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quarta-feira, 26 de maio de 2010

PETER PLOGOJOWITZ - VAMPIRO DA SÉRVIA !!




Um dos mais famosos vampiros históricos,
Peter Plogojowitz morou em Kisolova,
uma pequena vila na Sérvia ocupada pelos austríacos.
Área oficialmente incorporada à província da Hungria.
Kisolova não ficava muito longe de Medgevia, a terra de Arnold Paul,
outro famoso vampiro cujo caso ocorreu naquela mesma época.
Plogojowitz morreu em setembro de 1728, aos 62 anos.
Três dias mais tarde, no meio da noite, entrou na sua casa,
pediu comida a seu filho, comeu e saiu.
Duas noites mais tarde reapareceu e novamente pediu comida.
O filho recusou-se a atendê-lo e foi encontrado morto no dia seguinte.
Logo depois, diversos moradores da vila ficaram doentes,
com fadiga, diagnosticada como excessiva perda de sangue.
Relataram que, num sonho, tinham sido visitadas por Plogojowitz,
que os tinha mordido no pescoço, sugando-lhes o sangue.
Nove pessoas morreram misteriosamente
dessa estranha doença na semana seguinte.
O principal magistrado enviou um relatório das mortes
ao comandante das forças imperiais,
e o comandante respondeu com uma visita à vila.
Os túmulos de todos os recém falecidos foram aberto.

O corpo de Plogojowitz continua um enigma – parecia estar num transe e respirava suavemente. Seus olhos estavam abertos, suas carnes estavam roliças e sua compleição corada. Seu cabelo e suas unhas pareciam ter crescido e pele fresca foi encontrada bem abaixo da epiderme. Mais importante, sua boca estava manchada com sangue fresco. O comandante concluiu de pronto que Plogojowitz era um vampiro. O executor que foi a Kisolova com o comandante enfiou uma estaca no corpo de Plogojowitz. O sangue espirrou das feridas e dos orifícios corporais. O corpo foi em seguida queimado. Nenhum dos outros corpos apresentava sinal de vampirismo. Para protegê-los e aos moradores, alho foi colocado nas sepulturas e os corpos devolvidos às valas. A história foi relatada pelo Marquês D’Argens em seu Lettres Juives, que foi prontamente traduzido para o inglês em 1729. Embora não tão conhecidos quanto os incidentes que começaram com Paul Arnold, o caso Plogojowitz se tornou uma pedra fundamental para a controvérsia do vampiro na década de 1730.



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PETER KÜRTEN - O VAMPIRO DE DÜSSELDORF !!




Muitas vezes citado como um vampiro real, Peter Kürten – o chamado Vampiro de Düsseldorf – foi um matador em série que operou na Alemanha entre 1929 e 1930. Nasceu em Mulheim, Alemanha, um de dez irmãos, filho de pai alcoólatra e brutal. Tinha vivido parte de sua juventude como apanhador de cachorros e lembrava-se de ter-se deliciado com a morte de cães não-reclamados. Kürten tinha apenas 9 anos quando matou uma pessoa pela primeira vez. Empurrou um colega para dentro da água e depois repetiu o ato com um segundo menino que tentava salvar o primeiro.

Sua segunda tentativa de homicídio ocorreu oito anos mais tarde, quando tentou estuprar e matar uma jovem. Ficou na cadeia durante quatro anos por causa dessa mal-sucedida tentativa. Morou nas ruas após ter saído da prisão, mas um ano depois estava novamente na cadeia por roubos e furtos. Alegaria, posteriormente, ter matado dois de seus companheiros de cela por envenenamento. Em 1913 estava de volta às ruas em Düsseldorf e matou novamente. Assassinou uma menina de 10 anos. Cortou sua garganta com uma faca e disse ter experimentado um orgasmo vendo seu sangue jorrar.

Não foi senão em 1929 que Kürten começou uma série de crimes que lhe dariam um lugar na história da criminalidade. Em fevereiro daquele ano tentou assassinar uma mulher e conseguiu matar duas crianças, um menino e uma menina, ambos à faca. Suas tentativas de homicídio, muitas vezes mal-sucedidas, não ajudaram a polícia. Acusaram um doente mental de ser o responsável pela morte do menino, que, na realidade, Kürten tinha matado.

Naquele verão foi mais bem-sucedido, matando nove pessoas somente no mês de agosto. Continuou matando durante o inverno de 1929-30. Em maio, tentou estrangular uma jovem, mas inexplicavelmente interrompeu a tarefa e deixou-a ir embora. Ela o identificou e ele foi preso. Durante sua farra de crimes, tinha confundido a polícia continuamente alterando seus métodos. Somente quando começou sua confissão, relatando acuradamente as circunstâncias de cada crime, é que foram dissipadas todas as dúvidas. Foi condenado e executado por decapitação em 2 de julho de 1931.

Kürten certamente não era um vampiro no sentido tradicional. Superficialmente, demonstrava uma tendência vampírica em sua obsessão por sangue, mas não gostava nem do vampiro folclórico nem da tradição cinematográfica e literária do vampiro moderno. Sua história de crimes se encaixa melhor na história de assassinatos em série. A vida de Kürten inspirou dois filmes, M (1931) e Le Vampire de Düsseldorf(1964).



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IVAN - O TERRÍVEL !!




Ivan, o Terrível foi o primeiro czar da Rússia, e seu comportamento arbitrário e cruel levou muitos a compará-lo a Vlad o Empalador, o Drácula histórico. Ivan herdou o título do Grão-Duque de Moscovy quando tinha 3 anos de idade e cresceu observando as famílias líderes (os boiardos) de sua terra liderarem os países por um período de caus, à medida em que lutavam entre si por parcelas de poder. Tinha 17 anos quando um Conselho de Escolha surgiu para efetuar reformas. Embora eles tenham tido sucesso em acabar com o caus, Ivan discutiu continuamente com seus membros sobre uma vasta quantidade de assuntos administrativos. Em 1564, frustado, abdicou repentinamente. Quando o povo exigiu seu retorno, pôde ditar os termos de sua reintegração e obter o poder quase absoluto. Movimentou-se rapidamente para estabelecer sua própia elite governamental, a Oprichnina, que retirou grande parte do poder remanescente das mãos do boiardos.

O reinado de duas décadas de Ivan foi marcado, em parte, pela sua conquista das terras ao longo do Rio Volga e por seu movimento para a Sibéria, assim como a disastrosa guerra em que se envolveu quando tentou sem sucesso capturar a Livônia (hoje Estônia). Ele é mais lembrado, todavia não por suas ações políticas, mas por sua conduta pessoal. No afã de enstabelecer, agia rapidamente na punição (e às vezes execução) de muitos que desafiavam seu reinado ou que de alguma forma mostrassem desrespeito pelo que ele considerava seu status engrandecido.

Entre as tendências excepcionais mais lembradas pelos seus conteporâneos, Ivan possuía um senso de humor negro, bem similar ao que fora atríbuido a Vlad. Freqüentemente, esse humor caracterizava as torturas e execuções daqueles que se tornavam o objeto de sua ira. Conforme assinalou um historiador, S. K. Rosovetskii, muitas das histórias sobre Ivan eram variações daquelas atribuídas a Vlad um século antes. Por exemplo, havia a história folclórica romena sobre os cidadãos moradores da cidade de Tigorviste, a capital de Drácula. Os cidadãos tinham caçoado do irmão de Drácula. Em represália, ele reuniu os principais cidadãos (os boiardos) após as celebrações da Páscoa e, em suas melhores roupas, fez com que marchassem na construção do Castelo de Drácula. Ivan, reporta-se, fez algo parecido na cidade de Volgoda quando as pessoas o viram na manhã da Páscoa. Juntou-as todos ainda em suas melhores roupas de festa e construiu uma nova muralha para a cidade.

Talvez a mais famosa história de Drácula contada a partir de Ivan se referia ao enviado turco que se recusou a tirar seu chapéu na presença de Drácula. Este, em seguida, pregou o chapéu do homem a sua cabeça. Ivan, reporta-se, fez o mesmo com um diplomata italiano (ou, num relato alternativo, com um embaixador francês).

Ivan, como Vlad, muitas vezes se virava contra poderosas figuras da sociedade russa e os humilhava para evitar seu retorno à dignidade de seus cargos. Conta-se a história, por exemplo, de seu ataque sobre Pimen, o representante metropolitano russo-ortodoxo de Novgorod. Despiu-o de suas vestes litúrgicas e vestiu-o de ministrel ambulante (uma ocupação rejeitada pela igreja) e montou um casamento satírico no qual Pimen se casaria com uma égua. Apresentando o despido prelado com os sinais de seu novo status, uma gaita de foles e uma lira, Ivan despachou-o da cidade.

Ivan era diferente de Vlad com relação ao seu apetite sexual, tinha sete esposas e cerca de 50 concubinas. Também deixou os seus sucessores imediatos com uma herança mista. Embora tivesse expandido o território da Rússia, deixou o país na bancarrota e o descontentamento com seu reinado cresceu de forma contínua. Ivan, todavia, morreu de forma pacífica enquanto jogava xadrez, no dia 18 de março de 1584.




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VAMPIROS NA ROMA !!

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No Império Romano, o vampiro era uma bruxa que, em forma de coruja, atacava crianças para sugar seu sangue. Elas eram chamadas de Strix, o que culminou em strega, italiano para bruxa. A strega, mesmo durante o Império Romano, já tinha características vampirescas. Voava à noite, sugava o sangue de crianças e se envolvia sexualmente com homens que acabavam drenados.

Muito do que foi usado no combate ao Vampiro foi também usado contra a strega, tanto é que Carlos Magno teve de promulgar uma lei que proibia queimar ou canibalizar stregas. Ambas as práticas foram adoptadas contra o vampiro, inclusive comer pedaços dele como forma de cura. O lobisomem também foi um fenómeno conhecido em Roma e na Itália.




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VAMPIROS NA MESOPOTÂMIA !!




Mesopotâmia, ou vale entre rios, no caso o Tigre e o Eufrates, foi o berço de inúmeras civilizações: assírios, babilónicos, sumerianos, acadianos, entre outros. Esses povos tinham uma extensa mitologia e demonologia. O enfoque dado até hoje em inúmeros tratados sobre demónios nos faz lembrar os mesopotâmicos. Para eles, os seres demoníacos eram terríveis, poderosos e assustadores. Dentre todos, um demónio feminino terá vital importância para a vampirologia: Lilith. Montague Summers narra o conteúdo de uma plaqueta sumeriana em que Lilith é o tema.

Summers cita Dr. R. Campbell-Thompson, dizendo que muito possivelmente o objectivo da plaqueta seria proteger contra as visitas nocturnas de Lilith e suas irmãs. O tema Lilith será uma constante em praticamente todo este livro, mas especialmente no Capítulo V.



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VAMPIROS NA MALÁSIA !!




Na Malásia encontramos uma infinidade de vampiros; até os dias de hoje eles se fazem presentes no folclore. Um tipo de vampiro malaio está associado à atividade de um feiticeiro, que faz seus ataques enquanto dorme. O Mauri (a designação deste tipo de vampiro) entra sorrateira casa adentro até o peito de sua vítima, onde chupa o sangue. Esse feiticeiro pode continuar suas atividade após a morte, pois há casos de cadáveres que adaptaram essa conduta. Outros vampiros são o Bajang e o Langsuir. O Bajang lembra um furão enquanto o Langsuir é similar à Strix Romana. Para libertar-se dos ataques do Bajang, uma curandeira é chamada. A vítima sofre convulsões, delírios e mais uma infinidade de mazelas. A curandeira induzirá a vítima, no momento do suposto ataque, ao relatar o que está ocorrendo, e dessa forma detectará o vampiro.

Sendo confirmado o vampiro, este era morto, mas, com a dominação britânica, a execução foi proibida. O Langsuir é uma mulher que morreu no parto, sendo que o Langsuir original adquiriu o vampirismo ao ver que seu bebê havia nascido morto. Quando uma mulher morria no parto, ao ser enterrada, ovos foram colocados embaixo de suas axilas, suas mãos eram fixadas com agulhas e contas colocadas em sua boca. Dessa forma, tinha-se a crença que ela não se transformaria em vampira.

Outras formas de vampiros eram o Penanggalan e o Pontianak. O Pontianak é um natimorto como o Ustrel descrito por James Fraser. Aparece também como uma coruja, fazendo par com sua mãe Langsuir. Na península malaia, esses nomes, em algumas localidades, eram trocados — ora o Pontianak era a mãe, ora o inverso. A criança natimorta recebia o mesmo tratamento da mãe. Os malaios têm toda um ritualística para proteger mulheres e crianças dos ataques de vampiros.

O Penanggalan é um estranho vampiro, ou melhor, vampira, que tem o intestino e o estômago expostos. Ele voa sobre habitações atrás de crianças. Uma descrição interessante de um nativo sobre o Penanggalan foi tomada por Walter Skeat em seu livro Malay Magic. Vamos a ela.

No princípio, o Penanggalan era uma mulher. Ela aprendeu as artes mágicas diretamente com um demônio, e se colocou a serviço dele com afinco. Passado o prazo acertado, ela pôde voar, ou parte dela, já que o corpo ficava, e apenas sua cabeça com os intestinos dependurados voava, em busca de sangue. Suas vítimas tinham como certa sua morte. Se uma pessoa tocasse o sangue que gotejava dos intestinos, contrairia uma doença séria e seu corpo ficaria repleto de feridas. As vítimas prediletas do Penanggalan eram as mulheres no parto. Para se defender, as portas eram fechadas e espinhos espalhados, nos quais a vampira prenderia seus intestinos.

Na Polinésia, os vampiros deixavam as suas sepulturas para se refestelar com os vivos, devorando-lhes o coração. Além disso, feiticeiros comiam a carne do morto, criando dessa forma uma ligação com a alma do falecido, e essa ligação era usada contra as vítimas do feiticeiro, que então sugaria a vitalidade do vivo.

Os mongóis foram um dos povos que atravessaram o Leste Europeu juntando suas tradições ocultas ao já extenso folclore local. Não podemos deixar de pensar que os mongóis tiveram contacto com a Índia, Tibete, China, e uma infinidade de países entre a Europa e a Ásia. E sabemos com certeza que na sua mitologia havia entidades vampíricas. A entrada dos mongóis no continente europeu se deu pelas terras do Leste Europeu.



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VAMPIROS NO LESTE EUROPEU !!

Montague Summers narra a viagem de três cavalheiros ingleses, em 1734, pelo Leste Europeu. Eles ouvem a narrativa do Barão Valvasor dizendo que algumas partes do país sofriam uma terrível epidemia de vampiros. Os cavalheiros escutam que os vampiros são os corpos de pessoas falecidas, animadas por espíritos que se esgueiram para fora das sepulturas à noite. Esses seres vivem de se alimentar do sangue dos vivos. Não há lugar mais associado ao vampiro que o Leste Europeu. Por mais que sejam religiosamente diferentes, eles dividiram uma mitologia e centenas de casos de vampirismo.

Os primitivos eslavos tinham como divindade, dentre outras, Swetovid, o olho do mundo, deus negro, criador do bem e do mal. As cordilheiras dos Montes Cárpatos, desde Brabilow até a Valáquia e Saxônia, separavam-nos das hordas invasoras — os hunos, ávaros e búlgaros. Se, por um lado, os Cárpatos não os deixaram ser destruídos, por outro, os povos que atravessavam a região propiciavam uma mescla de culturas e folclore. Eles tiveram uma grande mitologia ligada ao vampiro, que de uma forma ou outra influenciou e foi influenciada por povos vizinhos. Na Albânia, o Vampiro era conhecido como Kukuthi, Kukudhi, Lugat, Vorkolaka. Há a crença, na Albânia, de que se o vampiro não for descoberto, por mais de trinta anos, ele adquire a capacidade de andar à luz do Sol. Leva, a partir desse tempo, uma vida de humano — este é o Kukudhi. A sua destruição é ou pela tradicional via da estaca e do fogo ou pelos lobos. Fora esse tipo de vampiros, os albaneses também conhecem o Vrykolakas.

Na Bulgária há o Vorkolaka, a alma de um criminoso que assombra o local de sua morte, atacando e sugando o sangue dos que passam nas imediações. O Vorkolaka é urna alma presa à terra, não podendo ir nem para o céu nem para o inferno. O local é liberto da maldição com cerimónias religiosas e erguendo-se uma cruz no local.

Outra forma de vampiro na Bulgária é o Obour, que nove dias após seu sepultamento já emite seus primeiros sinais. A princípio como um fogo fátuo que brilha na escuridão; quando passa por uma luz, uma leve sombra é projectada. Depois disso, faz um enorme estardalhaço, agindo como um poltergeist, destruindo pertences das pessoas e cuspindo sangue. Após quarenta dias, o Obour adquire aparência humana sólida, podendo levar a vida de uma “pessoa normal”.

Para destruir o Obour, ele deveria ser atraído por iguarias que lhe excitassem o paladar, como excremento humano, por exemplo. Isso era colocado dentro de uma garrafa, e quando ele entrasse nela seria arrolhado e destruído. Ícones sagrados podiam ser usados para compeli-lo a entrar na garrafa.

Ustrel, de acordo com James Fraser em Ramo d’Ouw, é uma criança nascida num sábado, que morre sem batismo. Nove dias após o enterro, o Ustrel sai de sua sepultura e volta seu apetite contra um rebanho de gado que esteja nas redondezas. Quando está suficientemente forte, não precisa voltar mais à sepultura, morando nos corpos dos animais, ora nos chifres de um touro, ora no úbere de uma vaca, ora na lã de um carneiro. Para combatê-lo, os aldeões fazem num sábado duas grandes fogueiras numa encruzilhada, ossos são colocados por onde todos os rebanhos passam, e todos os outros fogos da comunidade são apagados.

Quando a manada vai passando entre as duas fogueiras, o Ustrel se lança de seu animal hospedeiro e cai na encruzilhada. O local deve ser freqüentado por lobos, para que dessa forma a alcatéia destrua e devore o Ustrel. Os búlgaros também acreditavam que o vampiro podia deixar descendência, fruto do morto-vivo com uma mulher. Essa criança seria provida de dotes paranormais muito estimados para detecção e destruição do Vampiro.

Na Eslováquia há o Nelapsi, um predador de gado e seres humanos, que pode trazer uma peste e dizimar populações inteiras. No distrito de Zemplin, os aldeões crêem que o vampiro tem dois corações e duas almas. As pesquisas sobre o Nelapsi foram feitas por Jan Mjartan em uma viagem ao campo em 1949, e os resultados foram publicados com o nome de Povery de Vampirskev Zempline.

Na Polônia Oriental, o nome mais comum para um vampiro era Upier ou Upior. Os mesmos nomes podem ser achados nos países vizinhos da Ucrânia e Bielorússia. O vampiro polaco mantém estreita semelhança com os vampiros das nações vizinhas.

Dom Augustine Calmet descreve a acção deste tipo de vampiros: “O oupire come a mortalha feita de linho, que o envolve, como primeiro passo de seu reavivamento. O oupire pode aparecer do meio-dia à meia-noite. A noite, ele ataca seus amigos e especialmente seus parentes, abraçando-os e sugando-lhes o sangue. O modo para destruir um oupire é exumar o cadáver e então decapitá-lo e abrir seu coração.”

O sangue que escorria do ferimento servia para curar as vítimas dos ataques. Essa prática não se restringia à Polônia, já que na Romênia se comiam pedaços do vampiro, em especial cinzas do coração. Além do Upier havia a Upierzyca, sua contraparte feminina. Na exumação do Upier, o cadáver muitas vezes apresentava movimento dos olhos, língua e um bom estado de conservação geral. Além de devorar a própria mortalha, devorava inclusive partes de seu próprio corpo.

John Heinrich Zopfius, em sua Dissertação sobre Vampiros Sérvios, de 1733, diz: “Vampiros vagam à noite, saindo de suas sepulturas, e atacam pessoas que dormem tranqüilamente nas suas camas, sugam todo o sangue de seus corpos e os matam. Eles atacaram homens, mulheres e crianças, não poupando idade nem sexo. Esses que estão sob a malignidade fatal da influência dos vampiros reclamam de sufocação a uma deficiência total, depois das quais eles logo expiram. Alguns a quem, quando às portas da morte, foi perguntado se poderiam contar o que estava causando seu falecimento, respondiam que o morto retornou da tumba para retirar a vida dos vivos.”


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Para os sérvios, um lobisomem em vida seria um vampiro na morte, e assim os dois são muito proximamente relacionados. Alguns distritos pensaram até mesmo que pessoas que comiam a carne de uma ovelha morta por um lobo poderiam se tornar vampiros depois de morrer. Porém, os eslavos mantinham bem distintos os dois termos, sendo vampiro o morto que retorna para atacar os vivos e lobisomem alguém que se transforma em lobo. Havia também o Mahr que, ao que tudo indica, era a alma de alguém que retornava em busca de sangue. Poderia atacar parentes ou não. O Mahr, que podia inclusive estar vivo, causaria obsessão. O modo de destruí-lo é similar ao de outros vampiros, achando sua toca e expondo-o à luz solar, e cravando uma estaca em seu coração. Na Bulgária, são chamados Morava; na Polônia, Mora.



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VAMPIROS NA GRÉCIA !!

A Grécia e a sua rica mitologia são um campo vasto para o estudo do fenómeno do vampirismo. As Lâmias, Empusas, Mormo e a própria Hécate são representantes clássicos desse fenómeno e suas histórias se perdem nos séculos.

A Lâmia é um ser vampírico dos mais antigos. Após a perda de seus filhos, Lâmia, uma bela mulher, foi tomada de ódio absoluto e vingou-se de toda a raça humana atacando crianças e sugando-lhes o sangue, história muito similar à de Lilith. Esse espectro feminino também se revestia de sedução. Quando as vítimas eram rapazes, o demónio aparecia como uma bela mulher. A história de Menippus é um bom exemplo.

Ele conhece uma bela moça, em verdade Lâmia, cujo prazer era se alimentar de jovens corpos, com sangue puro e forte.

Apuleio, em Metamorfoses, narra em uma passagem que as feiticeiras da Tessália podiam assumir a forma de qualquer animal. No caso em questão, Telefron, um estudante, tinha sido incumbido da tarefa do guardar um cadáver para que as feiticeiras não dilacerassem com seus dentes a face do morto. A Stringla, uma espécie de vampiro feminino especialista em drenar sangue de crianças, como espírito da noite, vinha e atacava as crianças. A volta do reino dos mortos não era de forma alguma algo desconhecido para os gregos.

O poder do sangue como agente materializador era também por eles conhecido. Ulisses encheu uma cova de sangue para propiciar o aparecimento de Tirésias, um vidente, com sangue fresco nutriu a aparição ajudando-a a adensar-se, e outros espectros lambem se materializaram valendo-se desse sangue. Pausânias, no século II, já mencionava a lei grega que mandava queimar os cadáveres de quem quer que fosse acusado de visitar seus parentes após a morte. A esse solo fértil foi agregada a cultura eslava, que principia por volta do século VI sua entrada na Grécia.

A Grécia conta com inúmeros relatos de atividade vampírica. O vampiro grego mais conhecido é o Vrykolakas. O termo é de origem eslava e possivelmente se refere a algum ritual em que o sacerdote utilizava uma pele de lobo. Bem entendido que, para os gregos, o licântropo não era, de forma alguma, uma novidade.

O Vrykolakas, para os gregos, era o morto-vivo. Tinha a aparência de quando estava vivo, e podia também entrar em corpos de animais ou assumir as suas formas. Por mais que os vampiros do leste europeu tenham uma fama enorme, a maioria dos casos de vampirismo ocorreu na Grécia.

Quem é atacado por um Vrykolakas se torna invariavelmente um deles. O Vrykolakas é um dos vampiros mais vorazes e selvagens, e em seus ataques rápidos e assassinos rasgam a carne com os dentes para se banquetear com o sangue. O nome Vrykolakas talvez também seja uma referência à licantropia. No folclore eslavo, lobisomens se tornam vampiros após a morte. Há referências (escassas, todavia) de lobisomens gregos que se tornaram vampiros (Vrykolakas) após sua morte.

Os Vrykolakas não atravessavam água, por isso muitos foram mandados para ilhas desertas na esperança de que por lá ficassem. Essa prática foi usada em Hidra, Kythnos e Mitilene. “A ilha de Hidra antigamente havia sido infestada por vampiros, e um Bispo se livrou deles ao mandá-los para Therásia, uma ilha desabitada, pertencente ao arquipélago de Santorini, onde eles ainda caminham à noite, mas não podem cruzar a água salgada”. Em outros locais da Grécia, em especial em pequenas ilhas, o vampiro é conhecido como Vurvukalas, Vrukolakas, e os cretenses o chamam Kathakanas.

O Vrykolakas era essencialmente nocturno, mas suas histórias incluem manifestações em plena luz do dia. Sábado era o dia em que o Vrykolakas ficava em sua tumba. Justamente no sábado eram exumados os corpos dos suspeitos. Uma cerimónia de exorcismo era levada a cabo, e o corpo era removido para alguma ilha distante ou queimado.

O Vrykolakas muitas vezes se comporta como um poltergeist, destruindo mobília, produzindo sons e mais inúmeras manifestações associadas. Ele também pode voltar para viver com a viúva, e até mesmo empreender as tarefas mais comuns e tranquilas.

O vampiro grego por vezes visitava a viúva após a morte, e há relatos de crianças geradas desta forma; ele também podia mudar para outra cidade, onde constituía família. Na Grécia, o vampirismo era herdado. Crianças filhas de vampiros poderiam ser vampiros, ou caçá-los.



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VAMPIROS NA CHINA !!

A China é uma das possíveis pátrias dos vampiros. O mais importante nesse país é que os vampiros são encontrados há mais de 2600 anos, já que em 600 a.C. já havia relatos de vampiros em solo sino. Na China, um dos vampiros que mais nos chama a atenção é o chiang-shih, com unhas muito longas, cabelos brancos com tons de verde e olhos avermelhados. Esse vampiro podia voar, mas, como o grego, não atravessava água e deveria voltar à sepultura após suas actividades, como um morto-vivo.

Tinha igualmente capacidade de se metamorfosear em animais, em especial em lobo. Era destruído pelo fogo, e o cadáver passava também por cerimónias de exorcismo. Para os chineses, um demónio se apossava da alma do defunto, causando a incorruptibilidade do corpo, e levando-a ao vampirismo. Ainda segundo os chineses, o ser humano tem duas almas: a Run, ou alma superior, e a P’o, ou alma inferior. Uma teria aspectos mais elevados, a outra, aspectos animais. Essa alma inferior era a causa do vampirismo, e qualquer ínfima parte do defunto poderia guardar o vampiro. Os chineses também têm várias histórias de crânios que falavam, e eram animados pela alma P’ o do defunto, causando inúmeros problemas.

O Vampiro na China, como em outras partes do mundo, é activo ao cair a noite, voltando à sua sepultura ao raiar da aurora. Uma lenda chinesa trata da volta dos mortos e da destruição advinda disso. Um funcionário do governo chinês, Chang Kuei, estava em viagem quando, em dado momento, um temporal se abateu. Ele se refugiou em uma casa. Lá, encontrou uma bela dama. A princípio tomaram chá, para mais tarde se unirem numa torrente de paixões. Ao despertar, no dia seguinte, qual não foi a sua surpresa ao se encontrar sobre a lápide de uma tumba, com seu cavalo a alguns metros dali. Ele o montou e saiu a toda brida pela estrada.

Ao chegar a seu destino, foi interrogado devido à demora, e seu relato revelou onde estava a tumba de uma jovem prostituta que havia se enforcado. O fantasma dela havia seduzido inúmeras vítimas. O clamor dessa história chegou aos ouvidos do magistrado da região, que mandou abrir a tumba, onde o cadáver foi encontrado como se estivesse a dormir. Cremaram-no imediatamente. Curiosamente, após a destruição do corpo da vampira, uma seca que grassava a região teve fim.


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Outra história de vampiros na China é a que se segue. Uma mulher foi acordar seu marido e, ao entrar em seu quarto, viu-o sem cabeça. Não havia uma gota de sangue em nenhum lugar, o que era muito estranho devido à decapitação, que faria o quarto estar encharcado de sangue. Ela chamou as autoridades e foi detida como a principal suspeita, apesar de alegar inocência. Algum tempo depois, um lenhador encontrou um caixão semi-escondido pela vegetação, mas com a tampa parcialmente levantada. Ele ficou tomado de receio e chamou várias pessoas para juntos averiguarem o conteúdo. Dentro estava um cadáver, mas com aspecto de vivo, e tinha um semblante horripilante. Sua boca tinha dentes pontiagudos e vertia uma espuma avermelhada. Nas suas mãos estava a cabeça do marido infeliz. Eles chamaram as autoridades; um guarda armado veio rápido, antes do pôr-do-Sol. Os braços do vampiro tiveram que ser cortados para libertar a cabeça, e o sangue escorreu em profusão. Tudo foi queimado, e a mulher liberta.



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VAMPIROS NA ÍNDIA !!

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A Índia é um dos locais que, juntamente com o Egito
e a China, tem mais elementos para
esclarecer o fenômeno dos Vampiros. Asuras, Rakshasas e mais uma infinidade de seres vampíricos fazem parte da mitologia indiana, sem falar em várias divindades que têm facetas vampíricas evidentes, como a deusa Kali e seu marido Shiva. Os Rakshasas habitavam locais de cremação, onde inúmeros cadáveres eram cremados. Estavam sempre prontos a atrapalhar a consecução espiritual dos ascetas. Datam da era védica, seu líder é Ravana, de dentes pontiagudos e olhos sinistros, inimigo de Rama. Eles portam unhas longas e venenosas, sua aparência é feroz, sua cor é o azul escuro, mas podem ser verdes ou amarelos.

Os Rakshasas são senhores de grandes tesouros, guardiões de templos e palácios. Vagavam à noite em busca de sangue de crianças, em especial dos recém-nascidos. Também gestantes faziam parte de suas principais vítimas. Eles se faziam acompanhar muitas vezes por sacerdotisas, que participavam de seus sangrentos banquetes, as Hatu Dhana. Além dos Rakshasas, Asuras e as Hatu Dhana, havia os Pisashas; eles se alimentavam dos restos da cremação e transmitiam inúmeras calamidades. Outra classe de seres Vampiros era a dos Bhutas, o espectro dos mortos. Os candidatos principais a se tornarem Bhutas eram os que padeciam por morte antinatural, suicídio ou execução; eram loucos, portadores de alguma moléstia ou deformados. Transformavam-se, após a morte, em mortos-vivos. Em certas localidades da Índia, aqueles que morrem de maneira semelhante às descritas são sepultados ao invés de cremados. De forma alguma isso se restringe à Índia, já que em praticamente todo o mundo pessoas que sofreram morte violenta ou tiveram má índole são fortes candidatos a Vampiros.

Os Bhuta se alimentam de fezes e intestinos encontrados em corpos decompostos. E também promovem doenças nos seres humanos, uma forma de gerar o seu alimento. Eles também vivem perto do local de cremação, transformam-se em corujas e morcegos, mas igualmente aos Rakshasas atacam recém-nascidos. Podem obsediar uma pessoa, e a pessoa assim obsediada viria a atacar outras, devorando-as.

Sir Richard Burton, um dos mais importantes aventureiros do século XIX, conta-nos à história do livro Vetala Pachisi, os vinte e cinco contos de um Baital. O narrador destas vinte e cinco histórias é um Baital, um Vampiro, um ser que se apossava do corpo de um morto para executar suas atividades vampíricas.

Esse livro trata da história de um gigantesco morcego negro, vampiro ou espírito maligno que habitava e animava cadáveres. É uma lenda antiga, cujo estilo de narrativa influenciou As Mil e Uma Noites, O Asno de Ouro, de Apuleio, e o Decameron e o Pentameron, de Giovanni Boccaccio. Essa narrativa tem como personagem o Rei Vikram, que teve seu reinado por volta do século I.

“O ser pendia de cabeça para baixo, seus olhos, que estavam arregalados, eram de um castanho esverdeado e nunca piscavam. Seus cabelos também eram castanhos, e castanho era seu rosto. Três matizes diferentes combinadas lembravam um coco seco. Tinha o corpo magro e cheio de nervuras, como um esqueleto ou um bambu. Estava pendurado em um galho como um morcego, pela ponta dos dedos, e seus músculos contraídos ressaltavam como cordas de fibra”.

“Não parecia ter uma gota de sangue sequer, ou esse estranho líquido devia ter escoado para a cabeça; quando o Raja (Vikram) o tocou, a pele era fria como o gelo e viscosa como a de uma serpente. O único sinal de vida era o agitar furioso de uma pequena cauda, como a de um bode. O bravo Rei deduziu — um Baital, um Vampiro, um Vetala Pancha Vishnati!” (Baital é a forma moderna de Vetala).

Encurtando a narrativa, Vikram faz inúmeras tentativas de capturar o vampiro, mas este é esperto, e contando inúmeras histórias consegue sempre voltar a sua árvore. Por fim, o Raja o leva até um Yogue que estava esperando por eles perto de um crematório. A área era cheia de hienas, abutres e assombrada por espectros. O vampiro havia se apossado do corpo de um jovem, e, ao se aproximar do Yogue, mas não tão perto para que este pudesse ouvi-lo, avisou o Rei Vikram de que o Yogue na verdade era um gigante monstruoso disfarçado. Após dizer isso, o vampiro abandonou o corpo do jovem, que voltou a ser um corpo normal.

O Rei ficou em dúvida a respeito do que o vampiro havia falado. Ele tomou parte nas cerimônias do Yogue a contragosto, sempre esperando o pior, e graças a isso foi salvo. De fato, o Vampiro falara a verdade. O Vetala é um demônio vampiro com características de semideus. Ocasionalmente, o Vetala pode promover a possessão de um cadáver, animando-o para suas práticas hematófagas.

Outros dois tipos de vampiros importantes eram o Gayal e Churel. O Churel é um Vampiro feminino, uma mulher que teve morte no parto ou menstruada. Ela aparece como uma linda donzela, extremamente sedutora, drenando suas incautas vítimas enquanto estas se encontram deleitando-se em seus braços. Outras vezes, ela aparece com dentes caninos enormes, e de sua boca pende uma língua negra, e sua cabeça é ornada com uma selvagem cabeleira igualmente negra. Para prevenir-se dos ataques dela, são colocadas sementes em sua antiga casa, pois se supõe que este vampiro feminino também tenha obsessão por contar (dessa forma se esquece do ataque predador). O cadáver do Churel tinha os pés presos em cadeias, os ossos quebrados e era enterrado em decúbito dorsal, para impedir seus ataques.

Já o Gayal, o Vampiro do Punjab, assume características de Vampiro mais uma vez devido a problemas no sepultamento, por ser uma pessoa sem família para zelar por seu funeral, ou se a família por alguma razão não realizou as cerimônias. Ele é enterrado sumariamente sem ritos póstumos. O Gayal ataca seus parentes e os filhos de seus vizinhos. A destruição do Gayal é feita quando lhe fazem os ritos póstumos e lhe queima o corpo.

As pessoas se preveniam de seus ataques usando uma mistura de água do Ganges e leite, na esperança de que ele assim se saciasse.




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VAMPIROS NA ÁFRICA !!




Na África, o fenômeno do vampirismo está intimamente ligado à magia e à feitiçaria. Contrariando a opinião de alguns autores, o vampiro era bem conhecido dos africanos, e para confirmar essa afirmação basta analisar a cultura africana e dos países onde houve influência africana, como o Haiti.

Asasabonsam é um vampiro encontrado no folclore Ashanti, que vive no âmago das florestas e tem forma humana. Só é avistado por caçadores que se aventuram nesses territórios. Ele ataca puxando suas vítimas para o alto das árvores.

Obayifo é um feiticeiro (a) que deixa seu corpo para sugar o sangue. As crianças são suas vítimas principais. Eles permanecem incógnitos na comunidade. Quando saem do corpo, fazem-no na forma de uma bola de luz. No Haiti, Luisiana e Jamaica, devido ao vodu e ao sincretismo (sendo o próprio vodu fruto do sincretismo), onde inúmeras influências se encontram culminando em uma tradição mágica poderosa e eclética, a figura do vampiro está intimamente ligada a práticas mágicas, com nítida influência africana.

Em Granada, é chamado Loogaroo, uma corruptela de Loupgarou, lobisomem em francês. Os Loogaroos geralmente eram mulheres praticantes das artes mágicas. Todas as noites, elas saíam em busca do sangue de suas vítimas, deixando seu próprio corpo na forma de uma bola de fogo. Qualquer fresta já era suficiente para o vampiro entrar, mas uma maneira de desviar o ataque, mais uma vez, era colocar arroz ou outra semente qualquer, pois o Loogaroo ficara entretido contando. O Loogaroo ataca também a criação, em especial a de cavalos.



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VAMPIROS - COMO ELES SÃO ?

Como eles são?

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Desde os tempo em que nossos antepassados ainda habitavam cavernas, o medo dos mortos assombra a humanidade. Era coum crer que espíritos voltavam do Além e visitavam suas vítimas em sonhos, e elas adoeciam e morriam. Com o tempo, a crença nesses espíritos malignos foi dando origem ao mito do vampiro. Alguns cadáveres exumados apresentavam estranhamente um aspecto saudável e robusto, e os corpos nessas condições quase sempre tinham a boca e o nariz sujos de sangue. A imaginação folclórica associou as lendas de fantasmas aos estranhos cadáveres e criou a figura do vampiro.

Embora o termo vampiro tenha surgido há menos de 300 anos, essa criatura existe no folclore de diversos povos, de diferentes regiões, e cada qual a descreve de maneira própria. Algumas descrições são curiosas; outras, bizarras. Os vampiros das lendas da Transilvânia, por exemplo, eram magros, pálidos e tinham unhas compridas. Já os da Bulgária tinham apenas uma narina; e os da Bavária dormiam com os polegares trançados e um olho aberto. Os vampiros da Moravia atacavam nus e os do folclore da Albânia usavam sapatos de salto alto. Conforme as histórias de vampiro se espalharam em todo o mundo e chegaram às Américas, as descrições também variaram. Os vampiros mexicanos tinham um crânio descarnado no lugar da cabeça. Os dos Estados Unidos, mais precisamente da região das Montanhas Rochosas, não mordiam, mas aspiravam o sangue com seu nariz – e só o sangue da orelha da vítima.



Crenças:

Uma característica do vampiro é a capacidade de se transformar em morcego, rato, cão, lobo, aranha e até mariposa. Na verdade, esse também é um atributo mágico dos feiticeiros e dos xamãs. Muitos relatos dos indígenas brasileiros dão conta de pajés que tinham o poder de se transformar em onças – eles, porém, não sugavam sangue.

As causas da geração de vampiros são quase tantas quanto as tradições folclóricas que as produziram. Nos folclores eslavo e chinês, qualquer cadáver sobre o qual um animal passara ou pulava, especialmente um cachorro ou um gato, poderia se transformar em vampiro. Um corpo que tivesse um ferimento, que não fora tratado com água fervente – uma medida comum até o século 18 -, também corria risco de se transformar numa dessas criaturas. No folclore russo, acreditava-se que os vampiros tinham sido bruxas em vida, ou pessoas que se rebelaram contra a igreja.

Também existe um diversificado folclore para se evitar a ameaça destes seres. Uma série de ritos foi criada para impedir que uma pessoa amada que tinha morrido recentemente se tornasse um vampiro. A cabeça, o corpo ou as roupas de um suposto vampiro podia ser pregadas ao caixão para evitar que ele se levantasse. Os ciganos costumavam enfiar agulhas de ferro no coração do morto e colocar pedaços de metal em sua boca, sobre os olhos, orelhas e entre os dedos na hora do enterro.

Uma prática comum era enterrar a pessoa de cabeça para baixo ou, então, colocar objetos, como foices ou facas, nos caixões. Pensava-se que estes artefatos satisfaziam de alguma forma os demônios que entravam no corpo, ou serviam para apaziguar o defunto. O método era semelhante à antiga prática grega de colocar uma moeda na boca do cadáver para pagar a taxa de transporte ao barqueiro Caronte para atravessar o Estige, o rio que determina a fronteira do Hades, o reino dos mortos. No entanto, alguns estudiosos argumentam que a moeda era usada para espantar os espíritos maus e evitar que possuíssem o morto. Esse uso pode ter influenciado as lendas e as crenças sobre vampiros.

Também era comum na Europa cortar os tendões dos joelhos ou colocar sementes de papoula, ou areia, ao lado da tumba de um suposto vampiro. Acreditava-se que estas criaturas tinham um impulso incontrolável de contar coisas, e as sementes deixariam ocupadas a noite inteira. Há crenças chinesas e indianas semelhantes, segundo as quais, se um vampiro passasse por um saco de arroz, ele seria compelido a contar todos os grãos.



Defesa:

Para se defender dos vampiros, os supersticiosos camponeses do leste europeu lançavam mão de uma série de objetos, como alho e água benta. Esses amuletos de proteção variavam de região para região. Rosas selvagens e itens religiosos, como o crucifixo e o rosário, também eram empregados.

Acreditava-se ainda, que os vampiros não conseguiam permanecer em solo consagrado, como os das igrejas, ou atravessar a água corrente de um rio. Outras tradições garantiam que uma criatura dessas só podia entrar em uma casa se tivesse sido convidado pelo dono, apesar de que, depois do convite, ela poderia entrar e sair quando bem entendesse. De forma geral, os vampiros das tradições folclóricas atacavam à noite, mas, ao contrário dos da literatura, não temiam a luz do sol.



Identificação:

Para descobrir e identificar um vampiro, os antigos europeus também elaboraram uma série de complicados rituais. Um deles consiste em levar um menino virgem montado em um garanhão, quase sempre negro, a um cemitério. Acreditava-se que o cavalo iria empacar no túmulo do vampiro.

Outra forma era observar se havia buracos no chão ao lado do túmulo. Se estes surgissem por algum motivo, tinha-se certeza de que se tratava de um vampiro. Quando o gado ou ovelhas morriam misteriosamente, ou quando faleciam parentes ou vizinhos sem causa aparente, imediatamente suspeitava-se de que estes seres estavam atacando.


Para destruí-los:

Havia muitas formas de se destruir vampiros. O método mais comum era fincar uma estaca de madeita em seu coração. Esta prática era particularmente comum entre os povos eslavos. Quando desconfiavam de que alguém havia se transformado em morto-vivo, exumava-se o cadáver suspeito e cravava-se a estaca no coração, ou, como na Rússia e no norte da Alemanha, na boca, ou ainda no estômago, como no norte da Sérvia.


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Em 2006, um arqueólogo descobriu em Veneza uma tumba datada dos século 16. Nela, estava o corpo de uma mulher com um tijolo enfiado em sua boca. Acreditava-se que isso evidencia um ritual de eliminação de vampiro.

Na Alemanha, preferia-se, quase sempre, decapitar o cadáver e enterrar a cabeça entre os pés ou longe do corpo. Esse ato deveria acelerar a partida da alma, a qual, de acordo com a superstição local, permanecia ao lado do corpo.

Nos Bálcãs, o vampiro também poderia ser morto por meio de afogamento, de se borrifar água benta sobre o cadáver, por exorcismo ou simplesmente ao se repetir o enterro.

Na Romênia, até o século 19, não era incomum dar-se um tiro no caixão durante o enterro. Isso garantiria que o finado não voltaria para vampirizar a vizinhança. Em casos extremos, o defunto era esquartejado, seu corpo era cremado e as cinzas misturadas à água e dadas para os parentes beberem. A beberagem era – e ainda é – considerada um poderoso remédio. Em 2004, na Romênia, os parentes de um homem acharam que ele tinha se transformado em vampiro depois de morto. E não tiveram receio de lançar mão do metido tradicional: desenterraram o corpo, extraíram-lhe o coração , o cremaram, misturaram as cinzas à água e consumiram a mistura.



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VAMPIROS CIGANOS !!

Os ciganos são originários da Índia, possivelmente descendentes dos dravidianos, povo autóctone, expulso pelos arianos do Norte da Índia. Os dravidianos são os pais do Yôga e do Tantra; sua civilização era matriarcal e Shiva era sua divindade principal. Ao perderem a guerra contra os invasores, eles migraram para o sul da Índia, mantendo os seus conhecimentos em sociedades secretas. Da sua terra natal, os ciganos trouxeram Sara, Santa Sara, ou melhor, Kali. Tanto ela, como seu marido Shiva, são retratados na arte hindu em atos vampíricos, e nessas representações há ainda um forte apelo sexual, de uma forma muito comum aos Vampiros. A Índia, como já vimos, conta também com inúmeros seres vampíricos. Os ciganos Começaram sua migração por volta do ano 1000 da era vulgar (Cristã), e por volta do século XIV já eram vistos no Ocidente, após uma estadia na Turquia.

Duas teorias sobre a origem da designação “cigano” são a do egiptano, ou seja, egípcio, derivando em gitano, ou a que faz alusão aos atzigani, seita herética do Oriente Médio. Para Voltaire, eles eram cultuadores da deusa Ísis vindos da Síria. Muito curiosa foi essa associação com os egípcios, já que os ciganos chegaram à Europa sem passar pelo Egito. Talvez isso seja uma menção ao pequeno Egito na Grécia, ou esse lugar tenha esse nome justamente devido aos ciganos. Os gregos desde sempre tiveram os egípcios como grandes mágicos e adivinhos; será que notaram essas características quando os ciganos foram seus hóspedes ?

Curiosamente, os locais onde os ciganos tiveram influência mais proeminente estão no epicentro dos casos de Vampirismo que varreram a Europa no século XVIII. Já em 1700 há relatos na Grécia sobre a atuação de Vampiros (Vrykolakas). O termo é de origem eslava, e igualmente no Império Austríaco são registrados casos amplamente documentados. Por mais que esses casos tenham o século XVIII como foco, eles não foram tratados como novidade pelas populações dos locais onde se desenrolaram, o que faz pensar que não era algo incomum.

Os ciganos, como os egípcios, tinham ritos de oferenda de alimentos aos mortos. Em troca, pediam sua proteção e outros favores. Eles também tinham uma espécie de feiticeiro (xamã) chamado Kaku, que tinha posse do poder de domar animais sem o uso da força, através do conhecimento dos poderes hipnóticos, incluindo o uso do terceiro olho.

Ao que parece, eles guardaram a sabedoria ancestral indiana, incluindo a cerimônia do Maithuna indiano, uma união sexual tântrica. O casal se uniria para este fim, muitas vezes não se vendo nunca mais. Seu objetivo era a harmonia dos opostos e o êxtase místico. Fazem uso de um asana, como o da Yôga, e exercícios com os olhos (tratakas). Eles crêem que o corpo humano é entrecortado de canais que levam energia para os mais diversos pontos, e disso se deriva uma técnica usada em curas que também pode despertar intenso desejo sexual. Um fato curioso é que os Kakus ciganos têm especial respeito por Jacques de Molay, o último Grão Mestre Templário. O porquê disso é uma boa pergunta, mas a lenda fala que Molay esteve em contacto com eles no Oriente, em busca de conhecimento mágico. Os ciganos, em muitos locais, foram tratados como heréticos, bruxos e vampiros. Sofreram com fogueiras e torturas, além de não poderem ser enterrados nos cemitérios comuns, dentre outras coisas. Como já vimos, os ciganos são místicos por natureza, e seu universo é recheado de seres imaginários e mágicos.

Os Vampiros têm um lugar de destaque na religiosidade cigana, sendo que havia até a profissão de “caçador de vampiros” (Dhampir).

Esse caçador era filho de um Vampiro, um elo entre o humano e o vampírico. Os ciganos acreditavam que o Vampiro poderia gerar filhos mesmo depois de morto, e alguns Vampiros inclusive teriam constituído novas famílias.

Como em outras culturas e nos casos de “almas” presas a Terra (ver o capítulo “duplo etérico e corpos sutis”), o Vampiro era fruto de morte violenta, falhas no sepultamento ou ainda influência de animais sobre o corpo do morto; assuntos não terminados também eram relevantes.

7 - Ataques de Vampiros


O Mulo era a forma mais conhecida de vampiro cigano, um morto-vivo que atacava durante a noite e voltava ao amanhecer para sua sepultura. Como a maior parte de todos os vampiros ele era um ser etéreo. Podia assumir várias formas animais, e seus ataques dizimaram algumas famílias e inúmeras cabeças de gado. Alguns relatos sobre o Mulo mencionam as relações sexuais entre o Vampiro e sua esposa, ou amante, ainda viva. Essas relações poderiam ir das mais calmas às mais violentas.

O Mulo poderia gerar filhos dessas uniões, e eles eram vampirovic, vampiro filho, ou lampirovic, pequeno vampiro, em idioma sérvio-croata. Outro nome para o filho de um vampiro é dhampir. Para os sérvios, o Dhampir, filho do vampiro, tinha poderes especiais para detectar e destruir vampiros. Dessa forma, famílias que tinham sangue vampírico se tornaram caçadoras de vampiros. No Brasil, os primeiros grupos de ciganos chegaram no século XVII, no Maranhão.



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VAMPIRO ROMÂNTICO ?




Habitante das trevas da morte, o vampiro é movido pela nos­talgia que sente em relação à vida. A saudade que o move o faz desejar a vida; sua solidão o faz querer com­panhia. Por isso, nas lendas folcló­ricas, ele volta para visitar os pa­rentes e vizinhos. Mas traz consigo a maldição: como não pertence ao mundo dos vivos, contagia com a morte aqueles que reencontra.

Esse é um tema recorrente desde que Bran Stoker publicou sua obra imortal, Drácula - sem dúvi­da, o vampiro mais famoso de to­dos os tempos. Em busca de Mina, provavelmente a reencarnação de sua antiga amada, Drácula deixa seu castelo na Transilvânia e vai a Londres. No entanto, tudo o que ele leva é desgraça e morte para aqueles ao redor de Mina.

O aspecto romântico do vam­piro encarna uma profunda rea­lidade humana. Sigmund Freud (1856 – 1939), tido como “Pai da Psicanálise”, afirmou que há duas forças que impulsionam a psique humana: o medo da morte e o de­sejo pela vida, expresso pela busca do sexo. Freud identificou esses im­pulsos com duas entidades da mito­logia grega: Eros, deus do amor, e Tanatos, deidade que representa a morte. Tal percepção é tão profunda que gerou o mito dos fantasmas que voltavam do Além para assombrar os vivos – o movimento da morte desejando a vida. Essas antigas len­das foram associadas a fenômenos da decomposição e acabaram ge­rando o vampiro, um ícone tão po­deroso que vem sendo desenvolvido e atualizado ao longo de eras. O desejo do vampiro pela vida é o nosso próprio desejo de resistir à morte ao buscar o romance e o sexo.

Muitas histórias narram o amor impossível entre essas criaturas e mortais. Nesse caso, quase sempre o vampiro se vê dividido entre a vontade de conferir à sua amada a imortalidade e a consciência da mal­dição que isso acarreta. Em alguns casos, o morto-vivo sente culpa até mesmo por ter de consumir sangue humano. É o bom vampiro.

Esse tema é central no romance Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice. O anti-herói criado por Rice, Lestat, julga que tem direito de matar para existir. Ele é contrasta­do por Louis, seu relutante compa­nheiro, que sofre com a necessida­de de prolongar sua vida causando a morte de outros.

Na obra de Rice, os vampiros são quase sempre os personagens mais humanos, buscando respostas para as questões que assombram a humanidade. Quando Louis se encontra com Armand, o vampiro mais velho do mundo, então com 400 anos, ele se decepciona pelo fato de que Armand não descobriu nenhuma das respostas para as dú­vidas existenciais que o afligem.

De fato, o tema de fundo de muitas histórias de vampiro é o bom morto-vivo contra o mau. Essas duas forças que se opõem são, muitas vezes, retratadas como irmãos atraídos pela mesma mulher, que lutam um contra o outro atra­vés dos séculos. Um motivado pelo o amor e o outro, pela vingança.

Outra situação que o vampiro romântico tende a enfrentar é o desejo de defender sua amada do mal que existe dentro dele. Essa abordagem está presente na sé­rie de TV clássica, Dark Shadows, em que Victória Winters é a re­encarnação do verdadeiro amor do vampiro Barnabás Collins.

O aspecto romântico desta cria­tura também deriva, certamente, da disposição dos escritores e poe­tas que sistematizaram as antigas lendas folclóricas sobre o vampiro, transformando-o em uma figura li­terária que permanece através dos tempos. Esses escritores perten­ciam à segunda geração do movi­mento romântico, também conhe­cida como “ultrarromântica”. São autores como Lord Byron (1788 – 1824), Charles Baudelaire (1821

- 1867), e Castro Alves (1847 – 1871), que cultivavam o lúgubre e a atração pela morte. Bom exemplo disso é um dos mais famosos poe­mas de Byron, no qual ele descreve o crânio que seu jardineiro desen­terrou por acaso em seu jardim. Byron mandou revesti-Io com joias e o usava como caneco. O poema foi traduzido para o português por nenhum outro senão Castro Alves, igualmente famoso pela sua veia ultrarromântica.

É inegável que o vampiro tem um charme próprio. A atração exer­cida por ele, como a do herói góti­co, está na sua total solidão. Este morto-vivo encerra em si a beleza trágica do anjo caído, do amaldiço­ado, do maldito. Ele tem um poder inimaginável. No entanto, sua fra­queza – e por vezes sensibilidade – o torna extremamente vulnerá­vel. Por motivos óbvios, é incapaz de se comprometer totalmente com a heroína e deve esconder suas motivações. Quando a ama­da descobre os seus segredos – e em praticamente todas as historias românticas de vampiro isso acon­tece – , ela quase sempre reconhe­ce uma centelha de bondade no morto-vivo à qual o redime.

Mas o vampiro e sua amante têm que enfrentar uma questão extremamente difícil: o fato de pertencerem a mundos totalmente diferentes. A confiança se torna, então, a chave dessas histórias. A heroína coloca, em um gesto in­comensurável de amor, sua vida nas mãos de alguém com o poder de, em um momento de fraque­za, destruí-Ia. Em alguns casos, a amada, atraída pela promessa de vida eterna, entra no mundo de seu amante e se torna uma vam­pira. Em outras, aprende a acei­tar e a viver com essa condição, como no romance Midnight f(jss, de Nancy Gideon.

Um paralelo ao tema do vam­piro romântico e sua amada pode ser traçado com a lenda europeia A Bela e a Fera. Na história recolhi­da por Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, uma bela donzela é mantida prisioneira por um prín­cipe que, de tão cruel, foi trans­formado em monstro por uma bruxa. A jovem acaba cativando o coração da fera, que se redime e se transforma, encontrando em si a humanidade que perdera. Da mesma forma, o vampiro, amal­diçoado pela sua condição de vi­ver em um limiar entre a vida e a morte – portanto, nem vivo nem morto -, descobre na mulher sua redenção. E, então, cai o pano .




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CRISTIANISMO, SATANISMO E VAMPIRISMO.

Os deuses deliberam sobre o que fazer com o trabalho,

um deles tem a idéia de criar uma raça de escravos que

produziria cultos, imagens, oferendas e sacrifícios. Desta

forma foi criada a raça humana.

Lenda da Mesopotâmia, 2500 a . C.

O cristianismo, da forma que o conhecemos, é uma das religiões mais vampíricas que existem, alimentando-se da energia dos seus fiéis, seja dos donativos financeiros ou da energia gerada por inúmeras práticas antinaturais. Vamos tomar por base os sete pecados capitais, que estão intrinsecamente associados à vida quotidiana e à natureza humana. Você tem diante de si um manjar extremamente saboroso, seu prato predilecto; você está em bom estado de saúde, o peso compatível, enfim, nada que o proíba de se lançar com toda a gula sobre o prato delicioso, mas “Deus” o proíbe (como se Deus não tivesse coisas mais importantes com que se se preocupar).

Outro exemplo: você saiu para dançar e se depara com aquela linda mulher ou aquele belo homem (de acordo com o gosto de cada um). Uma atracção mútua acontece, os corpos clamara pela pele do outro, beijos ardentes são a decorrência natural, as mãos passeiam nas curvas do corpo do parceiro. Um quarto, um banheiro, uma sala solitária, um local para ficar a sós. A luxúria é pecado, e, em tempos de AIDS, fazer sexo sem preservativo uma loucura — problema duplo, pois o Papa condenou o uso da camisinha.

Projectando-nos em plena Idade Média, em qualquer rincão da Europa, a primeira coisa que vemos ao longe é o campanário das igrejas, a casa de Deus, diferente dos dias de hoje, em que vemos os prédios, a casa do homem. O toque dos sinos chama os fiéis cordeiros para a missa, em latim, é claro, herança dos romanos (pena que só sobrou isso da velha e devassa loba); a vida era dura, pelo menos para os fiéis, pois a Igreja era poderosíssima, senhora de terras e de opulentas riquezas que contrastavam com a miséria reinante.

Ter posses, dinheiro, era pecado, então nos apressávamos em doá-lo à Igreja — o caminho para o céu poderia ser comprado, e o Papa era infalível. Quem já leu Umberto Eco, O Nome da Rosa, terá uma imagem premente em sua mente. As antigas festas pagas foram marginalizadas, a bruxaria e os sabás considerados obra do Demónio; como já falamos no início deste capítulo, o natural é errado e mau — este é um “Deus” masculino e infantil a brigar com sua mãe natureza.

Uma pessoa comum estava em eterna luta entre seus apetites e o status religioso imposto pela igreja. Isso gerava um enorme sentimento de culpa, quebrando energeticamente a pessoa; seu poder de decisão era transferido para a Igreja, a pessoa abdicava do que há de mais divino em cada um de nós, a nossa vontade. Essas pessoas funcionavam como baterias que carregavam a egrégora vampírica da Madre Igreja. Toda a energia represada, castrada, era lançada em busca de redenção, justamente para a entidade que criava o suplício, a igreja. Dessa forma ela acumulou fiéis, terras, poder político, mas, acima de tudo, energia espiritual, um gigantesco vampiro, no aspecto mais baixo (no sentido de degradante) que a palavra possa ter.

Não estou querendo ser epicurista, ou pregar apenas o saciamento das paixões e desejos, o que digo é deveras diferente: quando um iniciado não come determinado alimento, ou jejua, não faz sexo, etc, ele ou ela (iniciado) está buscando um determinado fim — é como estudar para o vestibular. Temos que abdicar de algumas coisas para o nosso fim, e não porque estas coisas sejam más ou do “Demónio”. Como disse Oscar Wilde, a melhor forma de se livrar de uma tentação é cair nela, e somente seremos donos e senhores de algo conhecendo-o e não fugindo dele — aprende-se a andar de bicicleta andando. Um ser humano deveria testar suas capacidades, conhecer os seus limites, aí sim ele poderia se dizer livre, caso contrário ele será corno uma criança que os pais impedem de fazer isso ou aquilo por ser errado. Um bom exemplo foi Aleister Crowley: fez de tudo na vida sempre em busca de seus limites, fossem eles físicos, pois foi um grande alpinista, mentais, um grande enxadrista, ou espirituais.

Mas a era cristã não teve apenas escória como sua representante. Grandes místicos constam de seus quadros: São João da Cruz ou Santa Tereza, sem esquecer de Francisco de Assis e Inácio de Loyola. Eles foram fiéis representantes de uma era que acabou (e morre lentamente), o fim do Aeon de Peixes.

O cristianismo tem suas origens nos cultos dionisíacos e mitraicos, a sublimação, a busca pelo inatingível, o sofrimento como caminho iniciático, o colectivo em detrimento do individual. Uma lenda que passa bem o espírito original do cristianismo é a lenda de Orfeu. Orfeu foi músico e poeta, ajudou a todos que pôde sem, contudo, poder ajudar a si mesmo, e a ele são atribuídas inúmeras curas. Com o poder de sua música contagiava as pessoas, transmitindo amor e paz, e até as feras se prostravam para ouvi-lo. Foi personagem na expedição dos argonautas atrás do velocino de ouro, tendo salvado todos com o poder de sua música, quando eles se defrontaram com as sereias.

Na volta se casou, mas um infortúnio o esperava: sua bela esposa Eurídice foi picada por uma cobra e morreu, e ele, inconformado, vai até o Hades em busca de sua amada (sua música foi a chave utilizada).

Por onde ele passava nos sombrios domínios do submundo, sua música encantava a todos os horrores, as Moiras por um fugaz momento pararam de tecer, Cérbero, o cão de três cabeças de Hades, deitou-se ao embalo da suave música e as Harpias, seres rapaces e sanguinários, ficaram imobilizadas pela bela música. Por fim ele chegou até o poderoso Hades, regente do submundo e sua mulher Perséfone, e fez o pedido: queria poder reaver sua amada. Hades concorda, mas com a seguinte condição: ele não poderia olhar para trás até sair do submundo. Orfeu começa sua jornada de volta, mas a dúvida e a insegurança o invadiram, e, temendo ter sido enganado por Hades, ele se vira e vê sua amada pela última vez, e para nunca mais.

Uma dor atroz o acompanhou por toda a vida, e para remediá-la ele pregou por todo o mundo, levando sua palavra de amor. Condenava os sacrifícios e pregava uma vida mais frugal, tornando-se assim um pregador espiritual. Seu fim foi trágico: muitos julgavam que ele queria se tomar um deus, e por isso teria sido despedaçado e morto. Algumas lendas atribuem a Dionísio a sua morte, pois o deus havia ficado enciumado de Orfeu. Por sua compaixão e bondade, Orfeu foi sempre lembrado; também por seu amor incondicional e o sacrifício pelo próximo, e por não poder ajudar a si mesmo e escapar do fim terrível. Essa lenda ilustra as raízes do cristianismo e o que ele tinha de melhor, se esquecermos dos gnósticos, antes de sua secularização e total deturpação, seja do passado ou do presente, seja de católicos ou de protestantes.

O fundador do cristianismo, Jesus, quer tenha existido ou não, sabia perfeitamente dos arcanos secretos do Vampirismo, daí a preocupação com seu sangue. O ato de beber esse sangue conferia a capacidade de comungar com o Cristo (nesse caso, Jesus). A própria morte de Jesus é bastante esclarecedora; reza a lenda que o espinheiro, planta usada contra bruxas e Vampiros, foi usado na confecção da coroa de espinhos. Os cristãos atribuem a eficácia do uso de plantas espinhosas contra bruxas e vampiros devido à coroa de espinhos de Jesus Cristo. Mas essa crença é bem anterior ao cristianismo.

Seleccionei algumas passagens da vida de Jesus interessantes para o nosso estudo.

(Mateus 27:51 a 54) E eis que o véu do santuário se rasgou de alto a baixo em duas partes; a terra tremeu e fenderam-se as rochas; abriram-se os túmulos e muitos corpos de santos ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, vieram à cidade santa e apareceram a muitos. O oficial romano e os que com ele guardaram Jesus, vendo o terremoto e tudo quanto sucedera, ficaram com muito medo e diziam: “Verdadeiramente, este era filho de Deus”.

(Mateus 28:5 a 7) O anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: “Não tenhais medo. Sei que procurais Jesus, o crucificado. Não está aqui, ressuscitou, conforme tinha dito”. A mim o sangue e o corpo, a morte e a ressurreição, a ressurreição da carne.

A Igreja, exímia em criar formas de estabelecer o seu poder, usou, entre os vários elementos, dois muito relevantes ao Vampirismo: a excomunhão e o exorcismo. Antes de tratar deles directamente, faz-se mister esclarecer alguns pontos. O poder mágico de qualquer ritual reside mais no operador do que na fórmula utilizada (é claro que existem as fórmulas poderosíssimas, como o enoquiano, zos kia e, claro, magick. Mas o operador, o magista, é o elemento mais importante no ritual.) Para que o exorcismo ou a excomunhão surtisse efeito, era necessário que a vítima deles estivesse sob a influência do cristianismo.

A criança, ao nascer, sofre indefesa o baptismo, e daí em diante são implantados nela toda a sorte de dogmas. Quando adulto, o universo pessoal e, consequentemente, mágico, está repleto desses ícones, e por mais que ele às vezes transgrida as leis religiosas, no seu interior há algo que o acusa.

Dessa forma, a Igreja tem os elementos perfeitos para exercer o seu poder. Essa prática foi usada ao extremo por católicos e protestantes. Independentemente de a maior parte ser simplesmente teatro (o leitor, em suas madrugadas insones, deve ter tido amostras televisivas disso), nos casos verídicos os demónios envolvidos são crias do próprio cristianismo. No mito do vampiro, isso é claro, e o número de casos de vítimas de excomunhão que se tornam vampiros é enorme. Quem vem “salvar a comunidade”? A própria Igreja criadora do problema — muito curioso.

Havia um ponto de discórdia entre católicos romanos e ortodoxos: a incorruptibilidade dos corpos. Para o romano, prova de santidade; para o ortodoxo, maldição. Para o vampirologista Dom Augustin Calmet, o vampiro era obra do diabo, que se apossava do corpo do morto para práticas vampíricas. Menciona a excomunhão como um dos elementos que podem tornar alguém um vampiro. Ele escreveu um livro, Dissertation sur les Aparitions des Anges, des Démons et des Esprits, et sur les Revenants et Vampires de Hungrie, de Bohême, de Moravie et de Silésie, em que trata da problemática do vampiro. Nesse livro, relata, por exemplo, que era comum pessoas mortas há anos aparecerem em festas, ocasionando mortes de outros participantes.

Leone Allaci publicou em 1645 suas observações e teorias a respeito do vampirismo. Seu foco foi a Grécia, sua terra natal. Também para ele, o diabo é um elemento decisivo para o fenómeno do vampirismo. O diabo (vampiro) sai em sua ronda nocturna por aldeias e vales, passando pelas habitações. Ele então chama as pessoas pelo nome, e quem responde morrerá brevemente. O Vrykolakas chama uma única vez. O vampirologista Leone Allaci estudou o poder da excomunhão e da absolvição, convencendo-se amplamente de seu poder. Giuseppe Davanzati foi um crítico da histeria sobre o vampirismo, tentando desmistificar o fenómeno. Ele escreveu, na cidade de Nápoles, o livro Dissertazione sopra i Vampiri. E praticamente impossível falar de cristianismo institucionalizado sem falar do Diabo, e da obra de Satã. Aqui nos restringimos à óptica cristã, e não nos referiremos aos cultos setianos ou a Shaitan, que são tão antigos quanto o tempo.

A ligação entre o vampirismo e o satanismo é evidente para muitas pessoas. Para a teologia cristã, o vampiro era uma entidade que andava à margem da graça de Deus. Consequentemente, nos domínios de Satã. Já em 1645, Léo Allatius escreveu o primeiro livro que tratava do vampirismo, o que nos faz imaginá-lo como um assunto que preocupava algumas comunidades paroquiais. A Inquisição da igreja cristã foi o elemento que jogou de vez tanto a bruxaria quanto o vampirismo para o lado do satanismo.

Voltando à descrição de Allatius, que estudou profundamente o vampirismo na Grécia, o vampiro grego (Vrykolakas) era definido como tendo o corpo incorruptível, não sofrendo a putrefação natural. Quando esse fenómeno de não-putrefação ocorria, o clérigo local era chamado, por tratar-se de obra demoníaca. O padre fazia algumas preces à Virgem Maria e, novamente, oficiava o funeral do corpo em questão. Allatius retirou essa descrição de escritos de data desconhecida.

É interessante notar que o próprio Allatius descrevia os vampiros como aliados do Príncipe do Mal. Para ele, os demónios reanimavam os corpos dos defuntos. Esse pensamento de Allatius não é, de nenhuma forma, sui generis. Em Montenegro, o vampiro era o corpo de um morto possuído por maus espíritos.

Como já vimos, o Baital indiano era o vampiro-demônio que animava cadáveres para suas actividades.

Cascarrões de defuntos são possuídos por Qliphoth, que se aproveitam das memórias do morto para seus fins nefastos. O vampiro satânico, para a mentalidade católica, seria sujeitado pelos ícones sacros (ou ortodoxos) dos católicos, ou seja, água benta, crucifixos, hóstia, etc. Na verdade, o que notamos por nossa experiência é que qualquer símbolo religioso terá a força da egrégora da religião da qual provém, aliado à força humana que projeta o divino através desse símbolo. Consequentemente, essas são armas poderosas contra forças antagónicas.

Dom Augustin Calmet fez um amplo estudo sobre os casos de vampirismo na Europa Oriental e tinha a mesma opinião de Allatius, ou seja, também pensava que os demónios animavam o corpo dos mortos.

Seus trabalhos foram lidos em toda a Europa. Os Vampiros existem, e são obra de Satã, são corpos reanimados pelo demónio, segundo ele. Léo Allatius cita o Malleus Maleficarum {O Martelo das Maléficas, um guia de caça às bruxas), no qual as mesmas regras para a existência da bruxaria eram aplicadas ao Vampirismo, ou seja, a permissão de Deus (muito engraçado, em qualquer tribunal humano Deus seria cúmplice). O diabo é um cadáver; no caso da bruxaria, eram a mesma coisa, colocando-se a bruxa no local do cadáver. Dessa forma, o Vampiro anda pelo mundo aquém da misericórdia de Deus (antes só do que mal acompanhado, afinal o Deus cristão, com suas ignomínias, pedindo crianças cm sacrifício ou apostando e tomando parte na obra do diabo, para depois condenar à danação o infeliz pecador, não me parece uma companhia agradável). Dessa forma, o Vampiro estava atado a Satã, o opositor de Deus.

A Igreja Católica Apostólica Romana, e a Ortodoxa também, preocupava-se com a mutilação que a caça aos Vampiros estava produzindo em inúmeros cadáveres, pois esses corpos de cristãos estavam à espera da ressurreição. Bem, quase todos, devido à peste de Vampiros que assolou a Europa no século XVII, é de se imaginar que alguns ressuscitaram por conta própria. Drácula, de Bram Stoker, deixa clara a origem satânica de seu vampiro. Por crer que seu deus o havia traído, o príncipe Vlad o renega e amaldiçoa a cruz criando, dessa forma, uma aliança com as trevas e Satã. É interessante notarmos que Stoker foi membro da Golden Dawn (Aurora Dourada, a mesma à qual Crowley pertenceu), uma das mais importantes ordens mágicas de todos os tempos. Nela, ele entrou em contacto com a magia, a cabala, as técnicas de viagem astral e inúmeros eventos fantásticos.

Outra fonte de Stoker foi o livro de Emily Gerard, The Land Beyond the Forest (A Terra Além da Floresta). Nesse livro, fala-se a respeito de uma escola na Transilvânia, que era presidida por Satã em pessoa. O vampiro era naturalmente associado aos íncubos e súcubos, demónios noturnos que tentavam os fiéis com o pecado da luxúria. Para o imaginário medieval, havia uma entidade que seduzia e levava as mulheres a realizar actos sexuais enquanto dormiam. Essa entidade, com aparência masculina, era o incubo. Ele poderia se transformar num súcubo, que era a sua contraparte feminina. Para outros, súcubos e incubo eram entidades distintas. Mas, seja como for, a sua maneira de agir era inquestionável.

Alguns padres diziam que um demónio poderia assumir a forma de um súcubo, copular com um homem e utilizar seu esperma para engravidar uma mulher, visitando-a como um incubo. Tomás de Aquino narrava que crianças eram geradas através dessa prática.

O nome incubo deriva da raiz latina para incubação. Antes do cristianismo, havia a prática corrente de pessoas dormirem nos templos, onde eram visitadas pelas divindades, prática esta que remonta à Mesopotâmia (as mulheres eram visitadas pelo deus Marduk e era praticada a prostituição sagrada).

Ludovico Maria Sinistrari afirma que os “sucos vitais” e a virgindade eram o objetivo de íncubos e súcubos. Os íncubos poderiam tomar a forma de alguém respeitável para a vítima, o que lhe facilitava o ataque. O Papa Silvestre II era conhecido por manter um caso com um súcubo. O envolvimento de grande número de clérigos com o satanismo é evidente; como exemplo nós temos o Abade Beccarelli, que promovia intensas orgias, nas quais curiosamente se fazia uso de artes mágicas para quem quisesse mudar de sexo. Sem falar de uma infinidade de Grimórios atribuídos a Papas como o Grimório do Papa Honório.




ARNOLD PAUL OU PAOLE !!




Arnold Paul (ou Paole) foi um dos mais famosos casos de vampiros do século XVIII. Chegou no meio de uma presumível onda de ataques de vampiros que infernizaram a Europa central desde o fim do século XVII até meados do século seguinte. Esses casos, de um modo geral, e o de Paul, em particular, foram a principal causa do reacendido interesse pelos vampiros em Inglaterra e França, no início do século XIX.

Paul nasceu no início da década de 1700 em Medvegia, a norte de Belgrado. Serviu no exército, no que era chamado de “Sérvia Turca”, e na primavera de 1727 voltou para a sua cidade natal. Paul comprou diversos hectares de terra e estabeleceu-se como agricultor. Foi assediado por uma jovem de uma fazenda vizinha, da qual ficou noivo. Paul era conhecido por ser uma pessoa honesta e de boa índole, sendo bem recebido pelo povo da cidade em seu redor. Entretanto, notou que uma certa tristeza permeava a sua personalidade. Finalmente disse à sua noiva que o seu problema era proveniente dos dias de guerra. Na Sérvia Turca, tinha sido visitado e atacado por um vampiro. No final, matou-o, seguindo-o até o cemitério. Também comeu terra do túmulo do vampiro e cuidou dos ferimentos com sangue do vampiro para se livrar dos efeitos do ataque.

Uma semana depois de ter contado sua história, Paul foi vítima de um acidente fatal, e foi enterrado em seguida.

Após o seu enterro, vieram à tona relatos da aparição de Paul. Quatro pessoas que tinham feito os relatos morreram e o pânico espalhou-se pela comunidade. Os dirigentes decidiram agir para serenar o pânico, desenterrando o corpo para determinar se Paul era ou não um vampiro. O túmulo foi aberto no quarto dia após o enterro. Dois cirurgiões militares estavam presentes quando a tampa do caixão foi removida. Encontraram um corpo que parecia ter sido recém-enterrado. O que parecia ser pele nova estava presente sob uma camada de pele morta e as unhas continuavam a crescer. O corpo foi perfurado e o sangue jorrou. Os presentes acharam que Paul era um vampiro. O corpo foi empalado, ouvindo-se um forte gemido. Foi decapitado e cremado. O caso teria terminado ali, mas não foi o que aconteceu. As quatro outras pessoas que tinham morrido foram tratadas da mesma forma para que não reaparecessem como vampiros.

Em 1731, na mesma área, cerca de 17 pessoas morreram, com sintomas de vampirismo num período de três meses. Os moradores não agiram prontamente, até que uma menina se queixou que um homem chamado Milo, que tinha falecido recentemente, a atacara no meio da noite. Notícias dessa segunda onda de vampirismo chegaram à Viena e o imperador austríaco instaurou um inquérito a ser conduzido pelo cirurgião do Regimento de Campo Johannes Fluckinger. Nomeado a 12 de Dezembro, Fluckinger encaminhou-se para Medgevia e começou a recolher informações do que tinha ocorrido. O corpo de Milo foi desenterrado, descobrindo-se que estava num estado similar ao de Arnold Paul. O corpo foi então empalado e cremado. Como é possível que o vampirismo, erradicado em 1727, tivesse voltado? Foi determinado que Paul tinha “vampirizado” diversas vacas das quais os mortos mais recentes se tinham alimentado. Sob as ordens de Fluckinger, os moradores passaram a desenterrar todos que tinham morrido nos meses recentes. Foram desenterrados quarenta, dezassete dos quais estavam num estado de preservação igual ao do corpo de Paul. Foram todos empalados e cremados.

Fluckinger preparou um relatório completo das suas actividades e apresentou-o ao imperador no início de 1732. O seu relatório foi publicado e tornou-se um best-seller. Em Março de 1932, relatos de Paul e dos vampiros de Medgevia circulavam nos periódicos de França e Inglaterra. Em virtude da natureza bem documentada do caso, tornou-se foco de estudos e reflexões futuras sobre vampiros, e Arnol Paul tornou-se o mais famoso vampiro da época. O caso de Paul foi muito influente nas conclusões a que chegaram tanto Dom Augustim Calmet e Giuseppe Davanzati, dois estudiosos católicos que escreveram livros sobre o vampirismo em meados daquele século.



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