria substancial em seu modo de vida. Explicava-se a tendência reformista que o Socialismo havia assumido nestes países. No entanto, a dinâmica revolucionária deslocava-se para a periferia do Sistema. Nos países atrasados, onde o Capitalismo era pouco desenvolvido ocorreria a possibilidade de eclosão da Revolução "quebra a corrente capitalista em seu elo mais fraco". As teorias de Lenin foram consideradas verdadeiras heresias contra o pensamento de Marx e sua posição foi de quase total isolamento.

A Revolução Russa de Fevereiro (março pelo calendário atual) foi um enorme movimento de massas que espontaneamente rebelaram-se contra o czarismo. Nenhum partido as insulflou. Ao contrário, a grande maioria dos revolucionários militantes foi surpreendida - acrescente-se que a maioria deles estava presa na Sibéria (como Stalin) ou no exílio (Lenin na Suiça e Trotski nos Estados Unidos). Como também foi espontânea a organização de sovietes (conselhos) em todas as fábricas, repartições, bairros e regimentos militares, que passaram a formar um poder paralelo.




As Causas

Christopher Hill aponta as seguintes "causas gerais" da Revolução Russa:

Primeiramente é de que o desenvolvimento econômico do país era extremamente moroso; seu comércio e sua indústria encontravam-se nas mãos de estrangeiros e o grosso da produção era consumido pelo próprio Estado.

Isso levou a que a burguesia e a classe média pouco puderam se desenvolver. A burguesia russa jamais atingiu a autonomia da ocidental, pois sua dependência do Estado era muito grane. O poder concentrado nas mãos do Czar pouco espaço deixava para o florescimento do liberalismo, que atingiu apenas uma pequena fração da população - aqueles que eram muito ricos.

A presença estrangeira no financiamento da industrialização russa, tornou a burguesia um apêndice do sistema internacional fazendo-a procurar proteção junto ao Czar (tarifas protecionistas, etc.).

A extraordinária concentração de operários nos grandes centros urbanos do país (perto de três milhões) e a super-exploração a que estavam submetidos (o capitalista russo só sabia competir reduzindo os gasto e não implementando tecnologia levando-os a forçar para baixo o padrão de vida dos operários). Devido a exigüidade do espaço político, impedidos de participarem, nos partidos e no parlamento, o operariado russo seguiu a estrada da revolução e não do Reformismo.

Estes são pois um conjunto de fatores mais amplos, de estrutura que terminaram por favorecer um tipo específico de Revolução. O colapso geral, deu-se com a entrada da Rússia na Grande Guerra. A incapacidade do czarismo em vencer e as insuportáveis condições internas, terminaram por fazer com que a eclosão do movimento revolucionário fosse incontrolável.



As três etapas da Revolução de 1917

De fevereiro a julho: o governo encontrou-se dividido entre o poder formal (o Governo Provisório liderado pela burguesia, classe-média e setores da nobreza liberal) e os Sovietes (de operários soldados e marinheiros) sem cuja aquiescência pouco podia ser feito.

De julho a setembro: a insistência do Governo Provisório em manter o país na guerra contra a Alemanha, levou a exacerbação dos setores populares e, tanto os bolcheviques (em julho) como os contra-revolucionários (em setembro), tentam derrubar o governo de Kerenski (um social-revolucionário) que representava a coalisão entre os liberais, os melcheviques e os social-revolucionários. A tentativa direitista do Gen. Kornilov, fracassa. Os bolcheviques que haviam sido perseguidos e presos (inclusive obrigando Lenin a refugiar-se temporariamente na Finlândia), voltam a gozar de popularidade.

De setembro a outubro: a ofensiva militar contra os alemães, organizada por Kerenski (pressionado pelos aliados franco-britânicos) é derrotada. Milhares de soldados abandonam o fronte, desertando em massa, terminando por engrossar as fileiras dos bolcheviques que prometiam paz imediata e distribuição das terras para os camponeses. O Governo Provisório não tinha mais condições de subsistir. No dia 25 de outubro, os bolcheviques apoiados pelos principais regimentos de Petrogrado, pelos marinheiros da esquadra do Báltico e da Fortaleza de Kronstadt, e pelos Guardas Vermelhos (operários armados) tomam de assalto o Palácio de Inverno - sede do Governo Provisório.

O mesmo acontece na maior parte do país, havendo apenas resistência maior em Moscou. O golpe de Estado desfechado pelos bolcheviques foi incruento - poucas foram as vítima em outubro e novembro. O país ainda teria que enfrentar uma ameaça ainda maior que a própria guerra - a guerra civil (1918-21) que atingiria todas as aldeias e rincões do país, levando-o à completa exaustão e a mais de um milhão de mortos.



1918: O ano I da Revolução

A justificativa para a tomada do poder pelos bolcheviques foi dada por Lenin no dia seguinte de sua chegada ao exílio - sete meses antes de tornar-se concreta. A exposição de motivos denominou-se "Teses de Abril" cuja síntese é a seguinte: a) denunciou a guerra como sendo imperialista, rapinesca que o proletariado consciente devia se descompromissar de apoia-la. O proletariado só pode dar seu apoio a uma guerra Revolucionária que deponha a burguesia. A guerra imperialista é conseqüência do capitalismo. Sem a derrubada deste não é possível obter a paz; b) determinou que a peculiaridade do momento atual da Rússia consistia em que o primeiro passo ou etapa da Revolução deu o poder a burguesia, sua segunda etapa deverá ocorrer quando o poder estiver nas mãos do proletariado e das camadas pobres do campesinato; c) portanto os bolcheviques negam-se dar apoio ao Governo Provisório (ocupado pela burguesia). Lenin tem consciência de que os bolcheviques são minoria mas confia que a marcha dos acontecimentos e o crescimento da insatisfação os tornará maioria, criando-se assim a "legitimidade" para tomar o poder.

O novo regime seria não uma República Parlamentar mas uma República Soviética; d) estabelece um programa agrário de nacionalização de todas as terras e sua pronta entrega aos camponeses, a fusão de todos os bancos sob controle dos deputados proletários, o imediato controle da produção social e da distribuição dos produtos pelos sovietes e proclama a necessidade da formação de uma nova Internacional Socialista (pois os sociais-democratas europeus apoiaram a entrada de seus países na guerra imperialista, traíndo a causa do internacionalismo socialista).

O ano I da Revolução seria aquele em que as promessas de Lenin deveriam ser cumpridas. A paz com a Alemanha foi acertada em Brest Litovsk. Os bolcheviques tiveram que ceder milhares de quilômetros quadrados ao império dos Hoenzollers. As fábricas, minas, bancos, estradas de ferro e o comércio foram entregues às administrações dos operários e funcionários, e foi atendida a "fome de terra" dos camponeses com a abolição da propriedade fundiária.

Se a paz com a Alemanha retirou o país da guerra, a "necessária folga" do novo regime pouco durou. A guerra civil desenhava-se no horizonte e seria uma das mais cruentas da história do nosso século.



A guerra civil e o comunismo de guerra

A guerra civil eclodiu em abril de 1918. Em várias regiões da Rússia, ex-generais Czaristas levantaram suas tropas contra o governo bolchevique. Aproveitando-se do verdadeiro caos em que o país se encontrava, as nações aliadas resolveram intervir a favor dos brancos. Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas desembarcaram tanto nas regiões ocidentais (Criméia e Georgial) como nas orientais (ocupação de Vladivostok e da Sibéria Oriental). Seus objetivos eram: derrubar o governo bolchevique (que era pela paz com a Alemanha) e instaurar um regime neoczarista (a favor da continuação da Rússia na guerra); mas talvez seu objetivo maior fosse evitar a "contaminação" da Europa Ocidental pelos ideais bolcheviques - daí a expressão utilizada por Clemenceau, Presidente da França - de "cordon sanitaire".

Para poder enfrentar a maré contra-revolucionária, o novo governo instituiu o Exército Vermelho, comandado por Leon Trotski que revelou-se um brilhante estrategista, disciplinador rígido e líder das tropas. Na passagem dos anos vinte para vinte e um, todas as formações contra-revolucionárias haviam sido derrotadas e seus principais expoentes (Koltchak, Wagran, Denikin e Yudenich) exilaram-se no exterior. As forças expedicionárias aliadas foram obrigadas a retira-se, tanto pela derrota dos Brancos, pressão da opinião pública internacional.

No terreno econômico, devido a situação de emergência e pelo próprio ímpeto revolucionário, instituiu-se o "comunismo de guerra". O dinheiro e as leis do mercado foram abolidas., sendo substituídos por uma economia dirigida baseada no confisco de cereais produzidos pelos camponeses. Naturalmente estas medidas criaram um desestímulo a plantio, levando-os a produzirem exclusivamente para o sustento de suas famílias. O resultado foi catastrófico. Os centro urbanos ficaram sem alimentos, provocando um êxodo urbano - (Petrogrado e Moscou viram sua população reduzir-se pela metade). A fome de 1921 transformou-se numa das maiores tragédias da Rússia moderna - milhões pereceram.

Politicamente, os bolcheviques iniciaram a luta final contra outras facções da Esquerda (melcheviques, anarquistas e social-revolucionários), terminando por se transformarem no único partido legalizado do país. Durante o X Congresso do partido, em 1921, adotaram uma resolução ainda mais drástica - a proibição da existência de facções dentro do partido. Quer dizer, os bolcheviques estendiam a ditadura sobre si próprios. Enquanto a liderança esteve nas mãos de Lenin, não foram tomadas medidas repressivas contra os membros recalcitantes ou divergentes. Mar serviu de poderoso instrumento coercitivo quando Stalin empalmou a direção partidária.




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