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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CIVILIZAÇÃO FENÍCIA ...






Os fenícios são um povo de origem semita da costa setentrional do mar Vermelho (atual Líbano). Por volta do ano 1000 a.C., cidades-estados instauram a Fenícia como federação, sob a hegemonia de Tiro. Colonizam o sul da península Itálica, parte da Sicília, litoral sul da península Ibérica e norte da África, onde fundam Cartago em 814 a.C. A partir de 800 a.C., a Fenícia faz parte, sucessivamente, do Império Babilônico, do Persa e do Macedônico. Com a queda de Tiro, em 332 a.C., a hegemonia passa para Cartago, que enfrenta os romanos nas Guerras Púnicas. Cartago é derrotada em 146 a.C.

A principal atividade econômica dos fenícios é o comércio marítimo. Realizam grande intercâmbio com as cidades gregas e egípcias e as tribos litorâneas da África e da península Ibérica, no Mediterrâneo. Possuem uma poderosa classe de comerciantes ricos e utilizam o trabalho escravo. A base da organização política são os clãs familiares, detentores da riqueza e do poder militar. Cada cidade-estado é governada por um rei, indicado pelas famílias mais poderosas. Desenvolvem técnicas de navegação e de fabricação de barco, vidro, tecido e artesanato metalúrgico. Criam também um alfabeto, posteriormente adotado com modificações pelos gregos e a partir do qual é instituído o alfabeto latino. Sua religião é politeísta, com cultos e sacrifícios humanos.



História do Povo

Origem do Povo... Os fenícios era semitas pertencentes ao ramo dos cananeus. Sua origem é praticamente desconhecida, mas certamente, não eram autóctones. Segundo o Herótodo, teriam vindo do oceano Índico. É provável que tenham imigrado da região compreendida entre o mar Morto e o Mar Vermelho, mas ainda hoje é esse um ponto discutível. Denominava-se a região onde se estabeleceram, na Síria de Canaã.

Entre si denominavam-se cananeus – e sidonianos. Esses termos são encontrados nos documentos fenícios, assírios, no velho testamento e mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios, assírios, no velho testamento e mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios foi lhe atribuída pelos gregos milênio, que estabeleceram contatos comerciais com Canaã, por volta do fim do II milênio. Originalmente a palavra expressava uma tonalidade de avermelhada, que os gregos acreditavam ver na pele dos fenícios.

Importância histórica dos fenícios. Ao contrário de outros povos da Antigüidade, que se destacam como criadores de formas próprias e inéditas de civilização, os fenícios apresentam-se como expressão de uma cultura sincrética, sem muita originalidade, mas que, imbuída de um senso prático agudo, soube adaptar e aperfeiçoar com êxito conquistas alheias. A concretização mais significativa desse traço foi, sem dúvida alguma, invenção do alfabeto de 22 letras, que veio substituir o intricado sistema hieroglífico ou cuneiforme utilizado na época. O alfabeto fenício – seu maior legado para a cultura ocidental – nasceu pela necessidade de existência de um meio de comunicação e documentação e documentação simplificado, dado ser o comércio a atividade básica do povo.

Atividade comercia; intensa transformou os fenícios em importantíssimos transmissores de culturas de umas regiões para outras, as quais, por via direta, talvez só muito mais tarde tivessem estado em contato. Na própria antigüidade , escritores como Herótodo, Tucídides, Estrabão e outras já salientavam o papel relevante dos fenícios como intermediários na divulgação de técnicas e de idéias. Para o geógrafo Estrabão, por exemplo, os fenícios seriam a fonte utilizada para compor as rotas constantes da Odisséia.

De outro lado, os fenícios diferenciam-se por terem constituído, não um Estado unificado, mas uma cultura peculiar, subordinada a traços comuns de língua, religião, tendências, interesses e uma mentalidade pragmática característica, estivessem ele em Sídon ou na Sicília.

Os fenícios eram semitas pertencentes ao ramo dos cananeus. Sua origem é praticamente desconhecida, mas, certamente, não eram autócnes. Segundo Heródoto, teriam vindo do oceano Índico. É provavel que tenham emigrado da região compreendida entre o mar morto e o mar vemelho, mas ainda hoje é esse um ponto discutível. Denominavam a região onde se estabeleceram, na Síria, de canaã. Entre si denominavam-se cananeus – apesar de terem desenvolvido um tipo de vida totalmente diverso do dos cananeus do interior – e sidonianos. Esses termos são encontrados nos documentos fenícios, assírios, no velho testamento e o mesmo em passagens de Homero. A designação de fenícios foi lhes atribuída pelos gregos micênicos, que estabeleceram contatos comerciais com Canaã, por volta do fim do II milênio. Originalmente a palavra expressava uma tonalidade avermelhada, que os gregos acreditavam ver na pele dos fenícios.



Localização

A fenícia correspondia à maior parte do litoral do Líbano atual. Ao sul, seus limites alcançavam o monte Carmelo, e, em algumas ocasiões, até mesmo Dor ou Jaffa; na região norte limitavam-se com o território da cidade de Árado; a leste com a cadeia do Líbano e a oeste com o mar. Essa posição geográfica, nas proximidades de importantes áreas de civilização, o pequeno território de que dispunha para a agricultura, a costa acidentada e a presença de grande quantidade de madeira na região montanhosa determinaram, em parte, o rumo tomado pelo seu desenvolvimento histórico – voltado para o mar, sujeito às dominações políticas de grandes potências, sem unificação política e economicamente baseado no comércio e na indústria.



Economia e expansão marítima

A agricultura e a pecuária eram importantes para a sobrevivência dos fenícios, mas suas principais atividades econômicas se concentravam no comércio e no artesanato. Com as excelentes madeiras de suas florestas, construíam navios. Fabricavam jóias de âmbar, ouro, prata e marfim. Produziam o vidro transparente e descobriram a púrpura, matéria corante vermelho- escuro que usavam para tingir tecidos. Essas manufaturas, bem como suas madeiras, eram comerciadas do mar Negro até o Egeu.

Os fenícios eram exímios navegadores, em função de suas atividades comerciais. Em suas viagens, orientavam-se durante o dia pelo sol e durante a noite pela Ursa Maior. Utilizavam em seus barcos a combinação de remos e velas, o que lhes proporcionava maior velocidade. Comerciavam todas as "mercadorias" imagináveis ( inclusive escravos) e isso fez com que navegassem a lugares muito distantes para a época.

Os comerciantes de Tiro chegaram à ilha de Malta, onde estabeleceram uma de suas principais bases. Fundaram colônias desde a Sicília até o estreito de Gibraltar, destacando-se Cartago. Adotavam três sistemas para o estabelecimento de bases comerciais: simples entrepostos, associação com outros povos e colônias de dominação.

Segundo Herótodo, esse povo foi o primeiro a contornar o continente africano, a serviço do faraó Necao.




Cultura e Religião

A constante presença de potências estrangeiras na vida cultural da Fenícia parece Ter sido a causa de sua pouca originalidade: as sepulturas fenícias, por exemplo, eram decoradas com motivos egípcios ou mesopotâmicos. Apesar de serem mais habilidosos que criativos, foram encontradas, na biblioteca de Ugarit, pequenas tábuas de argila contendo documentos administrativos, cânticos religiosos, hinos e textos mitológicos que trouxeram maiores informações sobre as crenças religiosas desse povo.

Os fenícios erguiam altares nas partes mais altas de suas cidades para sacrificar pequenos animais em oferenda aos deuses. Esses deuses representavam fenômenos da Natureza: El dagon representavam os rios e anunciava as chuvas: Baal era o deus das alturas, tempestades e raios: Ayan e Anat, filhos de Baal, representavam as águas subterrâneas e a guerra, respectivamente. Os fenícios tinham deuses comuns, embora com nomes diferentes em cada local; por exemplo, na cidade de Tiro Baal era demoninado Melgart.

Como comerciantes, os fenícios desenvolveram o espírito prático. Para facilitar os registros necessários aos seus negócios, criaram, a partir, principalmente, dos cuneiformes mesopot6amicos e da escrita egípcia, um novo sistema de escrita, muito mais simples e prático. Era uma escrita fonética e serviu de base para o alfabeto grego e, posteriormente, para o alfabeto atual.




FENÍCIA

Os fenícios assimilaram as culturas do Egito e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas orientais da península ibérica. O maior legado que deixaram foi um alfabeto do qual derivam os caracteres gregos e latinos.

Chamou-se Fenícia à antiga região que se estendia pelo território do que mais tarde seria o Líbano e por parte da Síria e da Palestina, habitada por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute) e Árado foram as suas cidades principais. O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke ("país da púrpura" ou, segundo alguns, "terra das palmeiras"). Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani, "mercador".

História. Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 3000 a.C. Sua origem é obscura, mas sabe-se que eram semitas, procedentes provavelmente do golfo Pérsico. No começo, estiveram divididos em pequenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâmia e do Egito. Apesar de submetidos, os fenícios conseguiram desenvolver uma florescente atividade econômica que lhes permitiu, com o passar do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemônicas do mundo banhado pelo Mediterrâneo.

A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio iniciou-se com a IV dinastia (2613-2494, aproximadamente), e é notada pela grande quantidade de objetos de influência egípcia encontrados nas escavações arqueológicas. No século XIV a.C., a civilização grega de Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado. As invasões dos chamados povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâneo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egito e Creta começavam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima.

A cidade de Tiro assumiu o papel hegemônico na região. Em pouco tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior, comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes. Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Mediterrâneo, onde fundaram muitas colônias e feitorias.

Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito mantinham contato, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca). A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colônias permanentes. No sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assentaram-se colônias comerciais estáveis, assim como no Egito, sobretudo no delta do Nilo.

O Mediterrâneo ocidental foi, no entanto, a região de maior atração para os fenícios, que mantiveram relações econômicas com Creta, mas a presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios tinham-se estabelecido em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais Cartago. Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C., foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior. Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C.

O esplendor econômico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir do século IX a.C., quando a Assíria, que precisava de uma saída para o mar a fim de fortalecer sua posição política no Oriente Médio, começou a introduzir-se na região. O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a Tiro, Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação assíria obrigou as cidades fenícias a firmarem uma aliança: em meados do século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para enfrentar os assírios, aos quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de independência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também submetidos à influência assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro no início do século VII a.C., mas foram vencidos.

No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilônia no Oriente Médio. O rei babilônico conquistou a região da Palestina e, depois de longo assédio, submeteu Tiro em 573 a.C. A Pérsia substituiu a Babilônia em 539 a.C. como poder hegemônico. A partir de então, Sídon passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com o império persa contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do controle comercial do Mediterrâneo. Os persas incluíram a Fenícia em sua quinta satrapia (província), junto com a Palestina e Chipre. Sídon procurou então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se acentuou na Fenícia.

No século IV, o macedônio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; mais uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, mas, esgotada por anos de lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre em 322 a.C. Depois da derrota, toda a Fenícia foi tomada pelos gregos. Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da província da Síria, em 64 a.C.

Economia. A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguidade. Suas cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia os mais distantes mercados. Objetos de madeira talhada (cedro e pinho) e tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a famosa púrpura de Tiro, extraída de um molusco, foram as manufaturas fenícias de maior prestígio e difusão. Também eram muito procurados os objetos de metal; o cobre, obtido em Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em objetos suntuários e em jóias de fino valor. Os trabalhos em marfim alcançaram grande perfeição técnica na forma de pentes, estojos e estatuetas. Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do vidro e aperfeiçoaram-na para confeccionar belos objetos.

O comércio se fez principalmente pelo mar, já que o transporte terrestre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência contribuiu para desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os transformou em hábeis navegadores.

Sociedade e política. Para a construção de suas cidades e feitorias, os fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da navegação. Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que permitiam aos barcos atracar com facilidade e penínsulas abrigadas. As cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os edifícios chegavam a uma altura considerável.

A classe dos comerciantes ricos exercia o domínio político em cada cidade, governada por um rei. A diversidade arquitetônica das casas fenícias que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferenciação social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores artesanais e agrícolas.

Religião. A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Oriente Médio, embora também apresentasse características e influências de religiões e crenças de outras áreas como o mar Egeu, o Egito e mais tarde a Grécia, em conseqüência dos contatos comerciais.

A religiosidade se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A divindade principal era El, adorado junto com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. As cidades fenícias tinham ainda divindades particulares; Melqart foi o deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao Ocidente, concretamente a Cartago e Gades.

Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças. Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estelas decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas freqüentemente herdavam da família o ofício sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.

Cultura e arte. A civilização ocidental deve aos fenícios a difusão do alfabeto, cuja origem é incerta. Povo pragmático por natureza, os fenícios parecem haver adotado e simplificado formas de escrita mais complexas, talvez de procedência egípcia, para criar um alfabeto consonântico de 22 letras, que se escreviam da direita para a esquerda. Os gregos foram os primeiros a receber essa importante herança fenícia, que remonta ao século XIV a.C.; a exemplo dos latinos e outros povos da antiguidade, transformaram esse alfabeto e lhe incorporaram as vogais.

A arte fenícia constituiu um sincretismo de elementos egípcios, egeus, micênicos, mesopotâmicos, gregos e de outros povos, e tinha um caráter essencialmente utilitário e comercial. A difusão dos objetos fenícios pelo Mediterrâneo contribuiu para estender as influências orientalizantes à arte dos gregos, dos etruscos, dos iberos e outros. A peça mais destacada da escultura fenícia é o sarcófago de Ahiram, encontrado em Biblo, cuja decoração apresenta motivos talhados em relevo.



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Os fenícios, povo de origem semítica, de gênio aventureiro e traficante, foram os maiores propagadores da civilização, através das suas viagens marítimas.

Eles habitavam ao sopé do Líbano, ou entre o Líbano e o mar Mediterrâneo. Vivendo entre o mar e as montanhas e atacados pelos assírios, os fenícios viram-se obrigados a transpor os mares. A principio não se afastaram das costas do Mediterrâneo, mas depois, com auxilio das madeiras de suas montanhas, construíram possantes naus e aventuraram-se aos mares.

Alongando-se de ilha em ilha, transpuseram as colunas de Hercules, lançaram-se no mar tenebroso e prosseguiram até a Inglaterra.

Ambiciosos e muito corajosos, não temiam os perigos do mar e muitas vezes ao faltar alimento, eram forçados a acostar e plantar para depois colher e prosseguir viagem.

Em suas aventuras, os fenícios extraiam cobre da ilha de Chypre, mármore das ilhas do Arquipélago, e iam até ao Cáucaso, de onde traziam ouro, cobre e escravos para vender na Babilônia e no Egito.

A sua civilização foi inteiramente babilônica e adotavam todos os costumes desse povo.

Por muito tempo a sua escrita foi cuneiforme; mais tarde, quando o desenvolvimento do seu comércio exigiu meios mais fáceis de registrar as suas operações, é que adotaram a escrita dos egípcios, a qual simplificaram e criaram o alfabeto com 22 letras. Transmitidas Estas aos gregos, deram origem ao nosso alfabeto.

Não cultivavam as letras, e artes e ciências, senão enquanto estas lhes interessavam comércio e a navegação, pois foram sobretudo comerciantes e navegadores e os primeiros fundadores de colônias.

Os seus principais portos eram Biblo, Sidon e Tiro e depois, navegando muito para o ocidente fundaram Cartago, cuja fundação é atribuída a Elisa, irmã de Pigamalião.

Os fenícios eram povos que viviam parasitariamente, pois iam com suas mercadorias ás cidades vizinhas e Quando estas eram fracas, roubavam e incendiavam a cidade, deixando assim na miséria os seus habitantes. Não era com desejo de melhorar a civilização ou melhor de propagá-la que os fenícios empreendiam suas viagens, era apenas pela ambição de riqueza; e entretanto, são cognominados "educadores dos bárbaros da Europa".



FENÍCIOS NO BRASIL

Um pouco da história dos Fenícios

Os fenícios estabeleceram-se nas margens orientais do Mediterrâneo, na fina e fértil faixa situada entre o mar e os montes Líbano e Antilíbano. A pequenez de seu território, a presença de vizinhos poderosos, e a existência de muita madeira de cedro (boa para a construção naval), nas florestas das montanhas, parecem ter sido fatores adicionais que orientaram a civilização fenícia para o mar.

Construiram frotas numerosas e poderosas. Visitaram as costas do norte da África e todo o sul da Europa, comerciaram na Itália, penetraram no ponto Euxino (mar Negro) e sairam pelas Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar), tocando o litoral atlântico da África e chegando até as ilhas do Estanho (Inglaterra).

Comerciando sempre, construiram entrepostos e armazéns ao longo de suas rotas. Quando podiam saqueavam e roubavam, mas evitavam os enimigos poderosos, que preferiam enfraquecer mais pelo ouro do que pela espada. Seus agentes e diplomatas não eram estranhos a quase todas as guerras travadas na época, e delas tiravam bom proveito. Fizeram o périplo africano, seguindo em sentido inverso ao caminho que percorreria Vasco da Gama muito mais tarde. E as provas se acumulam para confirmar que atravessaram o Atlântico e visitaram o novo continente. Os fenícios navegavam utilizando a técnica de orientação pelas estrelas, pelas correntes marinhas e pela direção dos ventos, e seguindo esses indícios seus capitães cobriam vastas distâncias com precisão. Já eram influentes por volta do ano 2000 a.C., mas seu poder cresceu com Abibaal (1020 a.C.) e Hirã (aliado de Salomão). Biblos, Sidon e Tiro foram sucessivamente capitais de um império comercial de cidades unidas antes pelos interesses, costumes e religião do que por uma estrutura política mais rígida.



Sobre o Brasil

O Brasil está repleto de indícios comprobatórios da passagem dos fenícios, e tudo indica que eles concentraram sua atenção no nordeste. Pouco distante da confluência do rio Longá e do rio Parnaíba, no Estado do Piauí, existe um lago onde foram encontrados estaleiros fenícios e um porto, com local para atracação dos "carpássios" (navios antigos de longo curso).

Subindo o rio Mearim, no Estado do Maranhão, na confluência dos rios Pindaré e Grajaú, encontramos o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense Raimundo Lopes escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios.

No Rio Grande do Norte, por sua vez, depois de percorrer um canal de 11 quilômetros, os barcos fenícios ancoravam no lago Extremoz. O professor austríaco Ludwig Schwennhagen estudou cuidadosamente os aterros e subterrâneos do local, e outros que existem perto da vila de Touros, onde os navegadores fenícios vinham a ancorar após percorrer uns 10 quilômetros de canal. O mesmo Schwennhagen relata que encontrou na Amazônia inscrições fenícias gravadas em pedra, nas quais havia referências a diversos reis de Tiro e Sidon (887 a 856 a.C.).

Schwennhagen acredita que os fenícios usaram o Brasil como base durante pelo menos oitocentos anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência lingüística entre os nativos.

Nas entradas dos rios Camocim (Ceará), Parnaíba (Piauí) e Mearim (Maranhão), existem muralhas de pedra e cal erguidas pelos antigos fenícios.

Apollinaire Frot, pesquisador francês, percorreu longamente o interior do Brasil, coletando inscrições fenícias nas serras de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia. As inscrições reunidas são tantas que "ocupariam vários volumes se fossem publicadas", segundo declaração do próprio Frot.

Sua tradução faz referência às obras dos fenícios no Brasil, à atividade comercial que aqui vinham exercer e ao afundamento da Atlântida. Algumas inscrições revelam que, em virtude dos abalos sofridos, os sobreviventes da Atlântida foram para o norte da África fundar os impérios do Egito e várias nações do Oriente Médio. Falam ainda do dilúvio bíblico que, segundo eles, não foi universal, mas apenas um cataclisma local, na Mesopotâmia, fato esse que os cientistas aceitam hoje em dia.

A condição de potência econômica, de cujo comércio as demais dependiam, deu à Fenícia uma certa estabilidade que lhe permitiu existir tanto tempo sem possuir fortes exércitos. Sobreviveu à hegemonia egípcia, síria e assíria, e depois também ao domínio persa. Eis que finalmente chegou um elemento racialmente estranho, na forma dos invasores da Europa, e a Fenícia finalmente baqueou, primeiro sobre a invasão dos gregos de Alexandre magno e depois debaixo do poderio das legiões romanas.

Com a guerra, interrompeu-se o comércio, e as colônias e entrepostos distantes, abandonados à própria sorte, começaram a ser destruídos pelas populações locais. Naquelas regiões, por demais afastadas para permitir a volta à metrópole, as populações regrediram a um estado primitivo. Isto é apenas teoria, mas explicaria os selvagens louros e de constituição física diversa que encontramos em algumas tribos indígenas brasileiras da Amazônia. Explicaria também a pele clara e o grande número de vocábulos fenícios no linguajar dos índios tiriós.

Cartago, a maior das colônias da Fenícia, sobreviveu e prosperou até herdar da antiga metrópole o comércio pelo mar. É Heródoto que nos conta que "o Senado de Cartago baixou decreto proibindo sob pena de morte que se continuassem fazendo viagens para esse lado do Atlântico" (Américas) "já que a contínua vinda de homens e de recursos estava despovoando a capital".

E há, finalmente, a famosa inscrição da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, bastante conhecida: Aqui Badezir, rei de Tiro, primogênito de Jetbaal.


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Enquanto Egito e Mesopotâmia colocam-se como grandes impérios que se fundam na Antigüidade, tendemos a nos esquecer de outros povos que hoje, talvez, suas permanências sejam muito mais presentes na nossa própria vida.

A Fenícia, cujo território hoje corresponde ao Líbano, deixou-nos o alfabeto fonético, criado por volta do ano 1.000 a.C., como grande herança.

A importância desse alfabeto reside justamente no fato de se constituir na base dos alfabetos grego e, posteriormente, o latino. Outro fato que convém lembrarmos é que não trata-se apenas de um alfabeto, mas de idioma possível de ser aprendido e pronunciado por outros povos.

O período de apogeu dos fenícios, povo descendente dos cananeus, foi entre 1.200 a.C. até 800 a C. , quando fundaram várias cidades-Estado, entre as quais Arad, Biblos, Ugarit, Sidon e Tiro -- essa última muito citada no Antigo Testamento da Bíblia. Após esse período entraram em declínio e no século VI a. C. caíram sob domínio dos persas.

Notabilizaram-se pela produção de um artesanato de luxo -- jóias, estatuetas, caixas de marfim etc. -- vinculado ao seu comércio, aliás sua principal atividade econômica.

O último baluarte fenício, Cartago, caiu sob o domínio de Roma, vitoriosa nas Guerras Púnicas.

Outro povo que mantém sua presença entre nós são os hebreus (judeus ou israelitas). Não há como ignorarmos todo o atual conflito no Oriente e no qual o Estado de Israel está diretamente envolvido.

Israel é o primeiro nome dado ao Estado fundado , por volta do século XII a. C., pelos hebreus, povo de origem semita. O termos significa provavelmente "aquele que lutou com Deus" , em clara referência ao ancestral Jacó.

A história desse povo é assinalada por uma série, quase que infindável, de conflitos e divisões internas, além das várias anexações pelas quais passaram ao longo do tempo. Porém, o que nos chama a atenção é a presença de uma religião monoteísta que sempre manteve a unidade política desse povo e, atualmente, se coloca como um dos fatores que envolve o conflito com os demais povos da Palestina e Oriente.

Também é pertinente lembrarmos que a ortodoxia na religião hebraica e a insistência na criação de um Estado para os hebreus são causas de divisionismos internos, haja vista, a polêmica entre os hebreus a partir do movimento sionista iniciado em 1897 por Theodor Herzl que redundou na criação do Estado de Israel em 1948.

A Pérsia antiga é uma das civilizações de caráter marcadamente militarista. Geralmente, atribuímos essa característica aos assírios, como se esses fossem os únicos a usar da guerra como meio de constituir um império.

Considerando a história desse povo, desde o início ela se constrói via conquistas militares. Ciro, Aquemênida, é um dos grandes exemplos dessa perspectiva militarista, ao unificar o Planalto Iraniano com a conquista e anexação dos medos. À testa do Estado, manteve essa política, ampliando os domínios do Império ao englobar a Lídia, a Babilônia, Fenícia, Síria, Palestina e Oriente, criando fronteiras que iam até a Índia.

Aliás, a dinastia Aquemênida marca-se pelo expansionismo e o próprio apogeu de sua história identifica-se com o apogeu das conquistas militares.

Sem dúvida, um outro grande momento é o reinado de Dario I que, após reorganizar o exército, se lança sobre o Mundo Grego iniciando as Guerras Médicas, responsáveis pela decadência persa, após o Tratado de Susa.

Se são importantes as conquistas militares, devemos acrescentar, também, as reformas de Dario I ao criar um sistema de estradas interligando o império, ao qual estava vinculado um correio que mantinha o imperador sempre bem informado; a arrecadação de impostos e a criação de uma moeda-padrão cunhada a ouro, o dárico.

A sustentação de toda esse estrutura militar e da suntuosidade da corte, acabaram tornando-se os responsáveis pela derrocada do Império que, para mantê-las, espoliava os povos vencidos e anexados que, obviamente, revoltavam-se não aceitando passivamente a dominação.



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CIVILIZAÇÃO ASSÍRIA ...





Famosos desde os tempos antigos pela crueldade e pelo talento guerreiro, os assírios também se destacaram pela habilidade na construção de grandes cidades e edifícios monumentais, como atestam as ruínas encontradas em Nínive, Assur e Nimrud. Estabelecido no norte da Mesopotâmia, o império assírio foi uma das civilizações mais importantes do Oriente Médio.

Os primeiros povoadores conhecidos da região eram nômades semitas que começaram a levar vida sedentária ao longo do IV milênio a.C. Alguns dados atestam a formação, a partir do século XIX a.C., de um pequeno estado assírio, que mantinha relações comerciais com o império Hitita. No século XV a.C., depois de longo período de submissão ao império da Suméria, o estado assírio, com capital em Assur, começou a tornar-se independente e a se estender. Puzur-Assur III foi o primeiro monarca que, livre da opressão suméria, empreendeu a expansão do reino. Graças ao apogeu comercial, os assírios puderam lançar-se, sob o reinado de Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C., aproximadamente), às conquistas que tanta glória lhes trouxeram.

O soberano concentrou esforços na construção de um estado centralizado, segundo o modelo da poderosa Babilônia. Suas conquistas se estenderam aos vales médios do Tigre e do Eufrates e ao norte da Mesopotâmia, mas foram barradas em Alepo, na Síria. Morto o rei, seus filhos não puderam manter o império em virtude dos constantes ataques de outros povos e dos desejos de independência dos súditos.

A Assíria caiu sob o domínio do reino de Mitani, do qual se libertou em meados do século XIV a.C. O rei Assur-Ubalit I (1365-1330) foi considerado pelos sucessores o fundador do império assírio, também conhecido como império médio. Para consolidar seu poder, estabeleceu relações com o Egito e interveio nos assuntos internos da Babilônia, casando sua filha com o rei desse estado. Depois de seu reinado, a Assíria atravessou uma fase de conflitos bélicos com hititas e babilônios, que se prolongou até o fim do século XIII a.C.

Quem afinal conseguiu impor-se foi Salmanasar I (1274-1245), que devolveu ao estado assírio o poder perdido. Esse monarca estendeu sua influência até Urartu (Armênia), apoiado num exército eficaz que conseguiu arrebatar da Babilônia suas rotas e pontos comerciais. Sob o reinado de Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o império médio alcançou seu máximo poderio. A mais importante façanha do período foi a incorporação da Babilônia, que ficou sob a administração de governadores dependentes do rei assírio. Com as conquistas, o império se estendeu da Síria ao golfo Pérsico.

Depois da morte desse rei, o poder assírio decaiu em benefício da Babilônia. Passado um período de lutas contra os invasores hurritas e mitânios, a Assíria ressurgiu, no fim do século XII a.C., com Tiglate-Pileser I (1115-1077), que venceu a Babilônia numa campanha terrivelmente dura. Após sua morte, a Assíria sofreu o domínio dos arameus, do qual não conseguiu libertar-se até que Adad-Ninari II (911-891) subiu ao trono. Tukulti-Ninurta II (890-884) devolveu à Assíria a antiga grandeza e submeteu a zona de influência dos arameus, no Eufrates médio. Sucedeu-lhe Assur-Nasirpal II (883-859), o mais desumano dos reis assírios, que pretendeu reconstruir o império de Tiglate-Pileser I e impôs sua autoridade com inusitada violência. Foi o primeiro rei assírio a utilizar carros de guerra e unidades de cavalaria combinadas com a infantaria. Seu filho Salmanasar III (858-824), conquistador da Síria e do Urartu, foi igualmente cruel.

O último grande império assírio iniciou-se com Tiglate-Pileser III (746-727), que dominou definitivamente a Mesopotâmia. Sua ambição sem limites o levou a estender o império até o reino da Judéia, a Síria e o Urartu. Salmanasar IV e Salmanasar V mantiveram o poderio da Assíria, que anexou a região da Palestina durante o reinado de Sargão II (721-705). O filho deste, Senaqueribe (704-681), teve que enfrentar revoltas internas, principalmente na Babilônia, centro religioso do império que foi arrasado por suas tropas. Asaradão (680-669) reconstruiu a Babilônia e atacou o Egito, afinal conquistado por seu filho Assurbanipal (668-627). No ano 656, porém, o faraó Psamético I expulsou os assírios do Egito e Assurbanipal não quis reconquistar o país.

Com esse soberano, a Assíria tornou-se o centro militar e cultural do mundo. Depois de sua morte, o império decaiu e nunca mais recuperou o esplendor. Fruto das múltiplas relações com outros povos, a civilização assíria alcançou elevado grau de desenvolvimento. Entre as preocupações científicas dos assírios destacou-se a astronomia: estabeleceram a posição dos planetas e das estrelas e estudaram a Lua e seus movimentos. Na matemática alcançaram alto nível de conhecimentos, comparável ao que posteriormente se verificaria na Grécia clássica.

O espírito militar e guerreiro dos assírios se reflete em suas manifestações artísticas, principalmente nos relevos que decoram as monumentais construções arquitetônicas. Representam, sobretudo cenas bélicas e de caça, em que as figuras de animais ocupam lugar de destaque, como no relevo "A leoa ferida". Também cultivaram a escultura em marfim, na qual foram grandes mestres, como se constata nos painéis de Nimrud, que sobreviveram à madeira dos móveis em que eram originariamente incrustados.

A religião assíria manteve as ancestrais tradições mesopotâmicas, embora tenha sofrido a introdução de novos deuses e mitos. A eterna rivalidade entre assírios e babilônios chegou à religião com a disputa pela preponderância de seus grandes deuses, o assírio Assur e o babilônio Marduk. O império assírio sucumbiu ao ataque combinado de medas e babilônio. Sob as ruínas de uma esplêndida civilização, ficou a trágica lembrança de suas impiedosas conquistas e da ilimitada ambição de seus reis.



A Assíria foi um reino situado na Mesopotâmia, entre os séculos XIII e VII a.C.. Foi fundado por um povo de origem semítica nativo do noroeste da Mesopotâmia.

O vácuo de poder na região criado após o declínio sumério permitiu aos assírios a criação de um estado independente, mas este foi logo suprimido pelo rei Hamurabi da Babilônia. Os assírios assim permaneceram sob poder babilônico até o declínio deste, em meados do século XIII a.C., quando seu rei, Tukulti-Ninurta, conquistou territórios ao sul, abraçando a própria cidade da Babilônia. Em sua extensão máxima, a Assíria extendia-se a leste até as fronteiras do Elão, a oeste até o Egito, ao norte até a Armênia e ao sul até os desertos da Península Arábica.

A religião seguia as bases dos cultos realizados pelos sumérios. Cada cidade era devota de um deus específico (ao qual se associava a sua criação e proteção), e os deuses mais importante do panteão assírio dependia do grau de influência de suas cidades na política interna. Os zigurates permaneceram como o centro cultural, religioso e político das cidades assírias.

A política externa assíria era conhecida por sua brutalidade para com os inimigos. Em muitos casos, atos de selvageria por parte do império assírio foram empregados com o fim de persuadir seus inimigos a entregarem-se sem luta. Registros escritos da época demonstram o temor dos povos adjacentes ao terror assírio. Os governantes assírios caracterizaram-se também pelo tratamento dispendido aos povos conquistados. Para evitar movimentos rebeldes nas regiões conquistadas, os povos vencidos eram capturados, removidos de suas terras, e dstribuidos entre as cidades do império, diluindo seu poder. Nativos assírios e inimigos capturados de outras regiões eram encorajados a ocupar as áreas conquistadas. Esta prática mostrou-se particularmente eficiente, e foi mantida pelos babilônicos, no período subseqüente.

A Assíria é mencionada no Bíblia através do livro de Jonas, quando este profeta recebe de Deus a incumbência de pregar Sua palavra aos habitantes de Nínive, a capital do Império. Posteriormente o relato bíblico cita a Assíria como responsável pela queda do reino de Israel, e pela tomada do baluarte judeu de Laquis, pelas mãos do rei Tiglate-Pileser. No entanto estas conquistas ocorreram já no final do período assírio, desgastado pelas guerras contra o Egito e pela ascenção recente dos medos a leste e dos reformistas babilônicos, ao sul. Em poucos anos, o outrora poderoso império dissolveu-se, sendo rapidamente absorvido por egípcios, babilônicos e medos.




O expansionismo Assírio

Depois de um longo período de obscurantismo, o rei Tiglath-pileser I deu início as expansionismo assírio. No reinado de Tiglath-pileser III( 745-728 a.C.), o Império Assírio se estendeu do Golfo Pérsico às fronteiras do Egito. O apogeu, porém, ocorreu no reinado de Assurbanipal, cujo império se estendia do Nilo ao Cáusaco. Fizeram da guerra sua atividade principal e submetiam os vencidos a horríveis tormentos. Fundaram a cidade de Nínive, que se tornou a sede de seu poderoso império. Minado pela crise interna e pelos levantes dos povos conquistados, o Império Assírio desmoronou. O rei da média, Ciaxares, e o príncipe Caldeu Nabopolassar uniram-se contra os Assírios. A orgulhosa cidade de Nínive caiu no ano de 612 a.C.



ASSÍRIOS



Como a maioria dos povos que reinaram no antigo Oriente Médio, os Assírios, primeiramente um povo de camponeses e guerreiros rudes, tiveram a justiça amplamente baseada no código promulgado no século XVIII a.C., pelo rei Hamurabi, da Babilônia.

A Assíria era essencialmente uma nação de servos que viviam presos à terra que cultivavam; eles podiam ser vendidos juntamente com a propriedade. Deviam obediência à vila mais próxima. Esta, por sua vez, estava presa à cidade pela obrigação de pagar impostos, participar nos festivais religiosos e obedecer os mandatos administrativos. As cidades - dentre as quais as principais eram Assur, Nínive, Erbil e Nimrod - estavam sob a autoridade do rei.

O rei assírio possuía poder absoluto sobre todos os aspectos do governo - econômico, diplomático, político, militar e religioso. Embora reconhecido como humano, acreditava-se que fosse um enviado dos deuses, em especial Assur, a divindade principal. Por isso, o monarca vivia distanciado dos outros mortais: só o superintendente do palácio tinha acesso regular a sua presença. Até mesmo o príncipe herdeiro só tinha permissão para uma audiência se os preságios fossem considerados favoráveis; aos de fora, vendavam-se-lhes os olhos quando iam à presença do soberano. Para o rei, não era tarefa fácil manter satisfeitos os deuses. Estava constantemente submetido a rituais árduos como jejuar e ficar isolado durante uma semana numa cabana de junco verde. Às vezes, os augúrios indicavam que os deuses estavam terrivelmente descontentes. O pior sinal era um eclipse, lunar ou solar, pois supunha-se que pressagiava a morte do monarca. Nesses casos, o rei abdicava do trono temporariamente em favor de um suplente, que assumia a responsabilidade pelo que houvesse irritado os deuses. Depois de cem dias, o rei retornava e tanto o substituto como sua esposa eram executados, supostamente para dar aos deuses a morte do rei como foi predita.

A agressão militar era legitimada pela religião assíria: conquistar era a missão divina dos reis. Além da característica de conquistadores, os assírios eram violentos e costumavam vangloriar-se dos atos sangrentos, faziam do terror e da atrocidade instrumentos de política externa. Antes mesmo de tornarem-se os mais poderosos do oriente, num exemplo precoce do terror que se tornaria marca registrada dos assírios, um soberano chamado Salmanasar I, que reinou de 1274 a 1245 a.C., levou para Assíria, como escravos, 14 mil soldados inimigos derrotados - mas tratou de assegurar-se, antes de tudo, de que seriam dóceis; para isso, cegou-os.

O fiho de Salmanasar I, Tukulti-Nunurta I, cujo reinado começou em 1244 a.C., expandiu o territórrio dos assírios que, a época, já era de mais de 30 mil metros quadrados, que iam dos contrafortes dos Zagros até o Eufrades. Tukulti-Nunurta I escarvizou e levou para Assur, presos com pesadas correntes de cobre no pescoço, os reis de Nairi que comandavam as tribos que viviam nos Zagros, pois estas durante muitos anos vinham atacando a fronteira nordestes da Assíria. Tempos depois esses reis tiveram permissão para voltar para casa como vassalos.

Quando o rei babilônico Kashtiliash resolveu atacar a Assíria, Tukulti-Nunurta venceu o exército babilônico, capturou o atrevido Kashtiliash e, em suas próprias palavras: "pisei com meus pés em seu pescoço real como se estivesse pisando em um estribo". A Babilônia foi saqueada e Tukulti-Ninurta se auto-proclamou seu novo rei. Daí a influência da sofisticada cultura babilônica aumentou.

Quando mais tarde a Babilônia revoltou-se com êxito, acreditou-se em altos círculos assírios que os deuses pilhados anteriormente estavam demonstrando sua ira contra as iniquidades de Tukulti-Ninurta. E assim, de acordo com uma crônica, o rei assírio, que "tinha colocado sua mão maldosa sobre a Babilônia", teve um triste fim: "Seu filho e os nobres da Assíria, rebelaram-se contra ele e arrancaram-no do trono. Aprisionaram-no e mataram-no com uma espada".

No início do século IX a.C. os Assírios estavam em marcha para o oeste, levando armas assírias ao Mediterrâneo pela primeira vez. O imperador era Assurnasirpal II (885-860 a.C.) e este realizaria uma campanha tão terrível em violência que eclipsaria os feitos sangrentos de seus antepassados.


O próprio Assurnasirpal II vangloriou-se: "Provoquei grande morticínio"; "Destruí, demoli, queimei. Aprisionei os guerreiros deles e empalei-os diante de suas cidades". Após saquear uma cidade, empilhou os cadáveres como lenha do lado de fora dos portões. "Esfolei os nobres, tantos quantos se haviam rebelado, e estendi suas peles sobre as pilhas". Depois de uma batalha em que matou 3 mil e fez muitos prisioneiros, ele registrou: "Muitos dos cativos queimei numa fogueira. Muitos levei vivos; de alguns, cortei fora as mãos, de outros o nariz, orelhas e dedos; arranquei os olhos de muitos soldados. Queimei até a morte os homens e mulheres jovens".

Um dos primeiros sistemas de escrita foi a cuneiforme, dos babilonios e assírios, sistema que deve ter originado da Suméria: consta de 600 caracteres, cada um dos quais representa palavras ou sílabas escritas em tábuas de argila ou pedra. Deve-se às transcrições dessa forma de escrita o que hoje conhecemos do povo Assírio.

A política de provocar o terror entre os povos subjulgados era comum entre os assírios e os episódios narrados por Assurnasirpal II dão uma idéia das formas de morte, como pena, utilizadas pelo povo Assírio: como o empalamento que era um suplício antigo que consistia em espetar o condenado em uma estaca, pelo ânus, deixando-o assim até morrer; além da morte na fogueira, as mutilações e o esfolamento; torturas mais tarde também utilizadas na Pérsia.

Assurbanipal foi o último grande rei dos assírios. Durante o seu reinado (668 - 627 a.C.), a Assíria se tornou a primeira potência mundial. Seu império incluía a Babilônia, a Pérsia, a Síria e o Egito.

No fim do seu reinado, porém, ou logo depois, o poderio da Assíria desmoronou. Uma década mais tarde o império caía em mãos de babilônios e persas.

Assurbanipal era filho de Assaradão (ou Asarhaddão), este que morreu (669 a.C.) tentando reconquistar Mênfis, a capital egípcia que havia se rebelado logo após ser conquistada. Assurbanipal não fugiu a regra dos seus antecessores: as conquistas e o crescimento das fronteiras da Assíria eram seus maiores objetivos, sempre realizados de forma violenta, mas orgulhando-se das carnificinas.

Após a morte de seu pai, o império assírio foi dividido, sendo que seu irmão Chamás-Chum-Uquim reinaria sobre a Babilônia e Assurbanipal governaria o resto. Assurbanipal reconquistou Mênfis e estendeu o domínio assírio para o sul do Egito, até Tebas. Mas Chamás-Chum-Uquim, com ciúmes, por volta de 652 a.C., resolveu atacar uma tropa de Assurbanipal, perto da Babilônia. Logo deflagrou-se uma guerra civil, que só terminou depois de 3 anos de cerco na Babilônia. Nos últimos dias, os mortos estavam empilhados nas ruas e contam os cronistas que os sobreviventes "comiam a carne de seus filhos e filhas para não morrer de fome". Finalmente, Chamás-Chum-Uquim lançou-se nas chamas de seu próprio palácio. Depois de dar ao irmão um funeral digno do sangue real, Assurbanipal vingou-se dos outros rebeldes: "Eu alimentei com seus cadáveres, cortados em pedaços pequenos, cães, porcos, abutres, águias, os pássaros do céu e os peixes do oceano".

Como seus antepassados, Assurbanipal vangloriava-se de sues feitos sangrentos. Após rechaçar uma rebelião na Babilônia, o monarca deixou registrado a atitude punitiva severa: "Erqui um muro diante das grandes portas da cidade. Mandei esfolar os chefes da revolta e cobrir o muro com suas peles. Uns foram enterrados vivos na construção, outros foram crucificados ou empalados ao longo do muro. De vários mandei arrancar a pele na minha presença e revestir este muro com ela. Mandei dispor as cabeças em forma de coroas, e os cadáveres trespassados em forma de grinaldas."

Apesar da ferocidade o rei Assurbanipal seria lembrado como o estudioso que se gabava de sua própria instrução, e que criou a grande biblioteca de Nínive com uma coletânia com obras em caracteres cuneiformes, hoje responsável por muito do que se sabe dos povos da Mesopotâmia. Durante o seu reinado, que durou cerca de quarenta anos a técnica do baixo-relevo atingiu maiores proporções. As fachadas e as salas dos palácios estavam, a perder de vista, cobertas de tapeçarias de pedra:

Em um painel de pedra que decorava o palácio do rei Assurbanipal, em Nínive, arqueiros assírios colocam em fuga um contigente de árabes montados em camelos. Bando de árabes, .ansiosos por butins, rondavam as fronteiras meridionais da Assíria no Século VII a.C., obrigando Assurbanipal a montar expedições punitivas.



Os assírios eram semitas que habitavam o Norte da Mesopotâmia, tendo uma longa história na região. Entretanto, ao longo desta história, eles estão sob o jugo de reinos mais poderosos da região Sul. Sob o monarca Shamshi-Adad, os assírios tentaram começar a construir seu próprio império, mas Hamurabi da Babilônia logo acabou com tal ambição, os assírios então começando uma longa rivalidade com a Babilônia. Eventualmente, os povos semitas que viviam ao Norte da Mesopotâmia foram invadidos por um outro povo de origem asiática, os Urianos, que migraram para a área e começaram a construir ali seu próprio império. O sonho deste império, entretanto, foi absorvido pelo império Hitita, que acabou com a jovem nação Uriana. Após séculos de tentativas de independência, os assírios finalmente conseguiram formar um estado independente, pois os Hititas não anexaram a seu império cidades assírias. Nos séculos subseqüentes, o equilíbrio de poder mudou do sul para o Norte.

As conquistas assírias começam com o monarca Tukulti-Ninurta (1235-1198 BC), com a conquista da Babilônia. Mas o sonho de um império assírio começou com o monarca Tiglat-Pileser (1116-1090), que estendeu o domínio assírio até a Síria e a Armênia. Entretanto, o grande período de conquistas ocorreu entre 883 e 824, nos reinados de Assurnazirpal II (883-859 BC) e Shalmaneser III (858-824 BC), que conquistou toda a Síria e a Palestina, toda a Armênia, e a vitória sobre todas as vitórias, ou seja, a conquista da Babilônia e do Sul da Mesopotâmia. Os conquistadores assírios inventaram uma nova política em relação aos povos conquistados: a fim de evitar as revoltas nacionalistas dos povos dominados, os assírios forçaram os povos migrarem em grandes números para outras áreas do império. Além de garantira segurança de um império construído à base de conquistas de povos de culturas e idiomas diferentes, estas deportações em massa das populações do Oriente Médio, Mesopotâmia e Armênia tornou a região num caldeirão de diversas culturas, religiões e idiomas. Havia muito pouco deste tipo de contato em tempos anteriores ao dos assírios. Foi o imperador assírio Sargão II (721-705 Antes da Nossa Era) quem primeiro relocou os Judeus após a conquista de Israel, o reino do norte que pertencia aos Judeus. Apesar desta ter sido uma deportação não tão grande, nos moldes da Assíria, ela marca o início do diáspora dos judeus. Este capítulo do diáspora, entretanto, nunca na realidade foi escrito, pois os hebreus deportados parecem ter sido absorvidos pela sociedade assíria, e quando Nabucodonossor II conquistou Judá (587 Antes da Nossa Era),o reino sulista dos hebreus, os israelitas deportados por Sargão II tinham desaparecido, sem nome e sem faces nas areias do Norte da Mesopotâmia.

Os monarcas da Assíria, que detestavam a Babilônia com paixão , uma vez que invejavam a independência da cidade, destruíram-na e mudaram a capital para Nínive. Mais tarde, porém, sentindo que Marduk, o maior deus desta cidade, poderia estar de má vontade para com eles, os Assírios reconstruíram a cidade e retornaram ao Esagila, o maior templo de Marduk na Babilônia, a estátua de Marduk que havia sido roubada por estes. Esarhaddon foi o reconstrutor da Babilônia. O último grande monarca assírio foi Assurbanipal (668-626 BC), que não apenas estendeu o império, mas também começou um projeto de reunir uma biblioteca de tábuas de argila contendo toda literatura da Mesopotâmia. Trinta mil tábuas de argila ainda permanecem na Grande Biblioteca de Assurbanipal na cidade de Nínive. Estas tábuas de argila são nossa única e maior fonte de conhecimento sobre a cultura, mitos e literatura da Mesopotâmia.

Após Assurbanipal, o grande império assírio começa a rachar. Maior pressão foi da parte dos velhos inimigos da Assíria, como os babilônicos. Contando com a ajuda de outro povo de origem semita, os Medes, auxiliados pelos Babilônicos, liderados por Nabuplassar conquistaram a capital assíria de Nínive, incendiando-a completamente, desta forma acabando para sempre com o grande império Assírio.





O ESTADO ASSÍRIO

O estado assírio foi formado no laboratório da guerra, invasões e conquistas. As classes dominantes consistiam praticamente de comandantes militares, tornados ricos pelos saques de guerra. O exército foi o maior de todos no Antigo Oriente e no Mediterrâneo. As exigências da guerra estimularam a inovação tecnológica quefez deles imbatíveis na manufatura de espadas de ferro, lanças, armaduras e veículos de guerra, fazendo do guerreiro assírio um terrivel inimigo em batalhas.





MATEMÁTICA E CIÊNCIA

O estranho paradoxo da cultura assíria foi o dramático crescimento da ciência e da matemática. Este fato pode em parte explicado pela obsessão assíria com a guerra e invasões. Entre as grandes invenções matemáticas dos assírios está a divisão do círculo em 360 grauso, tendo sido eles dentre os primeiros a inventar latitude e longitude para navegação geográfica. Eles também desenvolveram uma sofisticada ciência médica, que muito influenciou outras regiões, tão distantes como a Grécia.



O povo assírio viveu na antiga Mesopotâmia, região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates. Sua capital, nos anos mais prósperos, foi Nínive, numa região que hoje pertence ao Iraque. O Império assírio abrange o período de 1700 a 610 a.C. , mais de mil anos.

Os assírios eram ferozes guerreiros e usavam sua grande força militar para expandir seu Império. Libertando-se dos sumérios, conquistaram grande parte do seu território, mas logo caíram em poder dos babilônios, um povo que morava ao Sul da Mesopotâmia. Em 1240 a.C, empreenderam a conquista da Babilônia, e a partir daí começaram a alargar as fronteiras do seu Império até atingirem o Egito, no norte da África. O Império Assírio conheceu seu período de maior glória e prosperidade durante o reinado de Assurbanipal (até 630 a.C). Cobravam pesados impostos dos povos vencidos, o que os levava a revoltarem-se continuamente.

Ainda no reinado de Assurbanipal, já os babilônios se libertaram (em 626 a.C.) e capturaram Ninive. Com a morte de Assurbanipal, a decadência do Império Assírio se acentuou, e em 610 a.C. a última de suas cidades caiu em poder dos invasores.

A escrita dos assírios constituía-se de pequenas cunhas feitas com um estilete em tabuletas de argila — é a chamada escrita cuneiforme. Descobriram-se milhares de tabule­tas na biblioteca de Assurbanipal em Ninive, conhecendo-se grande parte da história do Império Assírio a partir de sua leitura.

Os palácios de Nínive são cobertos de es­culturas em baixo-relevo, representando cenas de batalha e da vida dos assírios. Também por eles sabemos muito da história desse grande Império do passado.



Cruéis e Soberbos Assírios

Por que os rios dão fertilidade à terra e peixe ao homem, porque suas águas levam as canoas e atraem os pássaros, todos querem permanecer em suas margens. Entre o Tigre e o Eufrates, no chamado Crescente Fértil, a Mesopotâmia estendia-se do Noroeste do golfo Pérsico ao Egito atual. Porque o solo era bom, por que o mais ao redor era deserto, várias nações ali se concentravam. Sem espaço o suficiente para expandir-se: Entre o Tigre e o Eufrates, a guerra foi tão constante como os rios, e os impérios tinham curta duração.

Os acádios sucederam os sumerianos, primeiro povo a se estabelecer na região, por volta de 3.000 a.C. Foram seguidos pelos guti, ferozes guerreiros vindos do Norte. Após os guti vieram os elamitas, por sua vez seguidos pelos amoritas da orla do deserto, chamados "antigos babilônios". Depois os acádios novamente, em seguida os amoritas. E ao império subseqüente, o dos cassitas, foi anexada a Assíria, pequeno reino no planalto de Assur, a 800 km da nascente do Tigre, no norte da Mesopotâmia.

O povo assírio havia assimilado e preservado toda a cultura até então acumulada, mas os cassitas, muito primitivos, agora estavam pondo tudo a perder. Por volta de 1.300 a.C. os assírios começaram a recuperar terreno, expandem-se impetuosamente, e no século X a.C. tomam aos cassitas o que ainda lhes restava no vale do Tigre e Eufrates. E então a Síria, a Fenícia e a Palestina (exceto o reino de Judá) e o Egito - quase todo o mundo civilizado da época - passaram às mãos do pequeno reino do Norte, que assim evoluiu para um império. Ele se agigantou, é certo. Mas deseqüilibradamente. Sem um sistema administrativo integrado. Sem unidade, a não ser pela força. Submetidas a repressão feroz, as nações subjugadas se rebelaram tão logo o despótico governo sediado em Nínive deu os primeiros sinais de fraqueza.

Foi um rápido declínio, depois do apogeu alcançado nos séculos VIII e VII a.C., em que reinaram Sargão II (772 - 705), Senaqueribe (705 - 681) e Assurbanípal (668 - 626). O golpe fatal coube aos caldeus, nação semita no sudeste da Mesopotâmia, que integrava o império assírio. Liderados por Nabopalassar, que servira os imperadores como governador provincial, os caldeus organizam uma revolta que culmina com a queda de Nínive, em 612 a.C.

"Em um mês de dias, dominei o Elam em toda sua extensão. A voz dos homens, os passos do gado, grande e pequeno, os gritos de alegria, extirpei-os dos campos, onde deixei que se estabelecessem os onagros, as gazelas e toda espécie de animais selvagens". Assurbanípal assim descrevia o massacre dos elamitas. E com certo orgulho. As condições de vida fizeram dos assírios uma nação de guerreiros. Seja pela necessidade de aumentar o pequeno território, seja pelo perigo constante de um ataque dos vizinhos hostis. E as exigências de guerra - tida por ocupação honrosa - marcaram roda a civilização assíria, desde a organização político social até sua arte.

Mais honrosa só a ocupação do rei. O senhor absoluto e onipotente, mas não onipresente precisava ser representado nas províncias do império em formação. Escolhia, pois, governadores para as regiões, ligadas por um sistema de comunicações que foi o primeiro serviço postal do mundo. Uma rede de mensageiros cada qual em um ponto-chave das principais rotas, levava deliberações e notícias do rei para os sessenta cantos do império.

Mas o real poder dos reis era a força dos exércitos. O número do quadro permanente era maior do que qualquer outro do oriente médio. Espadas de ferro, longas lanças, aríetes, escudos, couraças, capacetes metálicos, faziam de seu equipamento o melhor daquela época e naquele meio. Para sustentar tão dispendiosa milícia lançava-se mão de pilhagens de tributos do povo. E a velha arma, a mais freqüentemente usada de domínio dos povos, o terror, era usada de modo sistemático pelos assírios, o que lhes granjeou a fama de gente arrogante para castigar os insubordinados, mandavam esfolá-los e mutilá-los vivos. Depois engaiolavam-nos para públicas exibições. Arrasar populações inteiras e reduzi-las a escravidão, impunha a supremacia, a despeito da administração rudimentar de seu Estado ou da superioridade técnica e numérica dos exércitos. Aos poucos, porém, o exército foi se enfraquecendo, pois os militares delegavam seus deveres a subordinados, e iam divertir-se nas cidades grandes. A vingança é um jogo fácil de armar. Uma a uma, as nações subjugadas conspiraram contra os assírios, até destruí-los. Quando os caldeus os dominaram, de Nínive foram exterminadas até mesmo suas sombras. Isso quase apagou os traços da influência assíria na história subseqüente.



A arte profana

"Tabiru" é o nome de um portão, entre trezentos outros que se abriam ou fechavam nas muralhas da cidade de Assur. A muralha de Nínive tinha 4 km de extensão, e Dur-Sharrukin, cidade-palácio de Sargão II, 3 km² de edifícios. Monumental a arquitetura assíria, toda baseada em um só esquema: pátios centrais rodeados de aposentos. O aspecto dos edifícios era maciço, por terem um único andar, sem janelas laterais penetrando a luz por aberturas no teto, verdadeiros terraços. As paredes de tijolo de argila - por que as pedras escasseavam - eram decoradas interna e externamente com inscrições e esculturas. Principalmente baixos-relevos. A nota dominante da escultura assíria é o movimento. O manancial de inspiração não inclui os deuses, só os homens: seus reis, suas guerras, suas caças. Assurbanípal é freqüentemente representado caçando leões. Sua figura de soberano destaca-se das demais pelo porte, estatura e traços nobres. Em sua época a arte assíria atinge seu apogeu. Na escultura, a quantidade de músculos raia o sobrenatural, num estilo só repetido em Michelangelo. A imagem em seu todo é contida, rígida, o rosto imóvel. Se expressa algum estado, é o de tranqüilidade. Dos rostos vencidos não transparece nem submissão nem terror, a posição dos corpos por vezes sugere esses sentimentos. Na pintura mural, a mesma motivação se repete. Entre artes menores, teve grande importância a gravação de sinetes para assinatura de documentos.



Deuses de formas humanas

Ao norte da cidade de Assur, Senaqueribe mandou construir um jardim, nele ergueu um edifício, destinado às celebrações do ano novo. Supunha-se que nessa ocasião os deuses assírios rejubilavam pela vitória de Assur sobre o demônio Tiamat. A religião dos assírios em muitos pontos comum à dos babilônios e sumerianos era antropomórfica: Todas as divindades tinham formas humanas e não de animais. Dentre eles, Sin (Lua), Chamah (Sol), Nabu (Eufrates), Nibid (Sol levante), Nergal (Sol meio-dia), Adad (Tormenta), Enlil (Terra), Ea (Água). Mas Assur era o Deus superior. Essa disposição hierárquica foi o primeiro passo para o monoteísmo, Inspirou os hebreus na conceituação de Deus Universal.




O Comércio Proibido

Não sendo rei nem militar, assírio algum teria ocupação. O comércio lhes era proibido, por ser considerado ignóbil. Os estrangeiros eram quem exerciam esse tipo de atividade, ou os arameus, povo subjugado pelos assírios, de características próximas à dos fenícios e dos hebreus. A agricultura era praticada pelos escravos, dela provinha o sustento dos assírios. As terras pertenciam aos reis, aos templos ou aos militares, donde se conclui que a população rural era extremamente pobre. Também na cidade, todos os serviços eram realizados por escravos, domésticos ou prisioneiros de guerra. A estes cabia o trabalho mais pesado.



A mulher sem direito

A pena de talião - olho por olho, dente por dente - que constava do código de Hamurabi, rei dos babilônios e o primeiro a coligir as leis, não foi adotada pelos assírios. Não há provas de que outras leis do código tivessem prevalecido entre eles. Mas a influência que exerceu sobre o direito assírio foi enorme. Algumas leis assírias determinavam a inteira sujeição da mulher; a esposa era tida como objeto de uso do marido. Só ele tinha direito ao divórcio e a poligamia. Enfim, a mulher era totalmente denegrida, e ai daquela que não cobrisse o rosto com véus. Os documentos da Cultura "Ó pai dos deuses, supremo ser que habita a Grande Montanha dos Campos, lembra-te da cidade, do povo e do palácio real. Dá a grande paz à minha alma e aos meus exércitos". O tratamento é na primeira pessoa. O tom solene dirigido a Assur. A escrita é cuneiforme, gravada em tabuletas de mármore: trata-se de uma carta de Zargão II a Assur, uma espécie de relatório de seus feitos ao deus vivo. Vinte e duas mil tabuletas semelhantes, em mármore e barro, eram colecionadas na Biblioteca em Nínive, talvez a primeira do mundo. Nem sempre eram cartas. Também coligiam todos os conhecimentos dos povos do império assírio. Algumas continham fórmulas mágicas, contratos comerciais, crônicas militares.



A História reconstituída

Esses documentos foram de grande valia para a reconstituição da história dos assírios e dos demais povos da Mesopotâmia. Através deles soube-se que os assírios dividiram o círculo em 360 graus; que localizaram pontos da Terra através de um sistema parecido com as atuais coordenadas geográficas. Os assírios estudaram o céu, reconheceram e denominaram cinco planetas. Na medicina catalogaram mais de 500 drogas, com as indicações para seu uso. Algumas eram potagens repugnantes destinadas a expulsar demônios do corpo do doente, pois acreditava-se que eles trouxessem as doenças.

CIVILIZAÇÃO ACADIANA ...

A ACÁDIA ( MESOPOTÂMIA ).


A Acádia (ou Ágade, Agade, Agadê, Acade ou ainda Akkad) é o nome dado tanto a uma cidade como à região onde se localizava, na parte superior da baixa Mesopotâmia, situada à margem esquerda do Eufrates, entre Sippar e Kish (no atual Iraque, a cerca de 50kms a sudoeste do centro de Bagdá). Geralmente, contudo, é comum referir-se à cidade como Ágade (ou Agade), e à região como Acádia.

A cidade/região alcançou seu cume de poder entre os séculos XX e XVIII a.C., antes da ascensão da Babilônia, além de representar o núcleo do reino de Nimrod na terra de Sinar.

A língua acádia teve seu nome proveniente da própria Acádia, um reflexo do uso do termo akkadû ("da, ou pertencente à, Acádia") no antigo período babilônico antigo para designar as versões semíticas de textos sumérios. O vocábulo foi cunhado no século XXIII a.C..

HISTÓRIA

Os acádios, grupos de nômades vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumérias, terminando por dominar as cidades-estados desta região por volta de 2550 a.C.. Mesmo antes da conquista, porém, já ocorria uma síntese entre as culturas suméria e acádia, que se acentuou com a unificação dos dois povos. Os ocupantes assimilaram a cultura dos vencidos, embora, em muitos aspectos, as duas culturas mantivessem diferenças entre si, como por exemplo - e mais evidentemente - no campo religioso.

A maioria das cidades-templos foi unificada pela primeira vez por volta de 2375 a.C. por Lugal-Zage-Si, soberano da cidade-estado de Uruk. Foi a primeira manifestação de uma idéia imperial de que se tem notícia na história.

Império de Sargão.Depois, quando Sargão I, patési da cidade de Acádia, subiu ao poder, no século XXIII a.C., ele levou esse processo cooptativo adiante, conquistando muitas das regiões circumvizinhas, terminando por criar um império de grandes proporções, cobrindo todo o Oriente Médio e chegando a se extender até o Mar Mediterrâneo e a Anatólia, .

A Sargão I, guerreiro e conquistador, foi-se aplicado tal título, sendo reconhecido como "soberano dos quatro cantos da terra", em alusão às "quatro cidades" bíblicas (Acádia, Babel, Erech e Calné), e em reconhecimento ao sucesso da unificação mesopotâmica. O rei tornou-se mítico a ponto de ser tradicionalmente considerado o primeiro governante do novo império (que combinava a Acádia e a Suméria), deixando o Lugal-Zage-Si de Uruk perdido por muito tempo nas areias do tempo, sendo redescoberto apenas recentemente. É interessante notar, contudo, que, apesar da unificação, as estruturas políticas da Suméria continuaram existindo. Os reis das cidades-estados sumerianas foram mantidos no poder e reconheciam-se como tributários dos conquistadores acadianos.

O império criado por Sargão desmoronou após um século de existência, em conseqüência de revoltas internas e dos ataques dos guti, nômades originários dos montes Zagros, no Alto do Tigre, que investiam contra as regiões urbanizadas, uma vez que a sedentarização das populações do Oriente Médio lhes dificultava a caça e o pastoreio. Por volta de 2150 a.C., os guti conquistaram a civilização sumério-acadiana. Depois disso, a história da Mesopotâmia parecia se repetir. A unidade política dos sumério-acadianos era destruída pelos guti, que, por sua vez, eram vencidos por revoltas internas dos sumério-acadianos.

O domínio intermitente dos guti durou um século, sendo substituído no século seguinte (cerca de 2100 a.C.–1950 a.C.) por uma dinastia proveniente da cidade-estado de Ur. Expulsos os guti, Ur-Nammur reunificou a região sobre o controle dos sumérios. Foi um rei enérgico, que construiu os famosos zigurates e promoveu a compilação das leis do direito sumeriano. Os reis de Ur não somente restabeleceram a soberania suméria, mas também conquistaram a Acádia. Nesse período, chamado de renascença sumeriana, a civilização suméria atingiu seu apogeu. Contudo, esse foi o último ato de manifestação do poder político da Suméria: atormentados pelos ataques de tribos elamitas e amoritas, o império ruiu. Nesta época, os sumérios desapareceram da história, mas a influência de sua cultura nas civilizações subseqüentes da Mesopotâmia teve longo alcance.




Origem do Nome

O nome Acádia é provavelmente uma invenção suméria, aparecendo, por exemplo, na lista de reis sumérios, donde possivelmente deriva a forma semítica assírio-babilônica tardia akkadû ("da, ou pertencente à, Acádia").

É bastante provável que o nome não-semítico "Agade" signifique "coroa (ago) de fogo (de)"em alusão a Ishtar, a "deusa brilhante" ou "refulgente", a divindade tutelar da estrela da manhã e do entardecer e deusa da guerra e do amor (cf. Vênus, Afrodite, Lúcifer), cujo culto era praticado nos absolutos primódios da Acádia. Esse fato também é comprovado por Nabonido (ou Nabonidus), que relata como a adoração a Ishtar terminou sendo suplantada pela da deusa Anunit, uma outra personificação da idéia de Ishtar, cujo santuário ficava em Sippar (ou Sipar). É crucial deixar claro que havia duas cidades de nome Sippar: uma sob a proteção de Shamash, o deus do sol; e uma sob a de Anunit, fato que vigorosamente indica uma provável proximidade entre Sippar e Ágade. Uma outra teoria, surgida em 1911, sugere que Ágade postava-se em frente a Sippar, do lado esquerdo da margem do rio Eufrates, e que era provavelmente a parte antiga da cidade de Sippar.

Na literatura babilônica que surgiria posteriormente, o nome Acádia, bem como Suméria, aparece como parte de títulos de nobreza, como o termo sumério lugal Kengi (ki) Uru (ki) ou o termo acádio šar mat Šumeri u Akkadi (ambos traduzidos como "rei da Suméria e da Acádia"), que terminaram significando simplesmente "rei da Babilônia".

Mencionada uma única vez, no Antigo Testamento (cf. Gênesis 10:10 - O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar, também como Acade, dependendo da tradução), a Acádia é, em hebraico, como, ak-kad, a palavra em si provindo duma raiz infreqüente que provavelmente significa "fortificar" ou "reforçar", ou ainda "fortaleza". Em variantes do grego antigo, como achad, archad, ou ainda, apesar de raro, axad; em grego moderno, como Akkad. No Antigo Testamento, é descrita como uma das cidades principais: Acádia, Babel, Erech (ou Ereque ou Uruk) e Calné (ou Calneh), constituindo o núcleo do reino de Nimrod (ou Nimrud, Nimrude, Ninrode, Nemrod, Nemrude, Nemrode), presente em textos como a lista de reis sumérios. A forma semítica assírio-babilônica posterior, Akkadu, ou Accadu ("de ou pertencente à Acádia"), é provavelmente uma forma derivada de Ágade.




A LÍNGUA ACADIANA



O acadiano é uma das grandes línguas culturais da humanidade. Os primeiros textos em acadiano datam do III milênio a.C., com a chegada dos semitas na Mesopotâmia. A literatura acadiana é uma das mais ricas da Antigüidade.

A língua acadiana pertence ao grupo Oriental das línguas semíticas, fazendo parte da grande família lingüística hamito-semítica. O termo "acadiano", na verdade, se refere a um grupo de dialetos usados pelos assírios e babilônios na Mesopotâmia. O dialeto usado durante o primeiro Império Babilônico (1800 - 1600 a.C.) é conhecido como Antigo Babilônico. É nessa língua que está escrito o famoso Código de Hamurábi. Nestas páginas, no entanto, trataremos principalmente do dialeto Assírio, predominante durante o Novo Império Assírio (883 - 612 a.C.).

Vale lembrar também que, durante muito tempo, o acadiano foi usado como língua internacional por todo o Oriente Médio (incluindo o Egito).

ESCRITA CUNEIFORME

tablete cuneiforme assírio (séc. VIII a.C.)

A escrita cuneiforme recebe esse nome do latim cuneus "cunha", ou seja, "em forma de cunha". Isso porque era feita pressionando-se um estilete contra uma tábua de argila, dando aos caracteres o aspecto de cunha .

Essa escrita foi criada pelos sumérios e aperfeiçoou-se por volta de 3000 a.C. Durante o período assírio, os caracteres foram reformados e ganharam uma aparência mais retilínia e regular.

Os sinais mais freqüentes são aqueles que representam sílabas:

Existem muitos sinais representando palavras inteiras (ideogramas), dos quais mostraremos apenas os mais freqüentes.

Os sinais conhecidos como "determinativos" eram escritos antes ou depois da palavra para esclarecer seu sentido (como na escrita hieroglífica). Exemplos:

GRAMÁTICA ACADIANA

1. Substantivos

O substantivo acadiano possui, como em português, 2 gêneros (masculino / feminino), porém 3 números (singular / plural / dual). O dual é usado para substantivos que aparecem normalmente em par (como "os dois olhos" ou "as duas mãos").

Cada substantivo é também declinado em 3 casos: nominativo (sujeito da oração), acusativo (objeto direto) e genitivo (possessivo ou depois de preposições).

Masculino

sg. pl. dual
Nom. -u(m) -û -ân
Acus. -a(m) -î -în
Gen. -i(m) -î -în

Feminino

sg. pl. dual
Nom. -atu(m) -âtu(m) -ân
Acus. -ata(m) -âti(m) -în
Gen. -ati(m) -âti(m) -în

Os casos, no entanto, perdem a regularidade no período Assírio e se tornam confusos, às vezes sendo usados sem qualquer lógica. Assim é que, no dialeto Assírio, o plural era geralmente formado pelo sufixo -ânû ou -ânî, e o dual já caía em desuso.

2. Verbos

Os verbos podem parecer simples no começo, pois possuem apenas dois tempos e são todos regulares. No entanto, cada verbo é formado por uma raiz consonantal (geralmente de três consoantes), que pode ser ajustada para derivar novos verbos.

Se isso parece confuso, damos um exemplo com o verbo kaSâdu "conquistar", cuja raiz é k-S-d. Se duplicarmos a consoante média, teremos kuSSudu (k-SS-d) "conquistar violentamente". Se acrescentarmos um S- à raiz, teremos SukSudu (S-k-S-d) "fazer conquistar". Se acrescentarmos n-, teremos nakSudu (n-k-S-d) "ser conquistado".

Antes de tudo, veremos a conjugação da 1ª raiz, usando o mesmo verbo k-S-d como exemplo.

Verbo k-S-d "conquistar"
Raiz I 1
Perfeito (pretérito)

sg.

pl.

1

akSud

nikSud

2 m

takSud

takSudû

2 f

takSudî

takSudâ

3 m

ikSud

ikSudû

3 f

takSud

ikSudâ

Imperfeito (presente)


sg.

pl.

1

akaSad

nikaSad

2 m

takaSad

takaSadû

2 f

takaSadî

takaSadâ

3 m

ikaSad

ikaSadû

3 f

takaSad

ikaSadâ

Infinitivo: kaSâdu

Particípio: kaSidu

Forma estativa*

sg.

pl.

1

kaSdâku

kaSdâni

2 m

kaSdâta

kaSdâtunu

2 f

kaSdâti

kaSdâtina

3 m

kaSid

kaSdû

3 f

kaSdat

kaSdâ

* A forma estativa corresponde a um estado ou ao resultado de uma ação: "estando conquistado", "tendo sido conquistado".

3. Preposições e Conjunções

ina "em"

ana "para"

eli "com, para"

u "e"

-ma "e" (sufixado)

inuma "quando"

4. Pronomes pessoais

Pode-se distinguir, nos pronomes, os casos reto e oblíquo, cuja função é a mesma do português.

Pronomes no caso reto (nominativo)

anâku "eu"

anîni "nós"

atta "tu" (m.)

attunu "vós" (m.)

atti "tu" (f.)

attina "vós" (f.)

Sû "ele"

Sûnu "eles"

Sî "ela"

Sîna "elas"

Pronomes no caso oblíquo (acusativo, genitivo)

iâti "me, mim"

niâti "nos"

kâtu "te, ti" (m.)

kâtunu "vos" (m.)

kâti "te, ti" (f.)

kâtina "vos" (f.)

SâSu "lhe" (m.)

SâSunu "lhes" (m.)

SâSa "lhe" (f.)

SâSina "lhes" (f.)

Quando o pronome cumpre a função de possessivo, é sufixado ao substantivo:

-î, -ia "meu" -ni "nosso"
-ka "teu" (m.) -kunû "vosso" (m.)
-ki "teu" (f.) -kinâ "vosso" (f.)
-Su "dele" -Sunu "deles"
-Sa "dela" -Sina "delas"

Por fim, há os pronomes usados como objeto direto após os verbos, os quais também são sufixados:

-(an)ni "me" -(an)nâSi "nos"
-(ak)ka "te" (m.) -(ak)kunûSi "vos" (m.)
-(ak)ki "te" (f.) -(ak)kinâSi "vos" (f.)
-(aS)Su "lhe" (m.) -(aS)Sunu "lhes" (m.)
-(aS)Si "lhe" (f.) -(aS)Sina "lhes" (f.)




A CIVILIZAÇÃO ACADIANA



Os acadianos originam-se de tribos semitas que habitam o norte da Mesopotâmia a partir de 2400 a.C. Sob o reinado de Sargão, conquistam e unificam as cidades-estados sumérias, inaugurando o I Império Mesopotâmico. Formam os Estados de Isin e Larsa. O império desmorona-se em 2180 a.C., após as invasões dos gutis, povos asiáticos das montanhas da Armênia.

O Estado é centralizado e tem no rei o chefe supremo. De religião politeísta, constroem monumentais palácios ao lado dos templos sumérios. Avançam na arte militar, com tropas de grande mobilidade no deserto e armamentos leves, como o venábulo (lança). Dão forma silábica à escrita cuneiforme e transcrevem obras literárias sumérias.



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